Uma palavrinha sobre Star Wars

“A muito tempo atrás, em uma galáxia muito distante”com esta frase se iniciava uma das maiores sagas cinematográficas da história. Um império do mal combatido por rebeldes bonzinhos utilizando uma energia criada pelos seres vivos como aliada conquistou e continua conquistando seguidores por todo o mundo. Mas o que tem de especial esta história que cativa tanto assim as pessoas? Podemos dizer que a força esta nos mitos.
Quando George Lucas tinha 23 anos ele começou a ler a obra de Joseph Campbell, uma das maiores autoridades do século passado em mitologia. Campbell, seguidor de Jung, trabalhava com a teoria dos Arquétipos do Inconsciente Coletivo. A referida teoria diz que todos nós temos resquícios de signos em nosso inconsciente provenientes de uma primeira civilização existente nos primórdios da humanidade. Isto explicaria, por exemplo, como aspectos mitológicos e culturais similares se desenvolveram em diferentes civilizações em partes distantes do mundo. O mito do vampiro exemplifica bem isto. A figura do predador humano que bebe sangue existe em diferentes culturas que não possuíam vinculo algum.
Lucas aprendeu muito bem a lição e recheou sua saga intergaláctica com alguns dos mais fortes mitos da humanidade. Vejamos alguns deles:
Darth Vader – Saturno, o deus romano, devora seus filhos com terrível voracidade e, depois, se arrepende. Também foram aproveitados outros mitos religiosos na figura de Vader. Das diversas religiões do planeta veio a idéia da força, o campo de energia das coisas vivas. Os mitos universais tem uma moral: essa energia só é bem explorada quando cada um desenvolve a sua individualidade. Vader passou para o lado negro da força porque servia o sistema sem questionar, seja ele o governo ou a sociedade.
Luke Skywalker - É uma versão do jovem grego Aquiles. Ele é o típico jovem comum, bem simples. Um dia, porém, sua ascendência nobre é revelada. Então é treinado por figuras que estão fora da esfera humana, como se fossem adaptações do centauro Quiron.
Han Solo – O mercenário do filme foi baseado em Ulisses. Capaz dos maiores heroísmos e, ao mesmo tempo, das mais baixas formas de esperteza. Assim como Ulisses se recusa a guerrear, pois não teria nada a ganhar com isso, mas no final acaba lutando com todo empenho. Para completar o personagem também tem a sua Penélope.
Princesa Léia – Léia é a personagem mais moderna da trilogia. Mulheres com pensamentos próprios e personalidade forte são raras na mitologia. Uma das poucas exceções é Penélope. Nos 24 livros da Odisséia, , Penélope é a única pessoa que consegue tirar Ulisses do sério., como Léia faz com Han Solo.
Obi-Wan Kenobi – representa o sábio. Em quase todos os mitos o sábio é um estranho que aparece de repente com seus ensinamentos. Sem ele o herói nunca iria longe. Segundo os sábios que aparecem nos mitos japoneses do século XII, a mente precisava ser tão bem treinada quanto o físico.Joseph Campbell costumava falar que a narrativa mítica tinha a função de despertar em cada um o sentido da sua própria aventura. Os mitos falam lá no fundo do inconsciente, por isso sempre conquistam o ouvinte.

Baseado na reportagem “Mitos nas estrelas” publicada na revista Super Interessante de agosto de 1997.

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