Preto no Branco

A fotografia digital atingiu o mundo dos fotógrafos como uma avalanche, mudando hábitos e transformando prática. Hoje ser profissional está infinitamente mais caro, por conta do alto preço dos equipamentos, porém a fotografia se popularizou em níveis apenas comparáveis aos do início do século XX quando George Eastman criou a primeira câmera fotográfica caseira com filme de rolo.

O advento da era digital também transformou as empresas que, ou se reorganizaram (Kodak), ou simplesmente desistiram do ramo (Konica-Minolta). Mas eis que uma das vítimas da revolução digital volta das cinzas: a fotografia preto e branco.

O preto e branco tradicional, feito com filmes específicos e revelado de maneira quase artesanal, passou por momentos críticos no ultimo ano. A Kodak parou de fabricar papeis para revelação no país, a Agfa-Photo não agüentou e faliu e a Ilford vinha passando por graves problemas financeiros. Tudo indicava que esse era um processo fadado a extinção.

Mas, no final de 2005 tudo mudou. A Ilford se reestruturou e, aproveitando o vácuo deixado pela Kodak e pela Agfa, voltou a produzir papel e químicos para revelação, abastecendo um mercado formado, quase que especificamente, por artistas, amadores avançados e professores e estudantes de universidades de jornalismo e arquitetura.

Aí chego ao ponto que me levou a escrever este post. Um grupo organizado de profissionais ligados a fotografia do Rio de Janeiro lançou um manifesto para que “o processo Fotográfico Analógico em sais de prata seja considerado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, com o objetivo de valorizar e preservar esse instrumento de representação do mundo visível.”

Mas o que isso traz de vantagem? Muita coisa. Com esse título as industrias do setor que trabalham com a fotografia analógica ficam isentas de pagar impostos, que no Brasil chega a significar 80% do preço final do produto. Para se fazer uma comparação , enquanto uma cópia de fotografia colorida no tamanho 10×15 cm custa R$ 0,60, em média, uma cópia em preto e branco do mesmo tamanho custa R$ 3,50.

Sou um grande fá da fotografia em preto e branco tradicional e gostaria de convidar todos meus amigos visitantes desse espaço virtual para também assinar esse manifesto. É simples e não leva mais do que cinco minutos.

Ao contrário do que muitos possam pensar o digital e o analógico não são concorrentes, pois são processos com público diferente. Enquanto houver fotógrafos que queiram se expressar artisticamente e de uma forma quase artesanal com a fotografia preto e branco ela nunca vai desaparecer.

Clique aqui para ler e assinar o manifesto

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