Matrix e a Copa do Mundo


Esse fim de semana aproveitei para assistir a trilogia Matrix mais uma vez. A cada nova revisada da trilogia me surpreendo mais ainda com a genialidade da história criada. Porém, muita gente até hoje não entendeu a mensagem passada pelo filme e encara a película apenas como mais um filme de ação. Lançado originalmente em 1999, o filme Matrix surpreendeu por trazer um conceito novo para os filmes de ação e uma história que misturava ficção científica, filosofia e religião. Dentro desse conceito Neo (Keanu Reeves) era um messias que tinha como missão salvar a raça humana que fora escravizada por um bando de máquinas pensantes. Bem melhor construído do ponto de vista argumentativo do que outros filmes do mesmo teor (Exterminador do Futuro, por exemplo) o filme se tornou um marco no cinema sendo eleito um dos 10 filmes mais importantes da década de 90.
Mas, afinal de contas, o que é a Matrix? Como Morfeu (Laurence Fishburne) mesmo definiu, a Matrix é um sistema e esse sistema é que é o inimigo. Mas, as pessoas estão tão inertes nesse sistema que não estão prontas para viver sem ele e até lutarão para mantê-lo. Ou seja, a Matrix é o sistema em que nós mesmos vivemos, a Matrix é a alienação. O indivíduo alienado é aquele que se submete aos valores e instituições que o cercam. Submete-se cegamente sem haver um questionamento. Por tudo isso, nós vivemos em nossa própria Matrix, submissos ao sistema, sem liberdade, e sem questionar. Os acontecimentos recentes de nosso país com a torrente de corrupção, a falta de punições e, o mais grave, o já esquecimento do episódio demonstra bem o grau de nossa alienação.
E o que tem a ver a copa do mundo? Ela é utilizada habilmente pelo sistema para que o cidadão comum venha a esquecer tudo o que realmente importa. Todos são levados a expressar um arremedo de patriotismo (torcer pela seleção não é ser patriota, ser patriota é lutar para seu país melhorar. Para torná-lo um lugar digno de se viver, um lugar que nos de orgulho), onde todos os problemas desaparecem, enquanto 22 atletas milionários correm atrás de uma bola.
Enquanto a seleção joga, outras pessoas tomam decisões de como será nossa vida, pois tem certeza de que ninguém vai questioná-los, porque eles são os donos do poder, donos de nossas vidas.
Infelizmente, ao fim do terceiro filme de Matrix, nos damos conta que o messias não vai derrotar o sistema, pois ele é forte e quase indestrutível. O máximo que se pode fazer é fazer as pessoas enxergarem o quão escravas elas são. Ter consciência de que não são livres, pois seu papel dentro do sistema já esta decidido por outras pessoas.
