Minha ida ao postinho

Dá para contar nos dedos de um aleijado das vezes que necessitei de tratamento médico por conta de gripe em meus 29 anos de vida. Mas nessa sexta-feira, a doença que vinha se manifestando já a uma semana, atingiu picos alarmantes. Tive febre o dia inteiro e, como bom hipocondríaco, fui listando todas as doenças que tem sintomas parecidos com a gripe no começo: dengue, ebola e outras mais graves, tudo isso graças a inúmeros livros de terror que li em minha adolescência. Ao fim do dia, e não agüentando mais a situação, decidi ir ao médico. Como estava sem carro tive que ir ao posto 24 horas mantido pela prefeitura em meu bairro, não estava em condições de pegar um ônibus.
Cheguei ao referido posto as 18:20. A atendente me informou que só haveria médico as 19:00. A gente fica assistindo Plantão Médico e acha que os médicos da emergência praticamente moram no hospital. Naquele momento me lembrei que os médicos do posto eram funcionários públicos e os médicos do seriado eram atores da Warner Brothers. A atendente me entregou uma senha e mandou esperar. Sentei no banco de espera e notei um numero muito grande de pessoas pelos corredores, inclusive muitas crianças.
Nesse momento fechei os olhos e a febre tomou conta de mim. As 19:25 a minha senha foi chamada, interrompendo uma animada conversa que estava tendo com o Tio Patinhas (delírio ou sonho, eu não sei).
Cheguei ao balcão e nesse instante várias pessoas começaram a reclamar que ninguém tinha entregue senhas para elas e o funcionário deu a resposta padrão de funcionário publico. “Olha, eu comecei o meu turno agora e não sei de nada”, hehe, típico.
Preenchi a ficha de atendimento e me mandaram aguardar mais um pouco. As 19:45 a médica me chamou ao consultório. Quando entro percebo que não era uma médica e sim uma estagiária de medicina da faculdade mequetrefe que tem aqui na cidade (que por uma incrível coincidência é de propriedade do Prefeito). A menina parecia mais uma Miss Brasil do que médica. Por isso, acho que embalado pela febre, se reacendeu todo meu ódio marxista pelas elites. Ela olhou para mim, fez algumas perguntas e concluiu: “Você esta com gripe”. Pensei comigo, que bom que ela estudou quatro anos para descobrir isso, mas se ela perguntasse eu poderia ter dito a mesma coisa.
Saí de lá com uma receita enorme e uma injeção na veia, que me deu muita náusea, mas felizmente estou melhor. Mas minha ida a esse estabelecimento de saúde me fez chegar a algumas conclusões:
- Quem não tem plano de saúde ta fudido;
- Funcionário publico é igual em qualquer lugar;
- Tenho medo das novas gerações de médicos que estão se formando o que torna necessário uma prova igual a da OAB para os recém formados;
- E, por último, quem não tem plano de saúde ta fudido e mal pago.

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