
Muitos não gostam do Super-Homem. Acham seus valores de ética e moral ultrapassados, em um mundo acostumado em ver heróis violentos e sem compaixão. Ideologicamente o personagem foi usado por governos para propagar o modo de vida americano e a grandeza da América. Mas, o personagem foi o primeiro super herói a ser criado e deu origem a toda uma linhagem de super-seres nas primeiras décadas no século passado. Batman, Capitão Marvel, Flash, Mulher Maravilha e tantos outros surgiram no que chamamos de era de ouro dos quadrinhos. O personagem passou por épocas de glória e de quase esquecimento, apenas para ressurgir continuamente como o grande herói que é.
Tenho um carinho especial pelo Super-Homem. Juntamente com o Batman foram as duas primeiras histórias em quadrinho que colecionei. Juntamente com milhares de fãs pelo mundo também chorei ao ler a saga A Morte do Super-Homem e também acompanhei eufórico a história que contou sua ressurreição, dando um novo gás as histórias desse bom moço quase centenário.
Para quem se interessou pelas sagas do grande escoteiro eu indico as histórias escritas por John Byrne, a mega-saga Crise nas Infinitas Terras, o arco de histórias que compreende a Morte do Super-Homem e a Ressurreição e, claro, a maior homenagem já prestada ao personagem que foi a minissérie Reino do Amanhã, um primor de paixão ao mundo dos quadrinhos feita por Alex Ross e Mark Waid.
Então finalmente chegou o dia da estréia do filme. Me dirigi até uma das salas do Moviecom de Prudente para finalmente ver o que fizeram com o filme do Superman. A minha primeira surpresa é que o publico presente era de uma idade bem superior aos dos adolescentes que costumam ver filmes baseados em história em quadrinhos. Pessoas entre 30 e 40 anos eram o publico predominante.
Mas, voltando ao filme, as luzes se apagam e entra a musica titulo baseada quase que completamente no tema clássico escrito por John Williams, e os letreiros muito parecidos com os usados no filme original de 1978. Aliás essa é uma característica que muitos estão discutindo pela net. O filme seria uma continuação direta dos dois primeiros filmes estrelados por Cristopher Reeve. Eu discordo disso. Esse novo longa metragem é uma grande homenagem aos filmes clássicos, reciclando várias situações, falas (quando o Super detém a queda do avião ele fala para os passageiros “Espero que essa experiência não tenha dado a vocês medo de voar. Estatisticamente falando é o modo mais seguro de viajar”) e aproveitando basicamente a trama do primeiro filme. Mas, longe de parecer um pacote requentado, esse novo filme traz o Superman em grande forma. Os efeitos especiais são grandiosos e temos realmente a sensação de que o homem pode voar. As duas principais cenas de ação do filme valem o ingresso por si só e a interpretação dos dois protagonistas (Brandon Routh, como Superman, e Kate Bosworth, como Lois Lane) estão perfeitas. Quando Routh aparece você realmente acredita que ele pode ser o Superman. Não podemos esquecer Lex Luthor (Kevin Spacey) que se mostra um vilão diabólico e engraçado ao mesmo tempo.
O diretor (Bryan Singer) optou por situar sua história em um paralelo com as histórias em quadrinhos e o filme original. Todo o clima do cenário da cidade nos remete a uma grande metrópole americana da década de 70, mas temos presentes TVs de plasma e computadores de ultima geração, além de celulares de tela colorida. O Lex Luthor apresentado é uma mistura da nova versão dos quadrinhos (um milionário) com as versões antigas onde ele era apenas um criminoso. A solução encontrada pelo diretor para fazer essa junção das duas versões para o vilão foi muito criativa.
Na história, o Superman volta para a Terra depois de um período de 5 anos buscando suas origens nos destroços de Krypton. Chegando a Metrópoles ele descobre que Lois Lane seguiu sua vida e agora é mãe de um garotinho de 5 anos. Outra descoberta é que o mundo esta um lugar bem pior do que aquele que ele deixou. Dentro dessa perspectiva ele retoma seu manto vermelho e volta a sua interminável batalha pela justiça, enquanto tenta reconquistar o afeto de sua amada.
Um filme emocionante, sensível e romântico. Recomendo para os nostálgicos de plantão e para todos aqueles que admiram esse grande super-herói.
Curiosidades:
- Marlon Brandon reaparece nesse longa como Jor-el, o pai do Superman. Usando técnicas de computação gráfica e antigas imagens de arquivo o ator reaparece recitando o discurso que fez no primeiro filme do herói onde ele se despede de seu filho. Tal discurso é repetido por Routh no fim do filme, demonstrando mais um momento de extrema emoção;
- Várias cenas são refeitas quase que iguais as originais de 1978. O final com o Superman voando rumo ao por do sol com a execução da canção titulo é de encher os olhos de lágrimas por sua perfeição;
- O noivo de Lois Lane, o sobrinho de Perry Whith interpretado por James Marsdem, também interpretou o Ciclop na trilogia dos X-Men;
- Sam Huntington, o Jimmy Olsen, igualmente a seu antecessor da aventura de 1978, também usa uma câmera fotográfica da Nikon. Só que em vez de uma Nikon F totalmente manual, ele agora usa uma D2H digital, que é o top de linha da marca japonesa;
- Serão lançados dois álbuns oficiais de Superman-Returns. Um vai conter a trilha sonora do filme totalmente instrumental e composta por John Ottman e o outro vai ser um disco inspirado no filme com a participação de bandas emocore (argh!!) em destaque no cenário musical americano.