V de Vingança

Nessa semana me propus a assistir ao filme V de Vingança. Não esperava muita coisa desse filme que foi malhado impiedosamente por todos os grandes meios de comunicação (a crítica da revista Veja foi particularmente violenta) e aclamado como uma grande obra criativa por mídias mais descompromissadas com a ordem vigente.
V de Vingança é baseado em história em quadrinhos do mesmo nome do escritor inglês Alan Moore e mostra uma Inglaterra futurista dominada por um regime fascista que controla a população com mão de ferro através de mentiras veiculadas pela mídia e práticas de seqüestros, torturas e assassinatos. Nesse contexto aparece o terrorista mascarado V (Hugo Weaving) que no dia 05 de novembro de 2020 (data em que ingleses comemoram o aniversário de uma conspiração que tentou explodir o parlamento em 1605), explode o palácio da justiça. No dia seguinte ele invade a rede de televisão e transmite uma mensagem para os cidadãos da Inglaterra de que eles devem superar seus medos e enfrentar o governo que lhes tirou a liberdade. Ele promete que no próximo dia 05 de novembro (um ano depois) vai terminar o trabalho iniciado em 1605 e destruir o parlamente e quem concordar com suas declarações deve comparecer as ruas para assistir a demolição.


O resto do filme se desenrola durante esse ano em que as autoridades tentam capturar o terrorista antes da data limite e a crescente popularidade entre a população dos atos de V. O filme é muito bacana e cheio de frases de efeito. É fácil entender porque os meios de comunicação mais conservadores odiaram o filme. Ele exala subversão. Contesta a ordem vigente e prega que o povo é o governante supremo. a frase de maior efeito no filme é que o povo não deve ter medo de seu governo e sim o governo é que deve ter medo de seu povo. Essa é uma verdade que a muito está esquecida em nossa democracia.

Outro grande trunfo do filme é o perfeito trabalho de todo o elenco. Hugo Weaving (o agente Smith de Matrix) demonstra toda sua veia poética durante os discursos de V e que em momento algum retira a máscara e Natalie Portman que está no caminho para se tornar uma das grandes atrizes do cinema. Outros destaques do elenco são John Hurt (o ditador fascista Adan Sutler), Tim Pigott-Smith (o diretor da seção de torturas Creedy) e Stephen Rea (o investigador de polícia Finch, que ao tentar capturar V fica cada vez mais perto de toda a verdade).


Produzido pelos irmãos Wachovski (da trilogia Matrix) e dirigido por James McTeigue, o filme é basicamente uma história de ação com conteúdo político. Em nenhum momento as cenas de luta são cópias de Matrix, embora um pouco do estilo visual tenha sido preservado.

V de Vingança não é um filme para qualquer um. Uns vão odiar. Outros vão amar. Isso vai depender de como você encara o mundo em que vive. Se você acha que está tudo bem com o mundo vai achar o filme exagerado e totalmente esquecível. Mas, se você acha que o mundo anda meio torto e alienante vai achar o filme uma obra prima e um exemplo a seguir. Não o de atos terroristas, mas simplesmente começar a pensar, questionar e mudar.

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