Ensaio de nu
Desde que comecei a fotografar (uns 12 anos atrás) tive vontade de produzir um ensaio de nu. Embora tenha feito algumas fotos com uma amiga, nunca executei algo planejado. Foram apenas coisas de momento sem pensar o cenário ou composição. Dessa vez tive tempo para planejar e compor as cenas.
A equipe
A equipe foi formada por mim, por meu amigo Kadu, que deve ser a pessoa mais perfeccionista do mundo e pela irmã da modelo. É sempre bom ter alguém junto que entenda o que vai ser o trabalho para ficar atendo a pequenos detalhes e a falhas na composição. O fotógrafo tem que ficar atento a vários detalhes técnicos e as vezes coisas mais específicas acabam escapando ao seu olhar.

A modelo
Toda a idéia do ensaio partiu da realização do III Concurso Fotográfico da revista playboy. O dito concurso premia o melhor ensaio de nu com a publicação na revista e a contratação do fotógrafo para realizar um ensaio para a publicação. A modelo (não vou citar nomes) se interessou pela idéia e topou executar o trabalho. Com o passar do tempo me desinteressei pelo concurso e passei a pensar apenas no ensaio. A playboy é uma revista masculina cuja qualidade está cada vez mais questionável, e o que eu queria fazer foge um pouco do que a revista está acostumada a exibir. Sem falar que todas as fotos enviadas passam a ser propriedade da revista e isso me incomoda muito. Por isso é que acabei fazendo um ensaio mais focado em sombras e luzes.
O local
O problema de fotógrafos iniciantes é a falta de um estúdio. Em grandes centros urbanos existem estúdios para locação. Aqui no interior nem pensar. Por isso passei a confecção do que chamamos de um estúdio caseiro, ou estúdio Tabajara. O mesmo foi constituído de um fundo infinito preto de tecido Oxford e dois holofotes, desses de jardim mesmo, com lâmpadas comuns, uma de 100w e outra de 200w. Gostaria de salientar que esse tipo de iluminação é usada por muita gente e só me decidi por ela depois de muito pesquisar. Usamos ainda para compor o cenário um sofá antigo, cadeiras e alguns lençóis.

Equipamento
Aqui o bicho pegou. Como não tenho uma digital reflex o jeito foi fazer com filme 35mm. Aí foi o primeiro problema. Como a iluminação era fraca precisava de um filme mais sensível à luz. Mas, aqui nessa terra esquecida por Deus o máximo que se acha é o ISO 400. Depois de comprar o filme tive que escolher a câmera. Como o ISO era baixo não pude usar minha Canon, pois ela tem uma lente muito escura (f.4.5-5.6), então decidi usar minha câmera mecânica que tem a lente bem mais clara (f.2.0). Isso deixou os trabalhos um pouco mais lentos, pois era necessário fazer o foco e todas as regulagens manualmente. Para quem ainda fotografa com filme cabe lembrar que se for usar ISO alto tem que ser da marca Fuji. Ele granula menos e mantém uma melhor qualidade em grandes ampliações.

O ensaio
Tudo transcorreu bem. A modelo estava animada e a equipe também. Fotografamos durante 4 horas. Embora o clima fosse o mais positivo possível ao final estávamos exaustos. Foram produzidos 108 fotogramas em 35mm e algumas digitais que estão nesse post.

Custo do ensaio
- Fundo infinito preto - 8 metros de tecido Oxford - R$ 40,00
- Luminárias de jardim com lâmpadas e jateamento do vidro - R$ 90,00
- Filmes Fuji ISO 400 (04 unidades) - R$ 48,00
- Digitalização dos filmes e gravação em CD - R$ 17,50
Conclusão
Tudo valeu a pena. Depois de todo o planejamento, preocupação, custo e cansaço acho que vamos produzir um ensaio de qualidade. Por ser o primeiro não será perfeito, mas acho que ficará acima da média. Claro que problemas aconteceram durante o ensaio. Perdi um filme inteiro com muitas poses excelentes, porque a lingüeta do filme não prendeu direito na máquina e se soltou. Bem, essas coisas acontecem na fotografia tradicional. É o equivalente a um cartão de memória queimar, mas o resto transcorreu bem e estou satisfeito.
As fotos serão reveladas nessa segunda feira e as melhores eu vou publicar em meu outro blog.

[...] A alguns meses atrás escrevi um post intitulado Do Sensual ao Vulgar. Nesse texto eu analisava as diferentes formas de representação da fotografia de nu na internet dentro de sites artísticos e pornográficos. Tal análise se deu por conta de um projeto particular onde desenvolvi um ensaio de nu dentro de padrões muito mais artísticos do que sensuais. Algum tempo depois recebi um e-mail de uma fotógrafa de Londrina, Mara Tkotz, que estava realizando uma especialização em fotografia na Faculdade Estadual daquela cidade. Conversamos pelo MSN algumas vezes, pois ela estava desenvolvendo o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) justamente dentro da área em que o texto se aventurava. [...]