Andreas e o guarda-napo
Não prestei muita atenção na banda. Não era o tipo de som que tinha afinidade e por isso passou batido. Em 1992 a história mudou. O clima para o rock estava efervescendo pois estávamos as vésperas do festival Rock in Rio II. Grandes bandas iriam se apresentar em terras tupiniquins, entre elas Megadeth, Judas Priest e Guns n’ Roses. Tudo era rock e a Rede Globo iria transmitir boa parte do festival ao vivo (diga-se de passagem a pior transmissão de um evento de rock que já vi em minha vida), e uma das bandas que iriam se apresentar era o Sepultura. Nessa época entrei em uma loja de discos para comprar o último LP do Iron Maiden (alguém se lembra das velhas bolachas) e o vendedor me ofereceu o último do Sepultura.
Me lembrei que não tinha gostado da banda, mas me propus a ouvir algumas faixas. O disco em questão era Arise (1991), e me espantei com o que ouvi. Os músicos tinham melhorado, as músicas tinham evoluído, o vocal estava em um meio termo entre o Death e o Thrash, a bateria estava soberba e as guitarras afiadas. O resultado disso é que comprei o disco e levei para casa onde ouvi seguidas vezes. A formação desse disco já contava com Andreas Kisser na guitarra solo substituindo Jairo Guedes. Depois desse lançamento o Sepultura ainda gravou mais dois álbuns que gosto muito e recomendo para todos. O primeiro foi Chaos A.D. (1993) e depois Roots (1998), além do EP Refuse/Resist (1994) que possuí um ótimo cover para Crucificados pelo Sistema, do Ratos de Porão, e uma versão matadora de Orgasmatron ao vivo. Depois desses ótimos álbuns Max saiu da banda por conta de uma treta que até hoje não entendo e deixei de acompanhar o grupo, pois não gostei da voz do novo vocalista, embora o último álbum de estudio, Dante XXI (2006), tenha me surpreendido pela qualidade e já faz parte de minha coleção.
Mas, qual a razão de estar falando tudo isso??? Vou dizer para vocês. Em novembro estava participando de um evento sobre educação ambiental e recursos hídricos na cidade de Avaré e durante um café da manhã, um engenheiro professor da USP, me viu com uma de minhas tradicionais camisetas de rock e comentou que seu filho era o webmaster do site oficial do Sepultura. Achei muito bacana, pois a profissão do rapaz, além de interessante, deve ser emocionante por conta dos clientes. Fiquei sabendo que ele encontrou várias vezes com Andreas Kisser (que deve ser quem cuida dos negócios da banda), por conta do relacionamento comercial do filho dele com a banda.

Claro que me esqueci desse fato. Sabe aquele lance de conversa de café da manhã? Logo depois você esquece. Mas, para minha surpresa, essa semana recebi um e-mail do tal professor dizendo que havia almoçado com seu filho e com o guitarrista do Sepultura e que tinha pedido um autógrafo para mim. Quase não acreditei. Ele escreveu em um guarda-napo do restaurante e mandou me entregar. Aliás, tenho um bom número de autógrafos em guardanapos. Juntamente ele mandou uma foto do Andreas apontando para o tal guardanapo. Achei muito legal o fato da lembrança de minha pessoa e do gesto do guitarrista de atender a um fã que ele nunca viu. O leitor desse texto pode achar que estou exagerando, mas no meio do Heavy Metal existe muito artista que se acha estrela e não tem paciência de atender a aqueles que pagam o seu sustento, ou seja, os fãs.

Vou mandar plastificar esse autógrafo e guardar na coleção, junto com os autógrafos do Angra, da Vera Figueiredo e dos membros do Dorsal Atlântica. Um dia terei também os do Iron Maiden, hehehehehe. Não custa sonhar.
Defenestrado ao som de Arise by Sepultura.
