A profecia (2006)

Só agora consegui assistir a regravação do filme A Profecia (The Omen) lançado originalmente em 1976 com Gregory Peck, Lee Remick e David Warner. Embalado pelas péssimas críticas que o filme obteve na época não me propus a gastar R$ 10,00 para ver a produção no cinema. Mesmo já tendo sido lançado em vídeo a algum tempo nunca me preocupei em alugar o filme, mas como me encontro em época de férias ele entrou no pacotão de filmes do mês de dezembro (farei em breve um review dos filmes assistidos). Meus instintos não me enganaram, pois esse novo filme é apenas um xérox atualizado do clássico de 1976, sem o charme que fizeram do filme original um sucesso.
Na história conhecemos Robert Thorn (Liev Schreiber) que acaba de receber a noticia que seu filho morreu logo após o parto. Para poupar a mulher Katherine (Julia Stiles) do trauma da perda ele aceita adotar um menino que acabara de perder a mãe na maternidade. Criado como seu filho, Damien (Seamus Davey-Fitzpatrick) aparenta ser uma pessoa normal até que estranhos fatos e mortes bizarras começam a cercar o seu cotidiano. Seu pai, levado a investigar os acontecimentos descobre a terrível verdade: que na realidade está criando o filho do demônio.


A história é muito legal e todos os momentos cruciais da produção de 1976 foram descaradamente chupados nessa nova produção. Reside nesse fato o maior problema do filme, pois já sabemos exatamente o que vai acontecer. São poucas as inovações em relação ao original e várias cenas se tornam caricaturas sem emoção quando comparados. Um exemplo de inovação é a pequena introdução quando uma reunião de alta cúpula no Vaticano faz uma analogia dos fatos recentes da humanidade em relação às desgraças contidas no livro das revelações no que diz respeito às sete trombetas do apocalipse. Outra mudança é em relação a Jerusalém. Todo o clima de tensão entre judeus e muçulmanos está presente nas ruas da cidade sagrada. A última novidade é em relação a morte do fotógrafo Keith Jennings (David Thewlis) que é decapitado de uma forma diferente, porém igualmente dolorosa.

No mais, as principais cenas foram recriadas. Claro que ficaram mais bonitas e visualmente mais equilibradas, mas o filme deveria ser um suspense e isso se perde quando você já sabe o que vai acontecer. O empalamento do padre Brennan (Pete Postlethwaite) é idêntico, assim como a morte da primeira babá de Damien. Agora outras coisas pioraram muito. A cena do ataque dos macacos nem merece ser citada, pois ficou um lixo. O encontro com Bugenhagen (Michael Gambon) na cidade de Megido ficou muito mais pobre nessa versão, sem nenhuma explicação e nem a visualização do muro onde se vê a imagem de Damien encarnado como o anticristo. Igualmente pobre é a cena do acidente de Katherine. Embora tenha sido recriada quase igual ao original, inclusive com o vaso de flores caindo antes para dar a noção de perigo, a cena em si ficou comum por dar mais atenção a veracidade do que a dramaticidade que foi usada no filme de 1976. Ponto para Richard Donner (diretor)que soube criar na década de 70 um clássico sem truques digitais, apenas usando os diferentes ângulos de sua câmera.


Depois de analisar tudo eu diria que as únicas coisas boas nessa versão é o pôster do filme, que é muito bom, e a incrível vontade que dá de assistir ao filme original.

- Para quem se interessar é possível comprar a caixa comemorativa de A Profecia clicando aqui.

- A Wikipedia (em inglês, claro) tem um verbete muito legal sobre o assunto, tratando inclusive sobre as variantes da grafia do nome de Damien.

- A Profecia deu origem a uma séries de livros que foram lançados juntamente com os filmes no cinema (os três primeiros) e dois foram lançados sem o acompanhamento cinematográfico, dando continuidade a saga de Damien Thorn.

David Seltzer, The Omen. (Futura, 1976).
Joseph Howard, Damien: Omen II. (Futura, 1978).
Gordon McGill, Omen III: The Final Conflict. (Futura, 1980).
Gordon McGill, Omen IV: Armageddon. (Futura, 1983)
Gordon McGill, Omen V: The Abomination. (Futura, 1985).

As histórias do quarto e quinto livro mostram a ressurreição de Damien, pelo fato dele ter sido apunhalado com apenas uma das sete adagas de Megido no final do terceiro filme. Infelizmente, até hoje, eu só vi o primeiro livro dessa saga publicado no Brasil.

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