Você gosta de filmes de terror? Se a resposta for sim então já deve ter assistido ao filme O Exorcista (The Exorcist, 1973), dirigido por William Friedkin baseado em livro de Willian Peter Blatty. Na história, a pequena Regan Teresa MacNeil (Linda Blair) começa a desenvolver estranhos comportamentos levando sua mãe, a atriz Chris Macneil (Ellen Burstyn), a temer pela estabilidade mental da criança. Com o tempo a pobre Regan começa a afirmar que está possuída pelo demônio. Como a medicina não consegue encontrar motivos para o estado mental da garota só resta a sua mãe procurar a igreja e tentar um exorcismo. Nesse ponto da história conhecemos o padre Damien Karras (Jason Miller), psiquiatra da igreja que tenta encontrar provas de que a menina está realmente possuída ou apenas passando por um grave problema mental. Levado a apoiar o exorcismo mais como um tratamento de choque do que por realmente acreditar na possessão, a igreja envia o padre Lankester Merrin (Max von Sydow), exorcista experiente, que vai enfrentar mais uma vez um velho inimigo.
Pode parecer uma história meio clichê, pois muitos enredos tratam da mesma temática atualmente (um bom filme nessa temática é O Exorcismo de Emily Rose), mas em 1973 a história era surpreendente. O filme fez tamanho sucesso que criou toda a mitologia que temos hoje sobre o assunto mostrando, de maneira competente, o embate entre fé, ciência e descrença. O fato do autor da história ter baseado seu enredo em um fato real, acontecido alguns anos antes causou mais comoção e publicidade para o filme. Mas, por que o exorcista é tão impactante? Como diz o diretor do filme em uma pequena introdução no DVD comemorativo de 25 anos, O Exorcista não é apenas um filme de terror. Ele é um drama psicológico. De uma vida completamente normal, os personagens vão evoluindo para um fim trágico e inevitável, passando para a o expectador um sentimento de fragilidade.
Recentemente assisti a uma exibição do filme para uma platéia de adolescentes. A maioria nunca tinha assistido ao filme e todos estão expostos aos filmes de terror viscerais que hoje abundam no cinema e televisão. Para minha surpresa o impacto do filme de mais de 30 anos causou comoção semelhante a que eu senti na primeira vez que assisti ao filme. Ou seja, uma obra atemporal. Porém, a meu ver, o grande trunfo do filme é realmente a transformação de uma vida normal em um verdadeiro inferno de maneira gradativa sem apelações ou cenas de mal gosto, lembrando muito as melhores obras de Stephen King. O livro que deu origem ao filme possuí algumas passagens um pouco mais pesadas, além de uma caracterização mais profunda dos personagens, mas o filme tem uma narrativa sólida e essas passagens não fazem falta.
O filme gerou mais duas continuações não tão boas. O Exorcista II, O Erege (um filme ruim de doer) e o Exorcista III, que também foi baseado em um romance de Willian Peter Blatty e é uma continuação direta da história do primeiro filme. Além das continuações a obra teve um Prequel (filme que visa contar acontecimentos anteriores a história original) chamado Exorcista: O Início, mostrando o primeiro embate o Padre Lankester Merrin contra o demônio Pazuzu.
O Exorcista foi o primeiro filme de terror a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme. Fora isso foi indicado a mais 10 categorias levando os prêmios de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Som. As outras categorias a que foi indicado são: Melhor Diretor, Melhor Atriz (Ellen Burstyn), Melhor Ator Coadjuvante (Jason Miller), Melhor Atriz Coadjuvante (Linda Blair), Melhor Edição, Melhor Fotografia e Melhor Edição de Arte.
Assim como Poltergeist (1982) o filme também deu inicio a várias lendas e momentos de muito azar para os participantes do elenco e equipe técnica, dando ao filme a fama de produção maldita. para quem se interessa por essas curiosidades o site da revista Mundo Estranho selecionou As 13 Maldições de O exorcista.
Para quem nunca assistiu ao filme, compre aqui a sua cópia.

