Percy Jackson e o Ladrão de Raios – O filme
Escrevi recentemente aqui no blog a minha fascinação pelo livro Percy Jackson e o Ladrão de Raios. O atrativo principal para mim foi o fato da história versar sobre a Mitologia Grega, uma de minhas paixões. O pior, ou melhor, é que descobri o livro através dos trailers sobre o filme que estavam circulando no cinema e internet. Por um acaso, consegui comprar o livro antes de assistir o filme. A história é extremamente simples, fácil de ser assimilada e muito divertida. Livro escrito para adolescente (dos 12 aos 16 anos) sem complicação ou enredos intrincados.
Gostei muito do livro, e recentemente me dirigi ao cinema para ver sua adaptação cinematográfica. Antes que eu continue falando, gostaria de avisar tanto a quem não leu o livro ou viu o filme, que vou revelar partes importantes do enredo, então não adianta reclamar depois se você decidir continuar lendo o texto. Bem, então voltemos ao filme. A adaptação foi dirigida por Chris Columbus, o mesmo cara que levou aos cinemas o primeiro filme do Harry Potter. Então estava esperando algo no mínimo grandioso para essa produção. Infelizmente, o filme é muito ruim.
E o pior é que o filme é ruim tanto para quem leu o livro quanto para quem nunca ouviu falar da história. Para quem não conhecia o enredo, o que encontramos é um filme onde os personagens ficam correndo de um lado para o outro sem muita convicção do que estão fazendo. O protagonista principal, Logan Lerman (que está cotado para ser o próximo Homem-Aranha) é um ator de uma única expressão facial. Em nenhum momento o filme é divertido ou emocionante, ou seja, mais uma produção esquecível do cinema americano. E olha que nem a participação de grandes atores como Sean Bean (Zeus), Pierce Brosnan (Chiron), Uma Thurman (Medusa) ou Rosario Dawson (Perséfone) foram capazes de levantar o moral desse filme. Para falar a verdade, só a presença de Kevin McKidd (Poseidon) me animou nesse filme. Para quem não conhece, ele interpretou o Centurião Lucius Vorenus na minissérie Roma. Por conta desse papel, toda vez que penso em um personagem com panca de macho eu lembro do ator. Ele daria um ótimo protagonista para uma possível filmagem do livro A Batalha do Apocalipse.
Voltando ao Percy Jackson, o filme se torna mais vergonhoso para quem é fã do livro. A história que já era simples no livro foi muito mais simplificada no filme. Para começar, no livro é engraçada a forma como os Olimpianos se adaptaram ao mundo moderno para continuarem relevantes. No filme isso não existe. Grande parte do mistério sobre qual Deus era pai de Percy também não foi mostrada na película, destruindo assim o motivo básico pelo qual Zeus o acusava de ter roubado o seu Raio. Porém, três pontos principais são vergonhosos. Em primeiro lugar, no livro eles são enviados para essa missão por Chiron e precisam encontrar uma maneira de penetrar nos domínios de Hades. No filme eles fogem escondidos e toda trama se desenrola pela busca de três pérolas que no livro não possuem quase nenhuma importância. Em segundo, transformar o Submundo Grego em uma representação do inferno cristão é destruir toda a riqueza da mitologia. Porém, o pior foi dar a Hades a aparência de um cantor de rock de terceira idade. No livro temos uma verdadeira representação do que seria o Submundo Grego e Hades aparece em toda a sua imponência. Nada da interpretação abobalhada e cômica do filme. E, por último, o filme coloca como vilão principal um zé ninguém que não tinha motivo algum para desencadear a crise. O vilão do livro, o todo poderoso Titã Cronos, nem é citado no filme.
E por último, mas não menos importante, não foram mostrados a quantidade enorme de personagens secundários que aparecem no livro. Tudo bem, eu sei que isso é impossível em uma adaptação cinematográfica, mas não ver Dionísio, Caronte e Cérbero foi frustrante, pois eram bons alívios cômicos da história. Agora, tirar Ares, o Deus da Guerra, foi horrível, pois ele era um personagem importante na trama e responsável pela melhor batalha de espadas do livro. Ao contrário disso, tivemos o aumento do papel da Medusa na história, e a participação de Perséfone, que no livro só é citada. Enfim, se você não gostou do filme, eu peço que você de uma chance ao livro. É muito mais rico e divertido de ser apreciado.

