Live Afther Death

Domingo é um dia bacana para mim. Costumo ficar sozinho em casa e coloco em dia minhas atividades cinéfilas e musicais. Domingo é dia de recordar grandes discos do passado e passar a limpo as novidades que aparecem dentro do meio do Rock e Heavy Metal. Como a maioria dos blogs ficam meio parados no fim de semana e eu estou com tempo livre resolvi trazer a cada domingo um grande disco das vertentes musicais que mais gosto.
Hoje iniciei o dia ouvindo aquele que deve ser o disco ao vivo mais bem feito da história e sei que muitos não vão concordar comigo a respeito dessa afirmação. Live After Death foi gravado pelos ingleses do Iron Maiden em duas apresentações na Long Beach Arena (Estados Unidos) em 1985 (já se vão 22 anos). Esse foi o primeiro álbum ao vivo da banda e foi lançado no momento em que os ingleses atingiam o máximo de sua popularidade.
Muitos não gostam de discos ao vivo. Eu adoro. São nessas produções que podemos ver se a banda realmente é boa (quem sabe faz ao vivo, hehe) e sentir toda a energia e carisma das apresentações. Ter um álbum gravado em algum show já é expediente usado por todas as bandas de rock da atualidade, mas muitos se utilizam de técnicas de retoques nas músicas para eliminar defeitos, erros e, às vezes, refazer vozes de vocalistas que não tem fôlego para cantar ao vivo (Evanescence, Edguy, Ozzy Osbourne e Guns’n Roses são alguns exemplos dessa prática). Mas, alguns encaram a gravação de forma crua e mostram que são grandes não apenas nas vendagens de discos, mas que seus shows são espetáculos únicos que valem a pena serem apreciados (Kiss, AC/DC, Deep Purplee, Blind Guardian, para citar alguns).
Em Live After Death o Maiden nos mostra o que de melhor produziu em seus 5 primeiros álbuns, mas com preferência para os três últimos, que foram gravados por Bruce Dickinson que substituiu Paul Di’Anno nos vocais em 1983. Não existe muito sobre o que dizer sobre esse disco a não ser que ele é perfeito. Bruce Dickinson (vocais), Steve Harris (baixo), Dave Murray (guitarra), Adrian Smith (guitarra) e Nicko McBrain (bateria) destilam garra, vontade e talento na execução das 13 músicas desse disco (dependendo da versão do CD são mais músicas) e levam a multidão ao delírio.
O show começa com a execução de uma pequena parte de um discurso de Winston Churchill (primeiro ministro da Inglaterra durante a 2º Guerra Mundial) e logo depois entram os primeiros acordes de Aces High (música que homenageia os pilotos britânicos que lutaram durante a 2º Guerra) e segue demonstrando a grande galeria de músicas da banda e que hoje são todas clássicos do rock. Mas, podemos destacar a belíssima Revelations (com citações de versos de G. K. Chesterton), a longa Rime of the Ancient Mariner (13 minutos) e toda a parte final do show composta pelas músicas Hallowed By thy Name, Iron Maiden, Run to the Hills e Running Free. Um detalhe interessante é a presença de um antigo hábito das bandas de heavy metal da década de 80. Em determinada música a banda fica executando apenas a base instrumental enquanto o vocalista faz um discurso e algumas brincadeiras com a platéia. Mas, era necessário muito carisma e talento para esse expediente dar certo e poucas bandas tiveram sucesso com essa prática (o Helloween com Michael Kiske nos vocais era muito bom com isso também). No caso do Maiden a música escolhida nesse show foi Running Free.
Diversas Versões
O problema desse disco é que ele saiu em diversas versões no Brasil. Quando foi lançado em vinil em 1985 ele possuía 5 músicas bônus (Wrathchild, 22 Acacia Avenue, Children of the Damned, Die With your Boots on e Phanton of the Opera) que apareciam como o lado B do segundo LP. No lançamento em CD no começo da década de 90 essa cinco músicas não faziam parte do disco e a música Running Free tinha sido editada para poder caber no CD de 74 minutos (retiraram o discurso). Alguns anos mais tarde todos os discos do Maiden foram lançados em formato duplo contendo um CD bônus com as músicas dos singles lançados na Inglaterra. Essa versão de Live After Death não continha as cinco músicas bônus do LP, mas outras três que nunca tinham sido lançadas no Brasil (Sanctuary, Losfer Words e Murders in the Rue Morgue). Recentemente uma nova versão trouxe o disco da mesma maneira que fora lançado em vinil (com as 18 musicas) e a música Running Free sem cortes, além de alguns vídeos para CD-Rom.
Vídeo
Existe um vídeo oficial desse show que nunca chegou a ser reeditado em DVD. O vídeo mostra a apresentação principal, sem as músicas extras, e trás como bônus apenas Sanctuary executada ao final da apresentação. A alguns anos a editora DT lançou esse vídeo de forma pirata nas bancas de jornal, mas recolheu rapidamente todas as cópias quando a EMI ameaçou processá-los. A qualidade desse DVD é abaixo da média, mas dá para assistir sem problemas.
Se você conhece o Iron Maiden apenas pelos últimos trabalhos da banda não sabe o que está perdendo. Corra até a loja de CDs mais próxima e compre seu exemplar desse verdadeiro clássico.
P.S. - Não podemos nos esquecer da magnífica capa do disco desenhada por Derek Riggs e que contém inúmeras características que se tornaram marcas registradas da banda durante a década de 80.
P.S.2 - Na capa do disco existe uma lapide de cemitério onde se vê escrito uma frase do escritor H.P. Lovecraft. É a mesma frase que está escrita logo abaixo do título desse blog.
P.S.3 - Assista ao inicio do show abaixo.
Prezado Gilson;
Mutio boa sua resenha sobre o Iron Maiden! Muito embora eu não curta essa banda valeu o post!
Oi Gilson!
Cara, Iron Maiden, eu adoro os clipes. É muito bom!
Abs
Esse LP foi o responsável pela minha conversão ao Maidenismo (com uma ajudinha de Afraid to Shoot Strangers do Fear Of The Dark). É uma verdadeira coleção de clássicos. Pra quem tá iniciando é o melhor do heavy metal direto na veia.
Um amigo meu tem o DVD, sou doido pra ver mas ele não me empresta nem a pau. Não empresta pra ninguem.

Quanto aos albuns ao vivo. Antigamente eu não gostava. Mas aprendi a gostar porque aprendi que são versões diferentes da mesma música e servem pra variar um pouquinho enquanto não sai nada novo … hehehehe
Iron Maiden é o q há !!!!
Legal a resenha!
Mas, o primeiro registro ao vivo do Maiden foi o álbum Maide Japan, ainda com Paul D’Ianno.
Caro Carpev, obrigado pela visita e pelo comentário, mas quando me refiro a primeiro álbum ao vivo gravado pela trupe de Steve Harris, quiz dizer sobre álbuns oficiais. Made in Japan foi lançado como um single e teve uma versão completa apenas lançada no Japão. Nuca consegui comprar essa versão especial. A minha tem apenas 5 músicas. Até a Wikipédia coloca o Live After Death como primeiro disco ao vivo da banda.
Ola, O show do Rock in Rio de 85 está com aimagem subindo e descendo? Ainda não vi ninguem reclamar e o meu ta assim em quase todo show …
Abs!