So be it…Jedi

Trinta anos atrás um jovem cineasta procurava um estúdio com coragem para produzir um épico espacial. Com um roteiro gigantesco em mãos (que dariam mais de 6 horas de filme) ele bateu de porta em porta, mas somente a 20th Century Fox decidiu lhe estender a mão depois que o roteiro foi enxugado e dividido em seis capítulos, ou duas trilogias. O jovem cineasta sabia que a segunda parte de sua história era muito mais emocionante e com muito mais apelo junto ao publico então, em uma decisão que para muitos era estranha, o primeiro a ser filmado foi o episódio IV. Como nem o estúdio acreditava em um sucesso estrondoso da história, todos os direitos do filme e dos personagens foram deixados com seu criador. Essa pode ser considerada uma das piores decisões da história do cinema.
O filme em questão é Star Wars que estreou em 1977 com o episódio IV (A New Hope) e gerou mais cinco continuações que, junto com o merchandising da franquia, já rendeu mais de 20 Bilhões de dólares para seu criador George Lucas. Mas, por que o filme cativou e cativa tanto às pessoas? Quando George Lucas tinha 23 anos ele começou a ler a obra de Joseph Campbell, uma das maiores autoridades do século passado em mitologia. Campbell, seguidor de Carl Jung, trabalhava com a teoria dos Arquétipos do Inconsciente Coletivo. A referida teoria diz que todos nós temos resquícios de signos em nosso inconsciente provenientes de uma primeira civilização existente nos primórdios da humanidade. Isto explicaria, por exemplo, como aspectos mitológicos e culturais similares se desenvolveram em diferentes civilizações em partes distantes do mundo. O mito do vampiro exemplifica bem isto. A figura do predador humano que bebe sangue existe em diferentes culturas que não possuíam vinculo algum entre si.

Lucas aprendeu muito bem a lição e recheou sua saga intergaláctica com alguns dos mais fortes mitos da humanidade. Temos o herói, o vilão, o mercenário,a princesa, o velho sábio e muito misticismo. A interpretação que os Jedi fazem da Força é uma mescla da maneira como várias religiões interpretam a vida. Desde o budismo até o catolicismo um pouco de tudo está presente.
Porém, não se trata de uma história onde o bem e o mal fiquem bem definidos. Mesmo que no começo tudo pareça simples com o vilão vestindo preto e o mocinho trajando branco,essas nuances vão se diluindo ao longo da trilogia. Como tudo na vida notamos que não é uma questão de bem e mal e sim de opiniões diferentes. Enquanto os Jedi se baseiam na calma e meditação, os Sith adquirem seu poder da emoção e da raiva. E ambos querem apenas que a Galáxia seja moldada a partir da sua visão de mundo. O que Darth Vader quer é dar ordem ao Universo, mesmo que para isso precise usar de métodos violentos. Mesmo que essa característica fique clara a história nos leva a ter uma certa empatia pela causa rebelde.

Escrevi esse pequeno texto para salientar que finalmente comprei os episódios clássicos da primeira trilogia. Isso estava me remoendo a muito tempo, afinal me sentia como um católico que não possuía a bíblia, mas agora tudo está resolvido. Decidi-me a comprar os filmes depois de assistir os divertidos episódios da sátira Chad Vader, que já tem seis episódios disponíveis no Youtube. Como a adaptação é muito bem feita fiquei com muita vontade de rever os filmes clássicos e, como meu amigo Kadu não quis me emprestar os dele, fui obrigado a comprar, hehe (desculpa esfarrapada, eu sei).
Os DVDs que comprei fazem parte de uma série limitada que foi lançada contendo dois discos. No primeiro temos o filme remasterizado e com algumas mudanças que foram inseridas para o relançamento em cinema em 1997 quando a saga completou 20 anos. O segundo disco (que é o melhor) trás o filme em sua versão original e sem nenhuma mudança. Nessa versão Han Solo atira primeiro. Para quem não conhece (se você esteve abduzido durante os últimos 30 anos) aqui vai uma pequena palhinha dos filmes.

Star Wars IV - A New Hope (1977) - “Há muito tempo atrás, em uma galáxia muito distante”. É assim que se inicia o filme antes que os letreiros iniciais nos expliquem que a galáxia está em guerra. Ficamos sabendo da luta de uma pequena armada rebelde contra o poderoso império estelar. Todos os personagens principais são apresentados nesse primeiro episódio, onde o objetivo dos rebeldes é destruir a estação espacial Estrela da Morte que possuí poder de fogo para aniquilar um planeta inteiro. Destaque para Darth Vader, o vilão mais carismático e querido da história do cinema.
Star Wars V - The Impire Strikes Back (1980) - É o episódio mais dark da trilogia. Nele vemos a Aliança Rebelde fugindo e se escondendo do Império. Destaque para a interpretação que Yoda faz da Força e a incrível revelação no final do filme.
Star Wars VI - The Returne of the Jedi (1983) - Se o segundo episódio foi dark esse se caracteriza como o mais light da série. Embora tenhamos uma grandiosa batalha estelar e o duelo de sabres de luz mais bacana dessa trilogia, também temos a presença dos malditos Ewoks. Tudo isso para poder vender mais bonequinhos. Destaque para a redenção de Darth Vader, o cara mais f**a da galáxia (até mais que Chuck Norris).

Agora só falta esperar um box comemorativo da nova trilogia recheado de extras para que a Saga de Anakin Skywalker (vocês pensavam que o filme era sobre o bobo do Luke?) esteja completa em minha estante.
Que a força esteja com vocês.
Gilson, no House ela estava pior. Lógico que a gent enãoquer que a pessoa esteja zero km, mas ela podia se cuidar mais. A Lara Flynn Boyle está bem melhor. Abs
Baita artigo legal, parabéns!
Assisti ano passado no Discovery um documentário maravilhoso sobre o George Lucas e o Star Wars. Ele comentou muito sobre os arquétipos, Joseph Campbell e Jung. Muito bom!
Tenho esses dvds, mas na versão da emule pictures, sou muito mão-fechada para comprar esses boxes. A questão da mitologia saiu até uma matéria bem legal na Superinteressante, anos atrás, comparando com personagens da mitologia grega. Não conhecia o Chad Vader, estou esperando rodar inteiro para depois dar um replay e não ter que esperar o buffer. [offtopic]Se fizer mesmo umas fotos naquele estilo, não esqueça do amigo para divulgar na japinha da semana, com os devidos créditos…
Gilson
Gostei da resenha!
MAs continuo aguardando a sua resenha sobre os “300″ de Esparta hein?
Abçs
Gilson, eu adoro em Star Wars o lado negro da força , mas acho o Hayden Christenssen muito ruim. Desculpe, mas não sei escrever o nome dele. Abs
Gostei das curiosidades, não sabia a maior parte delas.
Abração