Vocês já ouviram falar da síndrome do espelho? Ela acontece quando olhamos para nosso reflexo e não gostamos do que vemos. Geralmente está associada a uma baixa auto-estima e acontece muito com adolescentes e adultos que estão descontentes com o próprio peso. Aliás, a questão da tirania da estética aflige milhares de pessoas no mundo e movimenta milhões de dólares em uma industria que promete o impossível: Perder peso sem sofrimento.

Infelizmente meus caros gordinhos e gordinhas, perder peso não é fácil e nem pode ser feito sem sofrimento. Desconfie de toda e qualquer formula mágica de emagrecimento, pois fatalmente ela vai enganar você de uma maneira ou de outra. Os charlatães que vendem esses produtos na televisão mostram depoimentos de pessoas que perderam entre 5 e 7 quilos nas primeiras semanas de tratamento. Oras, isso é fácil. Ao parar de ingerir carboidratos e realizando um mínimo de exercícios a média de 5 quilos é perdida rapidamente. O difícil é continuar perdendo peso e impedir que ele volte.

Tenho uma teoria de que todo gordo é um depressivo. O problema não é orgânico e sim psicológico, excetuando aquela pequena parcela da população que tem problemas nas glândulas hormonais. Os obesos comem por ansiedade e não por fome. Vencer essa ansiedade deveria ser a principal meta a ser atingida, pois o resto viria como prêmio, mas a causa dos problemas nunca é levantada. E quando sugerimos que um psicólogo seja procurado as pessoas ficam ofendidas dizendo que não são loucas. Ao invés disso preferem acreditar nos magos da TV onde perder peso sem sofrimento é uma realidade. Pobres ignorantes.

Estou escrevendo essas linhas por conta de um episódio que me aconteceu essa noite. Meu irmão é uma das milhares de pessoas que procuram diariamente um médico para poder perder peso. Mas, em vez de trabalhar uma boa educação alimentar e uma rotina de exercícios ele preferiu acreditar em uma saída fácil e passou a tomar um supressor de apetite. No Brasil (país porco do 5º mundo) 99% dos supressores de apetite são feitos a base de anfetaminas. Essa substância, que é terminantemente proibida em todo o mundo civilizado, “age estimulando o sistema nervoso central através de uma intensificação da noradrenalina, um neuro-hormônio que ativa partes do sistema nervoso simpático. Efeitos semelhantes aos produzidos pela adrenalina no cérebro são causados pelas anfetaminas, levando o coração e os sistemas orgânicos a funcionarem em alta velocidade. Resultado: o batimento cardíaco é acelerado e a pressão sanguínea sobe bastante. Ao agir sobre os centros de controle do hipotálamo, ao mesmo tempo em que reduz a atividade gastrintestinal, a droga inibe o apetite e seu efeito pode durar de 4 a 14 horas, dependendo da dosagem.”

Além disso alguns efeitos da droga são listados a seguir: “A anfetamina é rapidamente assimilada pela corrente sanguínea e, logo depois de ser ingerida, provoca arrepios seguidos de sentimentos de confiança e presunção. As pupilas dilatam, a respiração torna-se ofegante, o coração bate freneticamente e a fala fica atropelada. Em seguida, o usuário da droga pode entrar em estado de euforia e elevação, enquanto seu corpo se agita com uma intensa liberação de energia. Quando essa energia se extingue, o efeito começa a declinar, sendo substituído por inquietação, nervosismo e agitação, passando à fadiga, paranóia e depressão. Esgotadas as sensações da droga, o abuso leva geralmente a dores de cabeça, palpitações, dispersividade e confusão. Como o efeito é pouco duradouro e termina em depressão, o usuário é levado a tomar doses sucessivas, que vão aumentando na quantidade de anfetamina ingerida à medida que o organismo vai se habituando à droga. O ciclo de abuso e dependência pode criar uma reação tóxica no organismo, conhecida como psicose anfetamínica, que pode durar até algumas semanas, com irritabilidade, insônia, alucinações e até a morte em casos extremos. Os sonhos de quem abusa de anfetaminas são perturbados e interrompidos, e seu sono é pouco reparador.”

Por conta dessas características a droga foi largamente utilizada na Segunda Guerra Mundial (por ambos os lados) e na Guerra da Coréia (pelos Estados Unidos) para manter os combatentes sempre alertas e prontos para a batalha. Essa noite eu pude presenciar um surto psicótico anfetamínico. Meu irmão , inadvertidamente, saiu com alguns amigos e tomou bebida alcoólica. A reação com a droga no corpo não tardou a se manifestar. Ele teve alucinações (gritava com alguém que não existia), amnésia (não lembrava quem era e nem reconhecia ninguém), agressividade (ameaçou matar todo mundo) e teve que ser encaminhado a emergência onde teve que ficar amarrado e sedado por uma noite inteira. Fui acordado às três da manhã com um carro da polícia em minha porta. Tamanho era o estado de paranóia e agressividade que foram necessários 5 policiais para dominá-lo e encaminhá-lo algemado ao hospital.

Quando cheguei a emergência ele estava amarrado e urrava como um animal dizendo que iria matar todo mundo. Estava com alguns arranhões pela briga com os policiais e com os olhos muito queimados por conta do spray de pimenta que usaram. Não culpo os policiais, pois ele trabalha como segurança e tem treinamento em luta e defesa pessoal, além de ser forte como um touro. Mas, agora passou. Ele está bem melhor e vai ser liberado depois de uma avaliação psiquiátrica.

Não estou contando essa história aqui porque ela é triste, mas sim como um aviso a você que quer perder peso sem sofrer. Privação de comida para um obeso abalado psicologicamente equivale a retirar a única fonte de prazer de sua vida. Sei que é difícil, mas não existem soluções mágicas. Procure acompanhamento médico sério (clínico geral, nutricionista, psicólogo e médico esportivo) e perca peso com calma, mantendo sua saúde.

Para quem pensar que para mim é fácil falar fiquem sabendo que também sou obeso. Nunca em minha vida adulta tive menos de 100 quilos de peso. Então eu sei um pouco sobre o que estou falando.

As partes em itálico foram retiradas desse verbete da Wikipédia.