Depois de conseguir emplacar um livro entre os mais vendidos do Brasil (um dia temos que descobrir quem é o verdadeiro autor da obra), agora Raquel Pacheco, conhecida também pela alcunha de Bruna Surfistinha, vai ganhar as telas do cinema em uma cine biografia.

A produção vai contar com a direção de Marcus Baldini e o roteiro é fruto de uma parceria entre Karin Ainouz (Madame Satã) e Antônia Pellegrino. O filme tem por objetivo contar a história da garotinha rica que fugiu de casa depois de uma briga com a mamãe para se tornar uma prostituta de luxo. Na reportagem publicada pela Folha On Line, ficamos sabendo que as cenas de sexo e drogas serão atenuadas para que o filme seja classificado para maiores de 16 anos, pois Surfistinha tem um grande apelo entre o público Teen (a juventude precisa mesmo de ídolos para se espelhar). Outro problema é que ainda não foi encontrada uma atriz para viver Raquel Pacheco no cinema (essa é fácil. É só pegar alguém feia e sem sal).

Por mim tudo bem. Seria apenas mais um filme nacional que não me chama a atenção. Mas, o detalhe é que o filme vai ser feito com o meu e o seu dinheiro. A produção, que não teve o valor total divulgado, vai contar com R$ 263.000,00 dos cofres públicos. O filme foi aprovado como projeto cultural e vai poder captar recursos provenientes de imposto de renda de empresas. Ou seja, mais uma produção patrocinada pela Petrobras e pelo Bar do Joaquim.

A meu ver existe alguma coisa errada com o cinema nacional. Bem, primeiramente ele não existe. O cinema enquanto indústria não consegue se manter. Se não fosse o governo injetando recursos provenientes de impostos nenhum filme nacional sairia do papel. Mas, temos que impor limites nessa lambança. Existem produções culturais e produções comerciais. Se um diretor recém formado em uma faculdade de cinema tem um projeto revolucionário, porém não comercial, pode e deve ter apoio do Ministério da Cultura para realização de sua produção. Depois essa obra deveria percorrer o Brasil em circuitos culturais de exibição gratuita. Mas, o que temos hoje, é que qualquer filminho com histórias bobas e apelos comerciais pode ser financiado pelo governo e depois entram em circuito nacional.

Será que é por falta de qualidade do cinema nacional??? Não, é por falta de empresas sérias no setor. Existem países onde a indústria do cinema é levada a sério. Produções culturais e comerciais coexistem no mesmo espaço e todas geram lucro, realimentando o ciclo de produção de filmes. A China produz filmes há décadas e hoje tem uma indústria internacional, aonde as principais produções chegam a todos os cinemas do mundo. A França tem o orgulho de ser o único país ocidental do mundo onde as produções nacionais são mais vistas do que os filmes americanos. A Índia está se tornando uma potência cinematográfica tendo como público apenas os próprios indianos. Estes são exemplos de lugares que conseguiram resultados positivos, com inventividade, criatividade, boas histórias e orçamentos humildes.

Enquanto utilizarmos o dinheiro público para produzir filmes ridículos em vez de nos preocuparmos em fundar os alicerces de uma indústria cinematográfica séria, ainda teremos filmes como o de Bruna Surfistinha sendo produzidos com dinheiro que deveria ser utilizado para o bem coletivo.

P.S. – Poderiam produzir um filme com a Madame Bela também. Garanto que seria mais divertido e humorado, além dela ser muito mais bonita.

P.S.2 – Para quem ficou curioso sobre dotes artísticos de Bruna Surfistinha, ainda existem cópias de suas incursões cinematográficas a venda. Clique aqui e veja como adquirir esse clássico do cinema nacional (nem em vídeo pornô a mulher se sai bem).