
Ontem a noite, aceitando o convite de um fotógrafo membro do Fotoclube Massuo Aoki, fui fazer propaganda do grupo no curso de jornalismo de uma Universidade local onde ele é professor. Como não quis ir sozinho, arrastei meu amigo Kadu junto. Depois de passar por quase todas as salas dando o recado, nos dirigimos até a classe onde esse meu amigo estava dando aula e acabamos assistindo ao final de um seminário que tinha como tema os fotógrafos de guerra.
O que poderia ser interessante se mostrou uma experiência constrangedora. A sala deveria ter no máximo 6 alunos e todos participavam do mesmo grupo. Conforme os membros do grupo foram se revezando na apresentação ficou evidente todas as deficiências da galera: erros gramaticais, nenhuma postura, total falta de informação e apresentação de um material muito pobre. Alunos da quarta série do ensino fundamental em uma escola de periferia apresentariam melhor aquele seminário. Para começar todos leram o texto demonstrando total falta de domínio da informação. Alguns não sabiam pronunciar termos em inglês que são fundamentais para o jornalismo e nem o nome de grandes fotógrafos (uma das meninas tentou várias vezes e não conseguiu pronunciar o nome de Cartier Bresson de maneira correta). Outra coisa que me chamou a atenção e a completa falta de conhecimento de como usar recursos audiovisuais. Em determinado momento uma das alunas apresentou uma transparência (mesmo tendo a disposição um computador e um projetor multimídia) onde tentou-se reproduzir uma capa da revista Veja. Ela tentou porque a fotocópia estava tão ruim que provavelmente foi feita no boteco do seu Manuel em uma máquina sem toner.
O kadu até pensou que a galera que estava lá era do primeiro termo, o que explicaria tamanha precariedade da apresentação, mas depois ficamos sabendo que a turma já estava no 6º termo, ou seja, já está às portas da formatura. Isso me faz pensar em alguns aspectos do ensino superior brasileiro. A dita Universidade onde eles fazem o curso é daquelas que vende diplomas como se fosse um bancão da feira livre. Se você tem dinheiro e paga as mensalidades em dia ta tudo certo, é só pegar o diploma daqui 3 ou 4 anos. Tudo isso se tornou um enorme comércio onde a qualificação é vendida sem a respectiva competência.
Já tive amigos que deram aulas nesse tipo de instituição e um padrão sempre se repete. Com o barateamento do ensino superior nos cursos mais básicos (administração, direito, licenciaturas e até jornalismo) muitas pessoas que não tiveram a chance de estudar na época certa estão se aventurando na Universidade. Porém, são pessoas que já possuem responsabilidades familiares e tem que trabalhar o dia inteiro e depois estudar a noite. O que acontece é que 90% desse pessoal não consegue levar uma vida universitária normal, pois não tem tempo para ler os livros especificados e fazer todos os trabalhos necessários. Para não perder o cliente as Universidades fazem um ensino light onde o professor é orientado a não exigir muito (ou quase nada) do aluno.
Em outros casos os alunos são em sua maioria filhos de gente rica que não tiveram a competência de entrar em uma Universidade Pública e os pais compram o diploma. Como o fedelho sabe que vai ter o diploma de qualquer jeito então a universidade se torna uma enorme festa de 4 anos. Sei que existem instituições particulares com qualidade e excelência de ensino, mas a maioria segue por esse caminho de distribuição de diplomas. Tal efeito já pode ser sentido no mercado de trabalho onde o fato de ter um curso superior não significa mais muita coisa. O que é cobrado agora é onde você fez o seu curso superior.
Update 010/07 – Por motivos de força maior a foto desse post foi substituída por outra de domínio público.
Você esqueceu do diálogo:
Ser Estúpido – Este jornalista também foi indicado ao prêmio pu… pu… puli…
Professor – Prêmio Pulitzer
Ser Estúpido – Isso este aí mesmo, aí professor… meu inglês é péssimo!!
Eu – …
Outro dia estava assistindo uma reportagem que dizia exatamente o contrário. Quem está invadindo as universidades particulares são os alunos de baixa renda que não tem um ensino fundamental e médio de qualidade. Com isso, não tendo capacidade para concorrer ao vestibular de uma UNESP, USP ou UNICAMP, sobram apenas a opção de comprar um certificado em alguma particular porca por aí.
Lembra que você comentou sobre o fato da nota de corte ter subido da época que você prestou o vestibular pela primeira vez comparado com a última? Esta é a realidade, alunos das escolas particulares invadindo as públicas, elevando a nota de corte e excluindo os pobres (literalmente) coitados.
Gilson
Isso é a mais pura realidade! Estudei na UniverCidade aqui do Rio de Janeiro e testemunhei exatamente o que vc está comentando aqui…
meu caro amigo … sempre causando … saudades de ti meu caro …
E tem um agravante: 90% dos jovens que não sabem o que fazer escolhem jornalismo. E aí rolam casos como o da escola base e ninguém entende o porquê. Eu escondo o meu diploma de jornalismo, na boa…
A educação vai de mal a pior com tendência a não recuperação.
Basta dizer que os anos 80 – a década perdida, está desovando seus filhos na universidade agora.
É, “os pior” estão invadindo.
Triste sina… êta brasilzão !
que coisa triste. A minha era particular, mas era limpinha, sabe. Até conceito A tem. Mas tem cada coisa por ai!!!!
Abs
Seu texto me fez repensar um antigo sonho, de virar professor universitário. Não me sentiria à vontade em um ambiente desses – e é curioso saber que os alunos também não sentem remorso algum em serem tão incompetentes. E você tem toda razão, Gilson: o mercado de trabalho tá cheio de perebas, muitos deles em cargos de chefia. E vamo que vamo…
Olá Lorenti!
Li sua narrativa e por isso estou entrando em contato, pois a foto utilizada para ilustrar sua experiência é da Faculdade onde sou coordenadora do Curso de Jornalismo. A foto em questão é do projeto de jornalismo que está sendo desenvolvido há quatro anos. O projeto UDC Notícias atende ao processo de formação acadêmica dos futuros jornalistas.
A imagem não é da instituição onde o senhor afirma ter sido convidado para participar da palestra, por isso peço a gentiliza de suprimir a foto, por considerar que como fotógrafo o senhor pode mensurar a força da imagem, seja ela negativa ou positiva.
Neste mesmo contato aproveito para convidá-lo para nos visitar aqui em Foz do Iguaçu na União Dinâmica de Faculdades Cataratas – UDC.
Sem mais para o momento, Sônia Inês Vendrame.