O Príncipe das Trevas está de volta. Depois de vários anos sem um disco novo saindo do forno o senhor comedor de pombos e morcegos tem novamente seu nome na mídia e um disco no topo das paradas de sucesso americana. Para quem não conhece o Madman ou o viu apenas como o pai de família apalermado com filhos bizarros na série televisiva The Osbourns, pode parecer um exagero todos os adjetivos que coloquei nesse parágrafo. Mas, Ozzy é o artista mais importante que temos dentro da linha Heavy Metal. Nem tanto pelo talento, mas por todo uma imagem dentro do imaginário dos fãs de música. Ozzy foi construído dentro de um poderoso esquema de marketing planejado e executado por sua esposa e empresária Sharon Osbourne.

Ozzy não tem uma voz tecnicamente perfeita, mas com um timbre marcante e cativante. Mesmo o Black Sabbath tendo produzido álbuns incríveis após ele ter sido expulso do conjunto, é sempre da fase Ozzy que os fãs lembram. Na carreira solo produziu um estupendo álbum de estréia, com alguns discos regulares logo depois e outros bem capengas até o lançamento do megaplatinado e excelente No More Tears. Depois disso sua estrela se apagou novamente. Agora ele nos entrega esse novo disco, Black Rain, com a promessa de voltar ao topo.

Algumas entrevistas durante a produção do disco deram conta de que ele estava de volta a velha forma. As músicas estavam todas alinhadas com a melhor fase do cantor e que ele tinha voltado a sentir a felicidade de ser um artista de rock. Com essas declarações os alarmes se acenderam: estaríamos na presença de um novo No More Tears??? Foi o que pensei, e o que tornou a minha espera por esse disco tão angustiante. Mesmo com todas suas limitações, sou um grande fã de Ozzy.

Depois de ter o disco em mãos e ouvir várias vezes seguidas (a primeira impressão não conta nessas horas), só posso dizer que não foi dessa vez. O disco é bom??? Sim, muito bom, mas não cumpre a promessa de ser excelente. A voz está lá de maneira impecável (cantar em estúdio nunca foi problema para ele. Ao vivo é que a coisa pega), e acompanhado pelo todo poderoso guitarrista Zakk Wylde, o rei das seis cordas. O som é pesado e as letras cativantes, mas um detalhe me incomodou muito. O disco pende muito para o que vem sendo produzido como rock nos Estados Unidos e todos sabem que americano (com exceção de algumas bandas de Thrash) não sabem fazer rock. Fica tudo muito puxado para aqueles experimentalismos, batidinhas estranhas, timbres graves e uma sensação de que estou ouvindo algo voltado para o (arghh) New Metal.

Dentro do disco eu destaco a violenta I Don’t Wanna Stop (muito bacana), a quase Rock And Roll Trap Door (se o disco inteiro fosse assim), a destruidora Civilize the Universe e as duas baladinhas melacueca (hehe gosto de baladas) Here for You e Lay Your World on Me (essa é de fazer chorar). As faixas restantes (metade do cd) eu não colocaria em uma coletânea e nem tenho muita vontade de ouvir. Respeito muito o senhor Madman, mas não vou falar bem desse disco como alguns críticos brasileiros só porque o cara é importante.

No geral é um disco mediano e curto. Tem 10 músicas em um total de 46 minutos. Lembra muito a duração dos antigos discos de vinil, mas naquela época essa duração era delimitada pelo tamanho da mídia e a galera só colocava as melhores músicas no lançamento. Esse não é o caso aqui.

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