Especial Dia Mundial do Rock

Em 1986 um clássico do cinema tranqueira americano chegava até as prateleiras das video locadoras brasileiras. O filme Heavy Metal do Horror (Trick or Treat, 1986), mostrava a vida do adolescente Eddie Weinbauer (Marc Price), que sofria preconceitos e perseguições por parte de seus colegas de escola pelo simples fato de gostar do inocente e singelo Heavy Metal. A única coisa que torna sua vida suportável é ouvir a musica do hipermegaboga (desculpa pessoal do Jovem Nerd) roqueiro Sammi Curr (Tony Fields). O interessante é que o roqueiro estudou na mesma escola que o pirralho e também passou pelos mesmos problemas. Até ai tudo bem, mas um belo dia o cara morre em um incêndio muito estranho e deixa para o pirralho a única cópia em acetato (alguém lembra disso?) de seu último álbum. O problema é que o cara tinha um pacto com o diabo e toda vez que o tal disco era executado o espírito dele aparecia para causar destruição e morte. Sobra ao jovem Eddie procurar e destruir as duas cópias que existem desse disco em fita K7 (e dessa, alguém lembra?). A primeira acabou sendo executada no baile do colégio (típico ritual americano), onde o mesmo apareceu para se vingar dos que o ridicularizavam. A outra ia ser executada exatamente a meia noite pela rádio local, colocando o espírito maléfico em todas as rádios da cidade.

O filme até que se segura, mas ele não resistiu à passagem do tempo. Os penteados são ridiculamente oitentistas e os clichês do adolescente perseguido e incompreendido e dos valentões da escola que no final morrem de maneira violenta estão presentes. Outra coisa interessante é a maneira ridícula com que o jovem “metaleiro” é apresentado. O cara tem no quarto discos do Megadeth e outras bandas igualmente violentas e se veste como um fã do Menudo (desse eu não queria lembrar) e se comporta como um Emo. Nunca vi um fã de Metal levar desaforo para casa, mas isso é outro papo.

A parte bacana do filme é a trilha sonora. Toda ela foi composta e executada pela banda veterana Fastway. O que o filme tem de ruim e clichê, a trilha sonora tem de genealidade. É um Heavy Metal meio pop, mas tocado com muita energia. Era o tipo de música que os americanos chamavam de Rock de Arena, pois possuem um ritmo cativante e fazem a galera perder a cabeça quando tocadas ao vivo. Três músicas são executadas na íntegra durante o filme. Stand and Up aparece inteira no começo do filme enquanto o jovem Eddie conta toda a desgraça da sua vida para introduzir o espectador na trama. Trick or Treat (música principal) é executada por Sammi Curr durante o baile da escola antes de começar sua vingança com raios saindo de sua guitarra (sim, isso acontece). E After Midnight (a melhor das três) é ouvida nos créditos finais depois do final feliz. As outras músicas do LP (no Brasil nunca foi lançado em CD) aparecem em pequenos trechos do filme. Tanto o disco quanto o filme nunca saíram em formato digital por aqui e o CD é muito difícil de ser achado (eu tenho, hehehe).

Uma curiosidade bacana do filme é a participação de Gene Simons (baixista do Kiss) no papel do DJ que vai executar o disco na rádio, e de Ozzy Osbourne no hilariante papel de um pastor evangélico que prega que todos os fãs do rock são seguidores do demônio. Eu adorei a ironia.

Se você não assistiu ainda, corra para aquela locadora que tem um vasto acervo de VHS e tente achar o disco em um sebo, pois vale a pena. O filme passou há alguns anos atrás no SBT com o título de O Rock do Dia das Bruxas (esqueci de mencionar que a história se passa durante o Helloween).