Há muito tempo atrás, em um planeta muito distante (isso está parecendo o inicio de Star Wars) chamado Cybertron, uma raça alienígena, os Quintessons, desenvolveram robôs com inteligência artificial para servi-los. Esses robôs eram divididos em duas castas: os operários eram chamados de Autobots, e os militares de Deceptcons. Após vários anos de subserviência e de dominação por parte dos Decepticons, os Autobots se unem e iniciam uma guerra pela liberdade que dura milhares de anos e devasta totalmente seu planeta. Impossibilitados de derrotar seus inimigos por não terem sido planejados para a guerra e com todas as fontes de energia esgotadas, os Autobots, liderados por Optimus Prime, partem em busca de novas fontes de energon (a energia essencial para sua existência). Não permitindo que seus inimigos escapem, os Decepticons, liderados por Megatron, iniciam uma perseguição pelo espaço e, durante a batalha, as duas naves fazem um pouso forçado na terra.

Esse é o argumento básico do desenho animado Transformers, que alegrou a manhã de muitas crianças que, como eu, estão na casa dos trinta anos hoje. Toda o argumento do desenho foi planejado para divulgar nos Estados Unidos uma linha de brinquedos criada pela empresa japonesa Takara. Em território americano a Hasbro, representante dos brinquedos na terra do Tio San, usou a animação como ponto principal de marketing para vender esses estranhos brinquedos de robôs que se transformavam em carros. Embora conheçamos no Brasil apenas duas versões da saga, ela já teve mais de 12 encarnações diferentes entre produções americanas e japonesas, histórias em quadrinho, mangas e longa metragens de animação.

Agora chega as telas o filme Transformers (Transformers, 2007), um filme que muitos apostaram não poder ser realizado, por conta de todos os efeitos especiais necessários para levar para as telas a cataclísmica batalha entre Autobots e Decepticons. Por causa de todos os trailers espalhados pela internet, onde se via cenas espetaculares, estava ansioso para assistir a produção e confirmar se Michael Bay finalmente acertou a mão (alguém lembra de A Ilha ou Pearl Harbor?). Depois de sair do cinema podemos afirmar que o filme não tem argumento, tem péssimos atores (com exceção de Jon Voight) e que o único atrativo são robôs gigantes se pegando na porrada (desculpa ai Cardoso). Por conta disso o filme é ruim???? Pelo contrário, é o melhor filme que assisti nos últimos anos (mesmo comparando com Homem Aranha 3 e Piratas do Caribe 3).

Gosto de avaliar um filme pela capacidade que ele tem de me fazer voltar ao cinema. Transformers tenho que assistir pelo menos mais umas 4 vezes e depois ainda comprar o DVD em sua versão especial. Mas, se o filme não tem argumento e possuí péssimos atores, qual o motivo de tanto sucesso? Primeiro que ele pega uma veia saudosista da galera que cresceu vendo o desenho. Segundo que a ação permeia o filme do começo ao fim. Quando Blackout destrói a base americana logo no começo do filme já vemos que a coisa vai ser feia. E por último o bom humor e as situações hilárias que os robôs passam em sua fase de adaptação ao novo planeta. Ação e bom humor é uma combinação poderosa que fez o sucesso de vários filmes como, por exemplo, Duro de Matar e True Lies.

A história do filme não é muito diferente do argumento do desenho com mudanças sutis para se adaptar ao cinema. Os robôs estão bem mais complexos do que na animação e os efeitos especiais que mostram a transformação estão perfeitos. No próprio Optimus Prime é possível ver milhares de peças se movendo e encaixando em diversos lugares diferentes quando ele passa de caminhão para robô. Todas as brigas entre os robôs é de um realismo espantoso. Mesmo o filme tendo uma classificação etária de 10 anos a violência entre as máquinas é explicita com pancadas e destruição a toda hora. E para diversão dos marmanjos, vários dos personagens principais estão presentes no filme como os já citados Optimus Prime e Megatron, além de Bumblebee, Starscream, Jazz e Ratchet.

O único ponto negativo, a meu ver, foi a subutilização dos Decepticons. Ao contrário dos Autobots, não é mostrado eles confabulando e planejando. Eles aparecem apenas para a pancadaria, o que tira um pouco da força de personagens tão interessantes e não deixa transparecer algumas características da personalidade, como o lado traiçoeiro de Starscream.

Este não é um filme que vai mudar sua vida. Para falar a verdade você nem vai lembrar do nome dos atores e o argumento é o que menos importa. Mas, você vai vibrar com as cenas e dar muita risada dentro do cinema. Um filme pipoca onde o lado racional do cérebro não liga de dar o controle para o lado emocional. Apenas sente na poltrona e deixe a criança de 10 anos que todos temos em nosso interior assumir o controle. Eu recomendo.