John McClane está de volta. Depois de conquistar uma legião de fãs em suas aventuras pela década de 80 e 90, o policial mais azarado de todos os tempos aparece uma vez mais para fazer aquilo que ele sabe: meter bala nos bandidos e destruir muita coisa no processo. A Franquia Die Hard marcou a adolescência de muita gente. Talvez por mostrar uma pessoa comum pega em uma situação inusitada e, mesmo conseguindo milagrosamente matar todos os caras maus, ele também sofre um bocado. Ou seja, um cara normal, ou quase.

Nesse quarto episósio, que no Brasil ganhou o nome de Duro de Matar 4.0 (Live Free or Die Hard, 2007), John McClane (Bruce Willis) tinha uma missão simples. Tinha que escoltar o hacker Matt Farrel (Justin Long) até a sede do FBI. Só que no meio dessa simples missão eles são atacados por assassinos profissionais que querem eliminar Farrel. A partir desse momento McClane se envolve em uma tentativa de destruir todos os sistemas de controle automatizados dos Estados Unidos no que parece ser um ataque terrorista.

Claro que os bad guys não contavam com a intervenção do tira mais barra pesada da história do cinema. No filme McClane explode prédios, derruba um helicóptero com um carro, anda por cima de um caça F-35, destrói uma auto pista inteira, tem uma filha tão casca grossa quanto ele (porém muito bonita), mata muita gente e da porrada até em mulher. Tudo isso sem perder o bom humor e as tiradas sarcásticas. Embora todas as realizações do nosso herói sejam virtualmente impossíveis de serem realizadas por qualquer ser humano, o cérebro do espectador não liga muito para isso, pois a ação e diversão estão em cada minuto do filme. São 130 minutos que passam muito rápido dentro do cinema.

O filme revive o cinema de ação para os cinéfilos mais velhos e apresenta para uma nova geração um tipo de herói que anda meio sumido na década atual. O cara que chega e sozinho resolve a situação. Dos astros desse tipo de filmes, que estrelaram grandes produções na década de 80 e 90, mas que atualmente estão renegados aos filmes de baixo orçamento, Bruce Willis é o que melhor se adaptou ao cinema nos dias de hoje. Ator competente, é capaz de filmes mais sensíveis e outros de pura ação. De seus antigos colegas quase todos caíram no ostracismo. Jean-Claude Van Damme não faz nada que preste desde Time Cop. Sylvester Stallone tenta uma volta as telas com o violentíssimo Rambo IV. Arnold Schwarzenegger entrou para a política e deixou todos os fãs do Exterminador órfãos no próximo filme da série. Chuck Norris (o homem, o mito) se aposentou e só quer saber de falar de Deus. Steven Seagal continua atuando, mas é melhor nem lembrar dele.

Todos os atores estão muito bem em seus papéis, até porque um filme de ação não exige muita profundidade interpretativa. Bruce Willis nasceu para o papel e boa parte do sucesso do personagem se deve a seu trabalho. Kevin Smith (diretor de filmes como Dogma e O Balconista) faz uma participação especial e muito divertida como o hacker Warlock. Smith é fã incondicional da série e, segundo ele, ficou pirado quando teve a oportunidade de encarar John McClane. Também é interessante notar que Justin Long iniciou sua carreira no cinema no filme Galaxy Quest, uma grande homenagem bem humorada ao universo de Star Trek. No filme, que pode ser considerado um dos melhores filmes de ficção científica da década de 1990, ele fazia o papel de um nerd viciado na série de televisão.

Agora nos resta esperar o que vem por ai. Os anos 80 mostraram ser poderosos no quesito nostalgia. Tanto Transformers quanto esse Duro de Matar exemplificam essa força. Quem sabe as adaptações que podem aparecer nos próximos anos. Talvez uma Supermáquina ou um Águia de Fogo. Esperemos.