Esse ano, mais precisamente no dia 15 de outubro, aconteceu o Blog Action Day. Nessa data todos os blogueiros que se cadastrassem na campanha deveriam escrever um post sobre o meio ambiente. Dei uma olhada pelos blogs participantes e notei que a situação é negra, muito negra. Ainda estamos na etapa de economizar água ao tomar banho e separar o lixo para a coleta seletiva. Desde 1972 quando se realizou a grande Conferência Intergovernamental sobre Meio Ambiente Humano em Estocolmo e logo depois a de 1977 em Tbilisi, não conseguimos avançar um único passo na questão da consciência ambiental. Os cidadãos estão agindo por adestramento e ainda não conseguimos nos tornar Cidadãos Ambientais. Mas, isso não é por culpa do indivíduo comum e sim por estratagemas de governos e empresas que estão lucrando alto com a exploração ambiental daquilo que pertence a todos por direito. Em troca de ações realmente eficazes nos empurram a noção de que estão fazendo o tal do Desenvolvimento Sustentável, que em muitos casos é apenas um discurso bonito para práticas impossíveis.
Educação Ambiental
Segundo a Conferência de Tbilisi Educação Ambiental pode ser definida como:
Educação Ambiental é um processo de reconhecimento de valores e clarificação de conceitos objetivando o desenvolvimento das habilidades e modificando as atitudes em relação ao meio, para entender e apreciar as inter-relações entre os seres humanos, suas culturas e seus meios biofísicos. A Educação Ambiental também está relacionada com as práticas de tomadas de decisões e a ética que conduzem para a melhoria da qualidade de vida.”
Trocando em miúdos, foi decidido que o processo de educar o cidadão passaria por cinco fases distintas: a) Sensibilização Ambiental (os problemas deveriam ser conhecidos e mostrado a importância da preservação); b)Compreensão Ambiental (compreender como se dá a questão da exploração dos recursos naturais); c) Responsabilidade Ambiental (todos temos um pouco de culpa e responsabilidade pelos problemas causados pela exploração); d) Competência Ambiental (para explorar recuperar é necessário ter conhecimento); e)Cidadania Ambiental (ultimo estágio do processo onde as pessoas seriam cidadãs ambientalmente competentes para cobrar do governo as medidas necessárias para a sobrevivência da espécie).
Disso tudo que foi levantado, depois de todos esses anos, ainda estamos tentando realizar o primeiro passo. Nem todos estão ainda conscientizados e alguns poucos adquiriram um pouco do quesito responsabilidade. Mas, se a crise ambiental é tão grave e existe um planejamento de como proceder, por que ainda estamos patinando no começo da coisa?? Simples, quem manda na economia e na política não tem interesse de que formemos o Cidadão Ambiental, que seria aquele que tem plena consciência de que os recursos naturais pertencem a todos e levantaria a voz sobre o fato de que apenas alguns os estão explorando para o bem próprio.
Um bom exemplo disso tudo é a questão da água. Existem campanhas para que economizemos água durante o banho, na hora de escovar os dentes e para todos os afazeres do lar. Mas, ao olhar o gráfico de consumo de água notamos que o uso doméstico corresponde a 10% do total. Indústria fica com 20% e a agricultura consome 70% da água disponível. Sendo a água um bem que pertence a todos, quem me garante que os poucos responsáveis por 70% do consumo estão usando o recurso de forma racional? Porque alguns poucos podem usar sem nenhum ônus e o cidadão urbano é massacrado com campanhas de economia? A pergunta aqui é: eu estou economizando para quem? Quem vai usar a água economizada? Eu ou algum agricultor cujo sistema de Pivô Central consome mais água em uma noite que uma pequena cidade em um mês? (Quero colocar aqui que não sou contra o sistema de irrigação e o blá blá blá do desenvolvimento do agronegócio. Mas, é fato que nem todo agricultor usa o sistema de irrigação dentro de parâmetros racionais).
Dentro dessa incapacidade do cidadão de notar esse esquema temos os interesses de grandes corporações que vivem da exploração da sociedade de consumo (usando para isso a propaganda massiva na mídia para criar necessidades inexistentes) e dos governos que são coniventes com essa prática por conta da força econômica e política dessas corporações. A Educação Ambiental praticada nas escolas beira ao ridículo. Se quisermos mudar algo teremos que mostrar a nossas crianças e aos cidadãos que o desenvolvimento a qualquer custo não será feito apenas à custa de algumas árvores e alguns animais, ele trará extinção. Mas, extinção de quem? Do pobre que mal consegue comer, ou dos ricos que podem viver em suas cidadelas fechadas?
Há alguns anos dizíamos que quando as pessoas começassem a morrer por conta de problemas ambientais a sociedade levaria mais a sério a questão. Ledo engano. As pessoas já estão morrendo, mas o modelo produtivo continua o mesmo. Dane-se a exploração irracional, eu quero ter o meu I-Pod.
continua…
Achei que estivesse claro que economizamos água para que a economia (indústria e agricultura) não seja afetada. Eu já falei que não acredito neste lance de trabalho de formiguinha com relação ao racionamento de água, nem escrevi nada sobre este Blog Action Day, pois este tipo de ação piegas não leva a lugar nenhum, acabaria usando palavras meio duras que não seriam entendidas.
Não é assim que as coisas serão resolvidas, estamos apenas arranhando a superfície de um problema maior, e este tal BAD, assim como a Educação Ambiental das escolas, são apenas ações isoladas e paliativas para aparecer na midia. O problema do Brasil, e causa de várias deficiências do nosso país, é a manca educação básica nas escolas, que deveriam ensinar aquele pequeno consumidor de oxigênio que para ser um cidadão, não basta ele economizar água, ele deve saber pensar e escrever antes de mais nada.
No mais, na situação atual, com pessoas pouco se lixando e adeptas da lei de gerson, eu acredito na política da sniper e da eliminação de cânceres, sabe aquela que sempre discutimos baseada no choque e no horror? Esta mesmo…
Primeiro. Quero te parabenizar. Teu blog tá com um template formidável. Segundo: a menina aceitou namorar contigo?
Terceiro: fiz um blog novo…ahaha
Abs
Ô loco Maitê. Outro blog?!? hehehehehe.
Maitê troca de blog igual troca de roupa! hehehehehe
Eu não sabia que o uso doméstico pegava somente 10% da fatia do bolo de água utilizada. Eu achava que era mais.
E eu que ficava me “punindo” por demorar demais no banho… humpf!
Beijos e continuo como pinto no lixo clicando com minha câmera, hahaha! Mas ainda estou anos-luz de fazer fotos decentes!
Beijos.
Então Jacque, parte da economia doméstica tem que continuar a ser feita, afinal de contas o abastecimento público é limitado pela quantidade de água disponível nos manânciais que estão cada vez mais secos. Além de economizarmos em casa temos que passar a cobrar que os grandes consumidores também usem o recurso de forma racional.
Gilson
concordo contigo! Ainda não saimos da tal coleta seletiva (se é que vamos chegar!). Mas a questão de economizar água ainda é básica! Canço de ver gente lavando calçada com borracha, quando não está conversando e deixando o balde transbordar…Só para vc ter uma idéia, aqui no Rio faz uns dois meses que não chove…Caiu uma chuvinha incipiente no último sábado mas já recomeçou o calor de novo! Creio que estamos caminhando para aquele futuro pintado no filme Exterminador do Futuro…
Ótimo post. A EA realmente se preocupa demais com a parte “corportamentalista” do indivíduo.
Mas têm correntes que hoje já pensam de forma diferente, mas ainda não são hegemônicas.
Dicutirei isto na minha tese. Na dissertação, trabalhei sobre o tema lixo.
Se quiser alguns artigos sobre estes temas, passa lá:
http://diariodoprofessor.com
abraços.