Gamma Ray, Helloween e André Matos
Esse final de ano está recheado de ótimos lançamentos dentro do Heavy Metal, mas devo admitir que um pouco da graça de se esperar por um disco está se perdendo. Quando tinha 15 anos eu passava todos os dias na loja de discos para saber se um lançamento havia chegado. Hoje, antes de lançado, o disco já está disponível na internet para qualquer zé mané baixar. Isso é um pouco frustrante e tira um pouco da mágica de se aguardar por algo. Nesse final de ano temos os novos discos do Gamma Ray e do Helloween. De lambuja também chegou em minhas mãos o disco solo da Musa Nisei Sensei André Matos.
André Matos - Time to be Free (2007)
Esse é um disco que estava esperando com um certo receio. André Matos é um vocalista de grande talento, mas como compositor se mostra um pouco mais açucarado do que seria normal para um músico de Heavy Metal. O histórico do garoto é invejável. Participou do Viper na década de 80, um dos precursores do estilo no Brasil, e depois foi membro fundador do Angra, banda responsável por apresentar o Heavy Metal Melódico brasileiro ao resto do mundo. Logo depois, por conta das famosas divergências musicais, ele e metade da banda abandonaram o barco e fundaram o Shaaman, onde lançou dois álbuns muito interessantes. Fora essas bandas ele ainda se mostra como convidado especial em vários discos de outros grupos pelo mundo afora, sendo o mais famoso o projeto Avantasia - The Metal Opera de Tobias Sammet. Agora, já fora do Shaaman (será que o menino tem algum problema em manter relacionamentos de trabalho?), ele nos apresenta esse trabalho solo intitulado Time to be Free.
Depois de ouvir o disco várias vezes posso afirmar que se trata de um Heavy Metal Família. Daqueles que não vão ofender ninguém e até sua mãe vai acabar gostando de algumas músicas. Foram usados todos os clichês do estilo e as músicas carecem de um pouco de peso, originalidade e um melhor desenvolvimento. E por conta disso o disco é ruim??? Pelo contrário, é um disco até agradável de ouvir. Não é porque não trás nada de novo que o disco não tem suas qualidades. Se fosse assim 99,9% da música feita no país seria um lixo completo. O primeiro ponto positivo é a qualidade da voz do garoto que vem melhorando consideravelmente desde o primeiro disco que ele gravou com o Viper. Em segundo temos a potência das composições, que seguem um meio termo entre o Angra e o Shaaman. Claro que tudo isso muito mais meloso. Como destaques eu colocaria Letting Go, Time to Be Free e Remember Why. Como grande e constrangedor ponto negativo desse disco eu coloco a bizarra releitura da música Moonlight (Viper) que aqui ganhou o nome de A New Monlight. Ficou horrível.
Helloween - Gambling With the Devil (2007)
O Helloween está de volta com mais um disco. Depois de passar por problemas internos, de membros importantes abandonarem o conjunto, lançarem um disco caça-níqueis e saírem em turnê mundial para tentar se levantar, as aboboras germânicas estão na praça com um disco que muitos dizem ser a salvação da lavoura. Vou admitir. Sou fã incontestável do Helloween. Por mais que amaldiçoe alguns pecados mortais cometidos pelo quinteto e que jure nunca mais ouvir um disco dos rapazes, eu sempre me rendo a curiosidade de saber como está o novo trabalho. E com esse disco podemos notar uma tendência que já se mostrava no último disco da banda (Keeper of the Seven keys III - The Legacy, 2006): Existem duas bandas chamadas Helloween. Uma está ficando cada vez mais pesada, adquirindo fortes influências das bandas de Power Metal mais rápidas. A outra ainda continua cultivando o mesmo estilo da década de 1980, que fizeram o sucesso do grupo, com letras mais melodiosas e refrões pegajosos.
Ai é que a coisa fica feia. Conheço gente que gosta mais da fase nova com músicas mais pesadas. Eu aprecio mais o estilo antigo cheio de melodia e letras divertidas. Tanto para um quanto para o outro apenas metade do disco vai agradar. Na parte mais Helloween do disco temos músicas muito bacanas, que não ficariam devendo nada às composições mais famosas do grupo. Nesse conjunto de músicas podemos citar a bacanissima Can Do It, a longa The Saints, a baladinha As long As I Fall, a animada Hell Tells no Lies e a fodástica Dreambound.
Destaque para a bela arte do encarte, que me remeteu diretamente a Psycho Circus do Kiss, não por ser parecida, mas por alguma sugestão subconsciente. Outra coisa importante a ser citada é a incrivel técnica e perícia do baterista Dani Löble. O cara simplesmente destrói nas baquetas.
Gamma Ray - Land of the Free II (2007)
Land of the Free (1995) foi um marco na carreira do Gamma Ray. Não por ser o melhor álbum da banda (acho que ninguém concorde com isso, embora eu considere que o disco possuí a melhor música que eles já gravaram), mas por ser o primeiro a trazer kai Hansen nos vocais e por mostrar uma visão muito otimista do mundo. Visão essa que foi se deteriorando com os lançamentos mais recentes da banda onde as músicas ficavam mais pesadas e a visão de mundo mais sombria. No começo do ano Kai Hansen anunciou que sua fase otimista estava de volta e para comemorar tal fato seria lançado o disco Land of the Free II. Longe de ser um caça níquel (até porque a banda está no auge de sua popularidade) o título visa marcar essa nova perspectiva do mundo.
Ao colocar a bolachinha para rodar, independente se os caras estão felizes ou tristes, o que encontramos é música da mais alta qualidade. É pancadaria do começo ao fim com o habitual talento dos músicos, as músicas bem ritmadas, melodia na medida certa e a inconfundível voz de pato de kai Hansen. Ou seja, tudo perfeito. Claro que fica evidente que as músicas estão bem mais descontraídas do que nos últimos discos. Em alguns momentos você sente aquela vontade de sair pela casa pulando, tamanha a diversão que as músicas proporcionam. Todas as composições se encontram em um mesmo nível, transformando o disco em um dos mais perfeitos que ouvi este ano. Daria um destaque para a música Empress, por ser realmente diferente. Composta pelo baterista Daniel Zimmermann ela tem uma cadência diferente das outras músicas, mostrando um direcionamento mais melódico e mais épico em alguns momentos. Certamente uma influência do Freedon Call, banda da qual Zimmermann é líder e compositor.
Esse disco eu recomendo para todos que se dizem amantes do Heavy Metal bem executado.
Embora esses três discos tenham dominado meu aparelho de som nos últimos dias, estou ouvindo agora uma das coisas mais bacanas das quais tive acesso nos últimos anos e que aponta para um lado muito mais emotivo do rock (não, eu não virei emo). Aguardem a próxima resenha.
Obrigaaaaaaaaaaaaaado! Estava precisando de coisas novas mesmo! Já estão na fila hehehehe
Hello dear !!!
Caracas! Esse novo do Gamma Ray tá massa demais!
Foi só eu que percebi que “Empress” parece muuuuuuuuito com “Let’s Ride to Metal Land” do Massacration? (Hehehehe) e “When the world” e “Opportunity” tem uma parte que soa idêntico à uma música do “Seventh Son Of a Seventh Son” hehehehe
Pô, falando assim parece que o disco é ruim, mas não é! Eu é que sou chato mermo hehehehe
Engoli uma parte do meu comentário: When the world soa meio powerslave
Como sempre ,masi uma daquelas resenhas que nos fazem perguntar se a loja de discos lá do centro fica aberta após as 20:00h!
Gamma Ray é uma banda que ainda tenho dificuldades em ouvir(ando preguiçoso,admito);Helloween eu não ouço desde aquel disco de covers…e acho que ,se parassem com a babaquice,os caras poderiam sim manter-se no topo do estilo;infelizmente acho que a banda parece um carro desgovernado que tenta adquirir estabilidade em pista molhada;André é ícone do estilo no país e,ainda que cometa alguns deslizes perfeitamente compreensíveis para alguém que sempre está tomando novos rumos na carreira,sem deixar de lado suas influências,nos transmite sempre a sensção de que nos traz bons projetos!
Preciso me reciclar urgentemente, faz tempo que não ouço coisas diferentes. Ótimas dicas, vamos conferir!
Uah! Esse disco novo do Gamma Ray é demais! Puxei ele há uns dias atrás, sonzão bem típico do Kai Hansen, ótimo.
Já o do Helloween nem tive coragem de ouvir, quanto mais o do xarope do Andre Matos.
Abraço!
hehehehehe, Coitado do André Matos.
Não curti o disco do Andre Matos… achei comum demais prum cara que colocou a marca dele no Angra e no Shaman… Assim como não gostei do disco novo do Shaman que ficou sem sal com integrantes novos…