Saiu ontem no Diário Oficial. A reserva de mercado para filmes brasileiros para 2008 será a mesma de 2007, ou seja, cada sala de cinema individual deve exibir um total de 28 dias de produções nacionais. Em complexos de 06 salas a reserva de mercado é ainda maior. Cada sala deve exibir filmes nacionais por 68 dias. O interessante é que houve uma batalha nos bastidores sobre a promulgação dessa cota, que é revista a cada ano e não é fixa. Os representantes dos diretores de cinema queriam que essa cota fosse aumentada em 15%. O argumento utilizado por eles é que a produção nacional está super aquecida, o que daria conta das novas salas para filmes. Já a associação dos exibidores reivindica uma diminuição das cotas, pois muitas das seções acontecem com salas vazias. Embora Tropa de Elite tenha ficado entre as 10 maiores bilheterias nacionais do ano, a maioria dos filmes brasileiros continuam no ostracismo.

Embora tenha continuado tudo como antes fica estranho de entender esse rocambole todo. Muito complicado quando uma industria de entretenimento tem que ser regulada por decreto estatal. O cinema brasileiro já não consegue se auto sustentar. Se não fosse a lei de incentivo a produção cultural que tira dinheiro dos impostos para colocar em ótimos projetos como a cinebiografia da Bruna Surfistinha, nada seria produzido em território nacional. Claro que temos a Brasileirinhas, que deve ser a única produtora de filmes daqui que não precisa de dinheiro da Petrobras. Aí vem o governo e diz para o exibidor que ele é obrigado a colocar aquele filme daquele diretor revolucionário que está mostrando uma história super original sobre a seca no Nordeste. O próximo passo do governo é enviar intimações para os espectadores para se dirigirem até essas salas de cinema e apreciarem o dito filme revolucionário.

Pode parecer estranho, mas enquanto as salas de cinema com filmes nacionais estão vazias, do lado existe fila para ver uma história onde robôs gigantes se pegam na porrada. Isso prova que o cinema americano é imperialista?? Claro que não. Isso prova que ele tem a capacidade de trazer diversão e entretenimento. Existem ótimas produções da França, China e até da Rússia que estão chegando a nosso mercado de DVD, mostrando que estamos parados no tempo. Se o governo está interessado em aumentar o mercado para o produto nacional, deve permitir que ele se auto-gerencie e leve para o consumidor produtos de qualidade e deixe a concorrência fazer o resto.