No More Tears
Ozzy Osbourne já é uma figura folclórica no mundo do Heavy Metal. Se não tivesse feito mais nada depois que saiu do Black Sabbath mesmo assim já seria uma lenda. Talvez ele seja a maior prova de que o carisma de um vocalista vale mais do que a própria música da banda. Não entendeu? Explico. O Black Sabbath fez discos maravilhosos depois que Ozzy foi chutado da banda, com vocalistas excelentes, mas toda vez que citamos a banda são das músicas antigas, cantadas por Ozzy, que nos lembramos. Isso também se reflete em todas as coletâneas lançadas pelo grupo.
Depois que os problemas com bebidas e drogas fizeram com que a parceria com seus antigos colegas fosse rompida (e olha que para isso ter acontecido nos anos 70 é que a coisa estava muito feia mesmo), todos pensaram que Ozzy iria se afundar cada vez mais em seu poço. Mas, o inesperado aconteceu. Ele engatilhou uma carreira solo que teve uma ascensão meteórica, provando que o Madman não estava morto. Tudo começou com o disco Blizzard of Ozz (1980) que foi sucedido por outros ótimos lançamentos que foram se superando até chegar ao ápice de sua carreira (em minha opinião) com o disco No More Tears (1991).
A primeira vez que ouvi o disco foi em uma loja aqui na cidade. O vinil (alguém lembra disso) tinha acabado de chegar e o vendedor estava testando o produto. Estava sozinho na loja (ela era bem pequena) e ouvi quase todas as músicas ali no balcão mesmo. Quando terminou a audição tive que levar o disco. Acho que fiquei mais de seis meses com ele no prato da vitrola, tamanha era a energia que emanava de todas as músicas. O que se encontra nesse disco é um hard rock muito bem construído, com melodia, rítimo, uma pitada de som pop e comercial e as guitarras estridentes de Zakk Wylde (Pride and Glory e Black Label Society).
O disco, como era de se esperar, foi um sucesso e rendeu um ótimo vídeo clipe para a música titulo. Todas as músicas do disco são excelentes, mas destacaria a força do contrabaixo de No more Tears, a melodia de I Don’t Want to Change the World, o peso de Hellraiser (escrita também por Lemmy Kilmister do Motorhead) e as baladas magníficas Road to Nowhere e Time After Time.
Depois desse disco, Ozzy resolveu se aposentar. Já estava com 43 anos de idade e queria passar um tempo com a família. Por isso foi organizada a No More Tours, turnê de despedida que gerou o disco ao vivo Live & Loud, lançado em 2003 e que é, com certeza, o melhor disco ao vivo da carreira do Madman. Um fato interessante é que no último show da turnê foi realizada uma pequena Jam Session com os antigos companheiros do Black Sabbath (Tony Iommi, Terrence “Geezer” Butler e Bill Ward), que seria um embrião das apresentações que renderiam o disco Reunion. Para quem tem o DVD desse show não deixa de ser interessante a participação dos filhos de Ozzy, ainda crianças e antes de se tornarem adolescentes problema e ridículos.
Quem conhece a história sabe que essa aposentadoria de Ozzy não durou muito tempo, mas, fazendo um balanço de tudo que ele produziu depois de No More Tears, pouca coisa se salva (acho que só o disco Ozzmois é digno de nota), levando a conclusão de que ele deveria ter ficado em casa com a família.
No More Tears é a música com um dos refrões mais gostosos de se gritar num show, tive o prazer de fazer isso no Pacaembú em 2004, quando o Shaaman tocou na abertura para o Iron Maiden.
Ozzy é uma lenda. E teria sido uma lenda ainda maior se, ao sair do Black Sabbath, não tivesse feito mais nada na música. Infelizmente, a exposição excessiva de sua imagem em eventos de qualidade duvidosa acaba por arranhar algo em sua imagem. Mas, sem dúvida, é um dos melhores e mais carismáticos cantores de rock.
Belíssima postagem. Um abraço!
Eu particularmente nuca gostei tanto da voz do Ozzy Osbourne. Gostava muito (ainda gosto, mas não ouço tanto) do No Rest for The Wicked. Preciso ouvir esse disco dele e gosto mais dele na carreira solo que no Black Sabbath.
Pra mim o melhor cantor de Heavy Metal é o Ronnie James Dio. Nem gosto de imagiá-lo no Sabbath…
Abraço!!! Até mais!