Fotometria: aprendendo a medir a luz

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Como o nome já diz, fotografia significa escrever com a luz. Nesse aspecto a câmera fotográfica funciona como o olho humano. Na realidade nós não vemos os objetos e sim a luz refletida destes que chegam até nossos olhos. Dessa maneira o que passa pela lente da câmera fotográfica é a luz refletida dos objetos. Medir a quantidade exata de luz necessária para formar a imagem no sensor ou filme fotográfico é o que chamamos de fotometria. A maioria dos iniciantes, fotógrafos amadores e muitos profissionais, confiam totalmente na medição automática das câmeras. Algumas compactas digitais nem possuem um modo manual para o próprio fotógrafo fazer as regulagens, mas as medições automáticas podem cometer erros, assim como as regulagens automáticas do White Balance. Existem situações em que o próprio fotógrafo tem que decidir quais regulagens usar, senão corre o risco de perder a imagem que está fazendo.

Três fatores são importantes para realizar a fotometria: o ISO, a velocidade do obturador e a abertura do diafragma. Quando a câmera está no automático ela decide quais valores empregar nessas variáveis levando em conta a quantidade necessária de luz. Mas, vamos ver o que muda quando usamos o modo manual.

Fotômetro

É o aparelho que mede a quantidade de luz existente no ambiente e fornece as regulagens necessárias para a câmera capturar a imagem. Existem fotômetros externos e toda câmera possuí um fotômetro interno. Através desse aparelho podemos mudar as variáveis segundo nossas necessidades e obter uma leitura se a exposição está correta.

Velocidade ISO

O ISO (International Standards Organization, uma espécie de ABNT internacional), é o padrão escolhido para delinear a sensibilidade das películas (filme). Muitos outros padrões existiram, como o ASA (Americano) e o DIN (Alemão). Quanto maior o ISO do filme, maior é a sua sensibilidade a luz, porém pior é a qualidade de imagem. Isso se dava porque os filmes mais sensíveis possuíam grãos de prata maiores, que causavam uma granulação na foto. Então o ISO 50 era usado em dias com muito sol ou em estúdio por conta de sua alta qualidade de imagem e cor, enquanto o ISO 3200 é utilizado em situações com pouca luz, gerando imagens granuladas. Nas digitais esse padrão foi mantido, mas o mesmo problema da qualidade da imagem se mostrou. Em ISOs mais elevados as imagens acabam gerando uma aberração cromática chamada de ruído.

Obturador

O obturador é uma cortina que se abre e fecha permitindo a entrada da luz. Sua velocidade é medida em frações de segundos. Quanto menor a velocidade, maior é a quantidade de luz que atinge o sensor ou o filme. A velocidade do obturador é importante em momentos onde a ação se desenrola de maneira rápida. Objetos em movimento necessitam de uma alta velocidade de obturação (a partir de 1/500 avos de segundo) para que não saiam borradas, enquanto objetos em repouso podem usar velocidades mais lentas. Muitas câmeras compactas não possuem um obturador mecânico, sendo que a velocidade de captura é simulada pela ativação do sensor. Algumas DSLR da Nikon possuem um obturador híbrido, onde a velocidade de captura e conseguida através do acionamento mecânico e do sensor, conseguindo assim um menor desgaste do obturador e um conseqüente aumento de sua vida útil.

Diafragma

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É uma íris dentro da lente. Ela funciona mais ou menos como a nossa pupila. Com muita luz ela se fecha e com pouca luz ela se abre. Seu tamanho é medido em f/stops e quanto menor o número maior é a abertura. Então uma lente em f/2,0 está com o diafragma bem aberto, para ser usado em situações de pouca luz e um diafragma em f/32 está bem fechado, usado em situações com muita luz. A abertura do diafragma influencia diretamente a profundidade de campo, que é aquele desfoque que ocorre atrás do assunto focado. Se o diafragma estiver bem aberto você vai ter pouca profundidade de campo e tudo que estiver na parte da frente e na parte de trás do objeto fotografado vai estar desfocado. Com o diafragma bem fechado toda a foto vai ficar nítida.

Compensação de Exposição

Embora nem todas as câmeras compactas possuam um modo manual, quase todas elas possuem o recurso de Compensação de Exposição. Ele é representado nas câmeras digitais como um quadrado dividido na diagonal. Em uma das metades do quadrado temos o símbolo positivo e na outra metade o negativo. Também pode ser representado no painel de controle da câmera pela sigla EV. Esse recurso existe para que o fotógrafo minimize situações onde o fotômetro interno da câmera possa a vir a se enganar. Se o objeto fotografado ficar muito escuro na imagem, é só colocar a compensação de exposição em +1 e a câmera vai deixar entrar um pouco mais de luz para realizar a foto. O contrário também é possível sendo que nas fotos muito claras é necessário regular a compensação para -1.

Mas como isso tudo funciona?

Essas três variáveis trabalham juntas e, dependendo da situação, o fotógrafo deve escolher as regulagens mais adequadas. Por exemplo:

Vamos imaginar que estamos em uma peça de teatro. Essa é uma situação bem complicada. Pouca luz e a proibição de usar o flash. Nessa situação você tem que usar uma velocidade de obturador onde as pessoas em movimento não fiquem borradas. Aumentando a velocidade de obturação conseqüentemente uma quantidade de luz menor vai entrar pela lente. Nesse caso é necessário abrir mais o diafragma. Mas, quanto mais o diafragma é aberto, menor vai ser a profundidade de campo. Nesse caso o ISO é elevado (1600 ou 3200) para que eu possa ter um diafragma em uma abertura média (f/3,5) e um obturador em velocidade necessária para congelar os movimentos (1/90). Se a câmera estivesse no automático essas regulagens seriam bem diferentes e as fotos não seriam satisfatórias.

No fim tudo é regulado para que uma mesma quantidade de luz passe pela lente, dependendo da situação temos que ter uma prioridade nas regulagens. Cabe ao fotógrafo e não a câmera decidir que velocidade, abertura e ISO utilizar.

Curiosidades.

- As lentes mais claras, com diafragma f/2,8 costumam ser as mais caras, justamente por permitir fotografias em ambientes mais escuros, utilizando ISOs mais baixos;

- Geralmente as lentes de menor qualidade são mais nítidas no centro do que nas bordas. Ao usar um diafragma em f/16 é possível aproveitar só a área central da lente, o que aumenta a nitidez da mesma.

- As câmeras mais modernas (e conseqüentemente mais caras) estão melhorando muito a qualidade das imagens em ISOs mais altos. A Canon Eos 5D possuí uma qualidade ótima em ISO 1600.

- A pouca profundidade de campo pode ser usada de modo muito criativo, principalmente em retratos, dando uma qualidade especial no desfoque no fundo do objeto fotografado.

11 Responses to “Fotometria: aprendendo a medir a luz”

  1. Sempre ficava me perguntando o que eram aqueles éfes.
    Tá esclarecido!

    []’s

  2. Show de bola, li, entendi e aprendi.
    Abç.

  3. curti. bem didático.
    abraços

  4. EXCELENTE………..

  5. Paulo Henrique BRAZIL Windows XP Internet Explorer 7.0 on May 22nd, 2008 at 12:15 am

    Muito legal! Valeu!!!

  6. Muito bom!!!Valeu as dicas.

  7. [...] Bem gente, esse texto deveria ter saído na sexta feira, mas o tema se mostrou mais variado do que eu poderia imaginar. Não é difícil, mas existem diferentes receitinhas de como fazer a brincadeira e a maioria delas está em inglês. Mas, duas coisas são primordiais para se fazer HDR. Primeiramente é necessário conhecer muito bem os recursos de sua câmera. Você que comprou o equipamento e não leu o manual, usando apenas os recursos básicos, vai ter mais dificuldade para seguir esse pequeno tutorial. Em segundo lugar é necessário ter um conhecimento básico do que é fotometria. Para aqueles que nunca leram nada a respeito, sugiro dar uma olhada nesse pequeno texto antes. [...]

  8. Fácil entendimento.

    Gostei do exemplo do teatro.

    pergunta: qual a utilidade do EV no modo manual da máquina? sendo que se percebido a escuridão ou a claridade, teoricamente seria só aumentar ou diminuir a velocidade do obturador ou abrir ou fechar o diafragma

  9. mesmo no modo manual você tem que acreditar nas leituras do fotometro e, dependendo das condições do local, ele pode se enganar. A cena da praia pode se aplicar aqui. Muita areia branca pode passar ao fotômetro a impressão de que existe mais luz do que na realidade. Nesse caso, ao regular a compensação de exposição, você está dizendo ao fotômetro para ignorar um ponto de luz. Esse tipo de regulagem só mostra efeito com a experiência do fotógrafo, então o melhor é praticar as possibilidades que a câmera oferece e conhecer bem seu equipamento.

  10. Olá! parabéns pela óitima iniciativa, contudo achei algo que esta estranho. Embora seja bem verdade que as lentes são mais nítidas ao centro, utilizar uma menor abertura não faz com que seja usada somente a parte central da lente. A maior nitidez da imagem feita com uma menor abertura (maior numero de f) é devida angulação da luz que passa pela abertura. O buraco menor faz com que uma quantidade menor de raios luminosos refratados irregularmente através da lente alcancem o sensor (ou negativo). Sem falar da maior profundidade de campo que a abertura menor também proporciona.

  11. Salvação esse texto… tava confuso e me liguei agora !
    recomendo.

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