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Acabei de saber que a galera do sindicato do Centro Paula Souza está chamando uma greve para o dia 01 de março. As reivindicações são voltadas para o reajuste salarial, que não dá às caras para os funcionários dessa instituição à muitos anos. Para quem não sabe, o Centro Paula Souza é responsável pelo ensino técnico e tecnológico através das ETECs (Escolas Técnicas Estaduais) e FATECs (Faculdades de Tecnologia). Antes que alguns pensem que lá vem mais um monte de reclamações de funcionários públicos que ganham bem e fazem pouco, é melhor conhecer um pouco da realidade da instituição.

O Centro Paula Souza administra 138 Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) e 39 Faculdades de Tecnologia (Fatecs) em 118 cidades no Estado de São Paulo. As Etecs atendem mais de 100 mil estudantes nos níveis de ensino Médio e Técnico, para os setores Industrial, Agropecuário e de Serviços, em 82 habilitações. Nas Fatecs, mais de 22 mil alunos estão distribuídos em 36 cursos Superiores de Graduação. Porém, com toda essa força, a coisa está meio complicada para os profissionais da instituição. A muitos anos não existe aumento de salário e a contratação de funcionários também está congelada a muito tempo.

Um reflexo dessa realidade é que poucos profissionais se interessam em dar aula ganhando R$ 5,00 por hora e para minimizar a falta de funcionários (pois muitos se desligam do Centro por conta do baixo salário ou se aposentam) a solução é se utilizar da prática de contratação de estagiários (geralmente estudantes da própria instituição) pelo salário de R$ 270,00.

Hoje o ensino técnico garante um ótimo índice de empregabilidade que é maior do que qualquer curso superior. A Escola Técnica tem se mostrado uma ótima alternativa para quem não se interessa ou não pode cursar uma universidade. A prova dessa importância é o uso político que Geraldo Alckimin e José Serra fazem da instituição durante suas campanhas políticas, porém nunca deram o devido respeito a seus funcionários (a média salarial do corpo técnico é de R$ 570,00), que nem são recebidos para uma conversa sobre as reivindicações.

Sabe, trabalho no Centro Paula Souza a 10 anos e, embora alguns pensem que somos todos marajás, o que me prende lá não é o salário. Ganhamos muito pouco pelo trabalho que fazemos de formar cidadãos capacitados para o trabalho e o convívio social. Faço meu trabalho por que gosto e sou obrigado a admitir, mesmo sendo um crítico ferrenho da ignorância e paternalismo estatal, que essas não são reclamações vazias. Algo tem que ser feito, pois está começando a prejudicar a qualidade do ensino. E isso é o que importa.