O turno da noite - Os filhos de Sétimo.
Finalmente comecei a ler a nova saga vampírica iniciada por André Vianco. Embora tenha dado um tempo com as histórias dos vampiros do Rio D’Ouro (protagonista de seu livro de estréia, Os Sete) com o arco de histórias iniciado com Bento, Vianco mostra mais uma vez que possuí muito carinho pelos sete vampiros que o catapultaram para a fama entre nerds e góticos do Brasil. Nesse novo arco de histórias ficamos sabendo o que aconteceu com os sobreviventes do grande combate entre as diversas facções que se encontraram no final do livro Sétimo.
Para quem não conhece a história desses dois romances aqui vai um pequeno resumo (se você não leu e não quer estragar a surpresa, é melhor pular esse parágrafo).
O livro Os Sete começa com a descoberta de uma antiga caravela portuguesa afundada no litoral do Rio Grande do Sul. Dentro dessa caravela foi encontrado um caixão de prata e, dentro dele, sete corpos. O que não se sabia é que esses sete esqueletos pertenciam a sete vampiros mortais que foram caçados e enclausurados nesse túmulo submarino pelo caçador de vampiros Tobia à mais de 500 anos. Pensava-se que a costa do novo mundo seria um bom lugar para que as criaturas ficassem eternamente aprisionadas. Porém, como sempre acontece nesse tipo de história, algo dá errado e os vampiros voltam a vida. Porém, não eram vampiros comuns. Eles haviam feito um pacto com o demônio em troca de habilidades especiais para poderem combater o inimigo Tobia. Dessa forma, Inverno, Lobo, Acordador, Espelho, Tempestade, Gentil e Sétimo (não vou contar seus poderes especiais pois estragaria uma boa surpresa do livro) acordam em um mundo estranho e seu único desejo é saciar a sede e voltar para casa. Porém, a coisa descamba para uma batalha campal e apenas Sétimo acaba sobrevivendo. Ao tentar iniciar uma nova legião de vampiros a criatura também tomba em batalha enfrentando o exército, um grupo de vampiros que vai contra seus objetivos e o descendente do caçador Tobia, auxiliado por um assassino profissional chamado Dimitre.
Esse novo livro, O Turno da Noite - Os Filhos de Sétimo - se inicia justamente ao fim da grande batalha e conta a história de alguns dos sobreviventes da casa de Sétimo. São vampiros jovens e desorientados que não sabem como agir na nova vida. Porém, eles acabam sendo aliciados por um vampiro mais velho que se diz dono de uma agência cuja especialidade é assassinatos encomendados. Dessa forma, os vampiros podem se alimentar sem chamar muita atenção. Fora a história principal focada nesses novos personagens, temos a aparição de velhos conhecidos dos livros anteriores como o caçador Tobia e seu amigo Dimitre, os Oficiais do exército encarregados da caça e captura dos noturnos e alguns dos vampiros mais experientes que foram transformados pelos sete do rio D’Ouro.
O livro é bom e prende sua atenção por boas horas de leitura, só que alguma coisa me pareceu errada. Não sei se o assunto está começando a ficar batido, mas não senti a mesma euforia de quando li os dois primeiros livros. Sinto falta de histórias mais variadas do autor, como nos livros O Senhor da Chuva e A Casa. Senti também que várias colocações e diálogos do livro poderiam ser um pouco mais refinados, pois acabam descambando para colocações que soam bobas. Sei que um grande atrativo da literatura de Vianco é reproduzir a maneira como o brasileiro fala, mas nesse livro alguns pontos parecem um pouco forçados. Porém, o que mais me irritou foi o tamanho reduzido do livro. As suas 233 páginas não duraram mais do que dois dias. Odeio livro curto. A atual série de histórias já está no terceiro volume (vou começar a ler o segundo volume agora) e a estratégia parece ser faturar encima de livros curtos. Por que ganhar com um se posso fazer quatro, não é verdade?
Mesmo com todas essas ressalvas, o livro está muito longe de ser ruim. A história é bem construída e respeita todas as pontas soltas deixadas no último livro. André Vianco vem se destacando como o melhor autor (talvez o único) de literatura de terror no Brasil. Alguns dizem que ele é o Stephen king do Brasil, mas eu não chegaria tão longe, pois ele não possuí a sutileza do mestre. Mas, se mostra um grande contador de histórias fantásticas, um ramo literário não muito explorado em nossas terras tupiniquins.
Veja o Site Oficial de André Vianco.

February 21st, 2008 at 2:28 pm
Sinceramente … tá começando a ficar manjado …
Ele devia fazer pelo menos um Senhor da Chuva 2: o resgate, ou coisa do tipo 
March 21st, 2008 at 12:34 am
[...] Antes de ler esse texto, dê uma passada pela crítica da primeira parte da história: O Turno da Noite - Os Filhos de Sétimo. [...]