Mega post de lançamentos metálicos - Part III
É isso aí gente. Os CDs vão acumulando e não vou tendo tempo de falar sobre eles. Acho que de agora em diante, a não ser que o lançamento seja muito importante, vou escrever sobre vários discos em um único post. Eu economizo tempo e os leitores não precisam encarar um texto gigante. Vamos aos últimos lançamentos que tive o privilégio de ouvir.
Tarja Turunen - My Winter Storm

Depois de todo o rolo que foi a sua saída do Nightwish, Tarja Turunen está de volta com seu vozeirão nesse novo disco. Porém, já é bom avisar para os antigos fãs que esse My Winter Storm não tem nada a ver com o som executado em sua antiga banda. Aqui a coisa é mais intimista e lenta. As guitarras ainda existem, mas são bem mais discretas. O som é marcado mais pela melancolia do gótico do que pela velocidade do rock. A primeira coisa que chama a atenção é a bela capa do CD, que combina muito bem com o titulo. Os vocais estão mais operísticos, bem na linha dos primeiros discos do Nighwish. Todas as músicas seguem o mesmo padrão com guitarra base em segundo plano e pequenas inserções orquestradas. Porém, o grande destaque do disco é mesmo o vocal. Não me atrevo a dizer aqui que o disco é bom ou ruim, pois vai depender da interpretação de cada um. O fã mais radical vai odiar e decretar a morte da vocalista, mas se você tem a mente aberta vai achar um trabalho muito interessante. Destaque para o cover de Poison do Alice Cooper.
Grave Digger - Liberty or Death

Quando vi o título desse disco pensei que ficaria muito bem em um disco do Running Wyld, tamanha familiaridade da temática com essa outra banda alemã. O Grave Digger vem lançando discos de qualidade com uma freqüência de dois anos. Infelizmente, esse ritmo de trabalho traz alguns problemas para a banda. Ao ouvir esse novo disco tenho a impressão que o grupo está fazendo Heavy Metal com receita de bolo. Ou seja, pela experiência eles sabem o que fazer, como colocar a guitarra, onde a bateria tem que ser mais rápida e a necessidade de refrões épicos, mas a coisa está ficando muito igual, sem alma. Está faltando a energia e a originalidade que encontramos, por exemplo, em sua trilogia épica. Mas, é um disco ruim? Não, ele é apenas simples. Os destaques da bolachinha vão para orquestrações encontradas nas introduções de algumas faixas e para as músicas Liberty or Death, Ocean of Blood e Silent Revolution.
Rage - Carved In Stone

Nunca escondi que sou um fã incondicional do Rage. Os primeiros discos dessa banda alemã definiram para mim o que é um Heavy Metal rápido, melódico, técnico e emocionante. Embora os discos mais recentes tenham partido para uma música mais básica e rápida, algumas das características que me fizeram gostar do grupo nunca desapareceram. Porém, o Rage ensaiou um retorno a antiga forma com o penúltimo disco, o mais que ótimo Speak of the Dead . Agora, o trio capitaneado por Peter “Peavy” Wagner nos presenteia com mais um disco incontestável. Carved In Stone não é uma obra prima, mas nos reapresenta ao que o Rage fez na década de 1990 e que os transformou em fenômenos na Europa, Japão e América do Sul. As músicas estão rápidas, porém com uma maior carda de melodia. O instrumental continua sendo rápido e técnico. Destaque para o baterista André Hilgers (novo membro da banda) que mostra uma ótima técnica nas baquetas. Impossível não citar as ótimas Carved in Stone, Open My Grave, Long Hard Road e Lord of the Flies, que parece uma música do Blind Guardian e não do Rage.
Cavalera Conspiracy - Inflikted

Quando o Sepultura organizou uma coletiva de imprensa para anunciar que Max Cavalera não seria mais o vocalista da banda, pensei a mesma coisa de quando André Mattos saiu do Angra: A banda acabou. Nos dois casos eu estava certo, pois os dois grupos acabaram, pelo menos no que os definia como grandes bandas de Heavy Metal. Infelizmente o vocal era parte importante da personalidade dos conjuntos. O caso do Sepultura é um pouco mais grave, pois a banda está deteriorando lentamente. Porém, 10 anos depois de todo o rolo, Max e Igor (baterista do Sepultura e irmão do mesmo), voltaram a conversar, fizeram as pazes e decidiram gravar um disco para selar essa nova fase de seu relacionamento. Com o nome de Cavalera Conspiracy eles soltaram no mercado o disco Inflikted, que é, sem sombra de duvidas, a melhor coisa que os dois gravaram nos últimos 10 anos. Muita gente não gostou, mas eu adorei. Max continua com uma voz forte e grotesca e Igor se mostra um dos melhores bateristas que o Brasil já exportou para o mundo. As músicas são muito influenciadas pela cena norte americana, mas nada que impeça a saudável degustação do trabalho. Músicas fortes, rápidas e violentas. Prato feito para quem gostava do antigo Sepultura. O único defeito do disco é ter apenas 41 minutos.
Aina - Days of rising doom

Esse disco não é um lançamento. Na realidade ele foi colocado no mercado em 2003, mas somente agora eu consegui adquirir a obra. Para falar a verdade eu só fiquei sabendo desse disco depois de fazer o post da Amanda Somerville para a sessão Divas do Rock. O disco é a velha fórmula de Metal Opera que muitos imaginam ter começado com o primeiro volume do Avantasia. Vários convidados (inclusive o já obrigatório Michael Kiske) e orquestrações megalomaníacas que tiveram como resultado apenas algumas músicas bacanas em meio as 15 faixas do disco. Para se ter uma idéia a coisa só engrena a partir da quarta faixa (Flight of Torek). Depois temos um monte de barulhinhos, introduções e supostas faixas épicas. Desse imbróglio todo se salva as músicas The Siege of Aina (muito legal), Son of Sorvahr (rápida e animada), Serendipity (baladinha cantada por Kiske), Rebellion (bom metal melódico) e Oriana’s Wrath (verdadeira música épica). A coisa toda fecha com Restoration, a música mais broxante do CD. Compre apenas se tiver coragem.
Por enquanto é isso. Em breve, mais lançamentos.

May 22nd, 2008 at 8:02 pm
Ééééé,caro amigo,tenho a ligeira impressão de que o Heavy Metal acaba de entrar na linha do pátio de manobras.Olho para os lançamentos e vejo muita coisa repetida,como receita de bolo(muito bem lembrado por você).
Aí dá aquela sensação de que,após décadas(décadas?Sim,décadas!)de guinadas,novos sub-estilos,comebacks,o Heavy esbarra em sua limitação mais intensa desde nunca antes.O que não quer dizer que não possa sair,mas vai ter de fazer uma manobra radical!