Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

Indiana Jones é um ícone. Assim como todos os ícones, ele é reconhecido em quase todas as partes do mundo. A temática, estética, música e, acima de tudo, o chapéu, quando apresentados para os espectadores, os levam em uma viajem ao passado e a tempos mais bacanas no cinema, onde o importante era se divertir e passar horas agradáveis assistindo um filme. Nada de dramas densos ou finais melosos. Dr. Jones chegava com suas peripécias, matava muita gente no processo (geralmente com várias piadas visuais) e no final ainda ficava com a garota. Ou seja, o herói macho perfeito.
Depois de vinte anos sem dar o ar de sua graça, o Dr. Henry Jones Junior, mais conhecido pela alcunha de Indiana Jones está de volta em mais uma aventura. Quando encontrei as primeiras informações do filme na internet tive duas decepções. Primeiro que não se tratava de nenhuma caça a algum artefato da cultura judaico-cristã, que rendeu os fantásticos Caçadores da Arca Perdida e A Última Cruzada. Segundo, levando a mesma lógica dos dois filmes citados, Indiana Jones sem Nazistas seria muito chato. Senti falta de Indiana dizendo “Nazistas! Eu odeio Nazistas“. Mas, a curiosidade e vontade de ver novamente o herói usando seu chicote foi mais forte. Ontem a noite me dirigi ao cinema para assistir Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull, 2008), essa nova produção de Steven Spielberg e George Lucas. E posso dizer que não me arrependi.
O filme começa com Indiana Jones e seu amigo Mac’ George McHale (Ray Winstone) sendo seqüestrados por um bando de Russos e levados até um galpão na área 51. O filme se passa em plena década de 1950, auge da Guerra Fria, da corrida armamentista atômica e da paranóia e perseguição por supostos comunistas nos Estados Unidos (tudo isso retratado de forma interessante no filme). Os russos, chefiados por Irina Spalko (Cate “Galadriel” Blanchett) querem encontrar um antigo objeto que o Dr. Jones analisou para o governo alguns anos antes. Claro que no meio da busca Indiana acaba fugindo e causando a maior destruição no processo. Para os saudosistas é possível ver uma referência mais do que explícita ao primeiro filme da série.
Depois dessa cena de ação inicial, o filme engrena em seu mistério principal com a chegada de Mutt Williams (Shia LaBeouf), que vem pedir ajuda ao Dr. Jones para encontrar sua mãe Marion (Karen Allen, bem acabada) e o Professor ‘Ox’ Oxley (John Hurt), que desapareceram na América do Sul procurando uma antiga Caveira de Cristal que seria a passagem para uma cidade perdida feita de ouro. Depois disso temos correrias, pancadas, grandes viagens, muitas piadas visuais e a volta dos russos, mostrando que a pequena aventura do começo do filme tem ligação direta com os acontecimentos do resto da história.
Confesso que sai do cinema meio aturdido. Embora a produção seja muito engraçada e com muita aventura, alguns aspectos me deixaram muito chateados. Alguns momentos do filme mostram cenas que poderiam ter ficado de fora, além de agredirem nossa racionalidade. Um desses momentos é a perseguição em alta velocidade dentro da floresta amazônica. Quem conhece uma floresta tropical sabe que isso é absolutamente impossível. Outro fato constrangedor são as formigas gigantes, que são uma cópia descarada dos escaravelhos carnívoros do filme A Múmia. Outra cena dispensável é a performance de Tarzan de Shia LaBeouf (que aliás, vem aparecendo em uma grande quantidade de filmes nerds) junto aos macacos da selva amazônica. Fora isso, temos os momentos que desafiam a racionalidade, como o fato de despencar de três cachoeiras seguidamente e nem cair do barco.
Mas, o filme está longe de ser ruim por conta desses pequenos problemas. Todos os elementos dos antigos filmes do aventureiro mais famoso do cinema estão presentes. Cabe aqui um pequeno destaque para Harrison Ford que mesmo com 66 anos de idade ainda consegue dar vida ao caçador de tesouros. Claro que suas peripécias só são possíveis com dublês e efeitos especiais, mas tudo está tão sutil que você nem vai perceber.