Essa semana comemorou-se o Dia Mundial do Meio Ambiente. Para marcar a data, o SENAC realizou um evento com palestras e demonstrações de práticas voltadas para a conservação e manejo adequado do meio ambiente. A unidade de Presidente Prudente me convidou para ministrar a palestra “Educação Ambiental e Saneamento Básico no meio Rural”. O tema está inserido dentro das diretrizes da ONU que comemora entre 2005 e 2015 a Década da Água. Todo ano, a ONU elege um tema para ser trabalhado em relação aos recursos hídricos e, em 2008, o tema escolhido para nortear os trabalhos em todo o mundo foi o Saneamento Básico.
Saneamento básico é um tema muito importante. Pode parecer uma discussão que remonta a Era Medieval, mas ainda hoje milhões de pessoas não possuem saneamento básico em suas residências (entendendo por saneamento básico a coleta de lixo, a água encanada e tratada e a coleta e tratamento de esgoto) o que leva a milhares de mortes por doenças advindas da péssima qualidade da água. A situação na zona rural é mais complicada, pois as práticas de saneamento, ao contrario da zona urbana onde o poder público se responsabiliza (em teoria), são responsabilidade dos moradores, que tem que tomar providências para garantir a sua disposição de lixo e esgoto e suprir sua necessidade por água tratada. Porém, o foco principal da palestra foi mais dentro dos conceitos de Educação Ambiental e de Desenvolvimento Sustentável do que atividades práticas de saneamento básico em áreas rurais.
Eu já falei sobre Educação Ambiental por aqui, mas o tema de Desenvolvimento Sustentável é muito mais complicado. Infelizmente, todo mundo usa o termo para se referir a qualquer coisa relacionada com o meio ambiente. Isso está errado, pois muitos não sabem do que estão falando e acabam cometendo erros graves. O primeiro problema é o uso do termo pelos Eco-Chatos. Essas pessoas, que certamente também acreditam em duendes e fadas, propagam que o primeiro dever do Desenvolvimento Sustentável é não agredir o Meio Ambiente e garantir a sobrevivência dos pobres animais. Bem, isso é um engano.
O Desenvolvimento Sustentável é muito mais uma filosofia do que um conjunto de práticas. O progresso deve ser baseado em três características. A primeira é que deve ser ambientalmente equilibrado, explorando de forma racional os recursos. Em segundo, ele deve ser socialmente justo, levando ao aproveitamento da mão de obra local e promovendo o bem estar social. E por último, ele deve ser economicamente viável, pois ninguém investe dinheiro em algo que não vai dar retorno. Se a ação não tiver essas três características, não pode ser chamado de Desenvolvimento Sustentável. Dentro dessas normas, a prática deve seguir algumas outras diretrizes:
- A necessidade dos pobres são prioritárias, ou seja, zonas onde a igualdade social não tiver sido atingida pode promover uma maior exploração do meio ambiente para compensar esse fato;
- O desenvolvimento humano deve ser aplicado em todas as suas facetas, ou seja, tanto social quanto cultural;
- A sustentabilidade não é rígida, ela pode sofrer ajustes para se adequar dentro do planejamento;
- A preocupação com a igualdade social, não só local, mas global, deve permear todo o projeto;
- Os problemas ambientais devem ser pensados em escala global e não somente local;
- Todas as decisões devem ser tomadas a longo prazo;
Levando em conta esses preceitos, acabamos chegando a conclusão que várias empresas que estão se aproveitando do marketing ambiental do Desenvolvimento Sustentável, podem, na verdade, estar colocando em prática atividades que agridam em menor escala o meio ambiente, mas se não estão promovendo a igualdade social, não estão se enquadrando dentro das diretrizes do Desenvolvimento Sustentável.
Ainda falta muito para mudar. Décadas de mudanças para conseguir reverter o quadro e, talvez, como afirmou Carl Sagan, nossa civilização não consiga passar no teste e caminhar para a autodestruição.