Manowar - Fighting the World
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Lendo o Delfos essa semana, encontrei uma sátira sensacional sobre o Manowar. Levando em conta a pose de macho da galera e as roupas ridículas que eles costumam usar, o Corrales propôs que o grupo assuma de vez a sua boiolice e até escreveu uma música especial para esse evento, chamada The Dick of Steel. Eu, que sou fã incondicional da banda (embora já tenha feito críticas aos seus lançamentos), chorei de rir ao ler o texto e o recomendo a todas as pessoas que possuam a capacidade de se auto satirizar.
O Manowar é realmente uma banda que pede para ser sacaneada. O grupo leva a sério (será?) toda aquela temática de guerreiros do metal, gladiadores medievais, reis do metal e todas as alegorias que fizeram sua fama. As fotos promocionais de seus discos são aquele tipo de imagem que causam mais riso do que comoção na internet e realmente podem passar um ar de homossexualidade para o espectador mais desavisado, mas eu como fã não estou nem ai.

O grupo foi criado em 1980 pelo baixista Joey DeMaio. Desde seu primeiro disco, Battle Hymns (1982), o grupo sempre fez uso de uma mitologia baseado em contos fantásticos (bem ao estilo Conan), mulheres, cerveja e velocidade. O discurso sempre é uma variante da defesa do verdadeiro Heavy Metal, morte aos falsos (seja lá o que isso queira dizer) e a invocação de que os fãs do Manowar são os melhores do mundo. Tudo isso criou uma legião de fãs que, infelizmente, acaba acreditando em toda essa encenação artística. Eu pensava que tudo isso era apenas diversão, até assistir ao primeiro show da banda no Brasil. Tem neguinho mais pirado do que os membros do grupo. Medo, muito medo!
A primeira vez que ouvi falar do Manowar eu tinha 15 anos de idade (muito tempo). Fui até a casa de um amigo e ele tinha acabado de conseguir emprestado o disco Fighting the World (1987). Não conhecia nada sobre a banda e, portanto, estava imune a toda a histeria que a cercava, mas mesmo assim fui fisgado. O disco tem duas partes bem distintas. O lado A (para quem não se lembra isso era uma característica dos antigos discos de vinil) possuia músicas bem bacanas, até bem pops para a auto proclamada banda do Heavy Metal verdadeiro. As faixas Figthing the World e Carry on são convites a pular e balançar a cabeça. Rock’n Roll da melhor qualidade e que são executadas até hoje em seus shows. Desse lado ainda temos a mediana Blow Your Speakers e a horrível Violence and Bloodshed (é norma nos discos do Manowar sempre ter uma música horrível). Porém, ao virar o disco, a coisa muda completamente de figura.
O lado B de Fighting the World é simplesmente fenomenal. Se o disco fosse apenas as três músicas contidas nesse lado já valeria a pena pagar pela sua aquisição. A primeira música, Defender, começa com um dedilhado de guitarra e baixo com um clima épico de lascar. Você já imagina guerreiros bárbaros se preparando para a batalha. Metade da música é narrada por Orson Welles, e nada mais é do que uma carta de despedida ao seu filho. Nela, ele diz que partiu para cumprir seu dever e que um dia ele também terá que fazer isso:
“Quando você tiver idade suficiente
para ler estas palavras
seu significado se revelará…
Estas palavras são tudo que resta
embora nunca tenhamos nos conhecido, meu único filho
eu gostaria de estar lá…
para te ver crescer
mas eu ouvi meu chamado,
e tive que ir
agora sua missão se põe a sua frente
como aconteceu comigo a muito tempo atrás…
‘ajudar os que não tem ajuda
que olham para você
e defendê-los até o fim’”
Não sei vocês, mas isso para mim é muito foda (desculpem a palavra). Típica música que me faz tirar a espada do armário e bradar por alguma causa. Depois dessa música e de uma pequena introdução muito chata, temos a segunda música pancada do disco. Holy War segue a mesma linha de Defender, épica e energética, porém com uma pegada mais rápida. Aqui a banda reafirma que o Metal é uma religião e que os hereges tem que ser combatidos:
“Irmãos do metal não conhecem mestres, o metal é nossa religião e a levaremos ao túmulo
Ditadores da terra, nosso amanhecer de glória, todos renasceram, nós vivemos novamente
Mantenha o segredo do exército imortal, nossa última batalha é iminente
Baniremos esses canalhas do nosso reino, abençoe este solo, nossa terra sagrada”
Depois da aula de evangelização temos, o que eu considero, como a melhor música que o Manowar já gravou. Black Wind, Fire and Steel, é uma música rápida e com a bateria mais bacana que o grupo já colocou em andamento. Aqui não temos um tema central. É apenas um vingador do metal que se prepara para seguidas batalhas, ou seja, coisa de macho.
“Eu sou solitário no caminho sem retorno
Punidor e Vingador fui nascido para queimar
O Vento Negro sempre me segue onde meu cavalo negro anda
Fogo está na minha alma
Aço está ao meu lado”

Embora o disco tenha letras ridículas se pensadas do ponto de vista racional, temos que levar em conta que isso não pode ser racional. É arte, música, encenação. É uma viajem a caminhos mitológicos, míticos e aventureiros. Para mim é como ler um gibi do Conan. Apenas diversão. Claro que a banda faz sua parte e coloca tudo a favor de sua música, mas se você leva eles a sério, me desculpe, você está tão errado quando os fundamentalistas religiosos. Relaxe e se divirta.


