A história de Timo Tolkki, ex-guitarrista do Stratovarius, é muito estranha. Algum tempo atrás, por volta do ano de 2005, o guitarrista entrou em crise e mandou todo mundo do Stratovarius embora. Como era um dos criadores da banda e membro fundador ele se achava nesse direito. Depois de um tempo veio até a mídia dizendo que estava em tratamento médico, que estava sobre efeito de remédios muito fortes e que os caras do Stratovarius eram sua família e blábláblá, pediu desculpas para todo mundo e decidiram gravar mais um disco. O resultado foi o disco Stratoravius (2005), um dos piores da carreira da banda.

Agora, Timo Tolkki voltou a atacar. O cara pegou todas as músicas que seriam o novo álbum do Stratovarius, mandou a galera as favas, chamou um monte de convidados e formou uma nova banda chamada Revolution Renaissance, lançando o álbum New Era. Claro que tudo isso é muito estranho e soa como mais um episódio de uma mente psicótica, mas o problema de Timo Tolkki é que ele tem um EGO enorme, gigantesco mesmo. Chego até a afirmar que é maior que o de Yngwie Malmsteen. Mas, o que interessa aqui é o disco e não se o cara é louco.

New Era sofre, basicamente, de um problema normal dentro do Heavy Metal Melódico: Ele é muito comum. Isso mesmo, quase tudo que encontramos no disco já foi feito por outras bandas e pelo próprio Stratovarius. Aliás, esse é um problema grave do disco, pois muitas músicas foram feitas claramente para a ex-banda de Tolkki e algumas especificamente para o estilo vocal de Timo Kotipelto. Ou seja, em alguns momentos você tem a nítida impressão de que é o Stratovarius e não uma banda nova que está rodando em seu aparelho de som.

A banda não possuí uma formação permanente. Todos os músicos e vocalistas são convidados especiais. Nos vocais encontramos Tobias Sammet (Edguy, Avantasia), Pasi Rantanen (Thunderstone) e Michael Kiske (ex-Helloween). A diversidade vocal do álbum é o ponto forte e ao mesmo tempo fraco do disco. Como era um projeto novo Tolkki se cercou de pessoas com história no Metal para alavancar o disco. Embora Pasi Rantanen tenha uma voz forte e bem colocada, Tobias Sammet já encheu um pouco a paciência com seu vocal meloso e arrastado, porém o ponto crítico é Michael Kiske.

Todo mundo sabe que o ex-Helloween é usado há muitos anos para dar notoriedade para bandas novas. E também é de conhecimento público que ele não sai de casa por pouco dinheiro. Mas, mesmo sendo pago, Kiske faz exigências quanto às músicas que vai cantar. Elas devem seguir o atual estilo do cantor e não estar muito ligadas ao Heavy Metal Clássico. O resultado disso é que as músicas que ele canta são as únicas diferentes do disco e, por conseqüência, as melhores. Mas, infelizmente, não passam de uma jogada de marketing para dar impulso ao disco. Muito triste. Ouçam a música I Did It My Way e vão perceber o que estou falando. Em meio ao Metal Melódico a música é um hino Hard Rock. Totalmente diferente do resto da proposta do disco.

Em resumo, é um disco que o fã vai gostar, mas não trás nada de revolucionário ou que seja lembrado daqui a seis meses. Existem discos melhores sendo lançados nesse ano e de bandas com pouca experiência, mas com muita vontade.