
Vampiros, será que existe tema mais fascinante e explorado ao extremo dentro da literatura fantástica e dos filmes de horror? Alguns dizem que a criatura pode ser enquadrada dentro dos Arquétipos Junguianos, visto que a figura do predador humano que bebe sangue, também uma metáfora para a vida, existe, de uma forma ou de outra, em quase todas as culturas. Difícil explicar o fascínio que esses seres da noite exercem sobre a humanidade. Talvez, parte dessa admiração atual deva-se a série de livros escritos por Anne Rice, onde o Vampiro Lestat se mostra sensual e mortal ao mesmo tempo.
Na literatura nacional, poucos autores conseguem explorar de maneira eficiente o assunto. Talvez pela falta de tradição dentro da literatura de terror ou simplesmente uma inexistência de investimento das grandes editoras para autores e livros que exploram o tema. Eu, particularmente, aposto na segunda alternativa. Público para esse tipo de livro existe, o que falta são bons autores e investimentos em livros. O sucesso de André Vianco e seus Vampiros ora sensuais, ora bestiais, é prova de que é possível investir e ter retorno com esse tipo de literatura.
Mas, ao que parece, outros expoentes desse gênero estão surgindo. É com prazer que chegou as minhas mãos o livro Alma e Sangue: O despertar do Vampiro, da autora Nazarethe Fonseca. Embora o livro seja de 2005 só agora consegui ler sua história. Na trama, um Vampiro, chamado Jan Kman, desperta de um longo sono em um velho casarão na cidade de São Luiz. O seu sono é perturbado pela presença de operários que estão trabalhando no projeto de restauração do imóvel. Ao despertar, o ser da noite se apaixona pela chefe do projeto, Kara Ramos. O Vampiro está convencido de que Kara é a reencarnação de um antigo amor. Porém, Kara só quer se ver livre da criatura. Durante a trama muitas coisas são explicadas e várias reviravoltas acontecem.
O livro é interessante, porém sofre de alguns problemas. A história é contada em forma de flashback e em alguns momentos fica um pouco confusa. A continuidade de algumas cenas também sofre cortes abruptos levando o leitor a se perder na trama. As vezes os personagens chegam a certas situações sem explicações prévias. Talvez falte o trabalho de um bom revisor para alertar a autora sobre esses problemas. Outro ponto negativo é que a história se torna um pouco cansativa perto do final. Vários fatos sem importância acontecem para adiar a chegada do momento final. De resto, ela segue a linha já consagrada por Anne Rice ao criar um ser sensual, poderoso e ao mesmo tempo mortal, porém sem a mesma classe da escritora americana. Jan Kman não está a altura de um Lestat, mas o apelo do personagem é muito forte.
O livro, embora com esses pequenos defeitos, é muito bom. Passei pelas suas 432 páginas em três dias e estou louco para ler a continuação. Uma característica que a autora parece ter herdado de André Vianco, que, aliás, assina o prefácio do livro, é deixar a história inacabada e com várias pontas soltas, justamente para gerar uma continuação ou quem sabe, várias continuações. Embora seja um livro que era desconhecido para mim, parece que a autora já possuí uma certa notoriedade no underground literário por conta desse lançamento e uma pequena legião de fãs. O livro já possuí uma continuação chamado Kara e Kman: uma saga de alma e sangue. Mais um para a lista de compras de fim de ano.
Saudades de vc Gilson Imperador !!!!!!!!!!!!
eu adorei o livro e acho que a saga de continuar!!!