Existe uma antiga afirmação que diz que o vinho fica melhor com o tempo. Isso também pode ser aplicado a algumas bandas de Rock. Pode parecer contraditório, mas as bandas mais experientes são responsáveis por álbuns que seguem fórmulas mais tradicionais, porém também nos apresentam as mais competentes. Nada como a experiência para gravar um bom álbum. Nesse fim de ano tive o prazer de ter em mãos três ótimos exemplos de como a idade pode ser um fator positivo para lançamentos musicais.

Queem + Paul RodgerThe Cosmos Rock

Polêmica envolvendo esse disco. Vários fãs mais puristas adoram dizer que o Queen sem Freddie Mercury não deveria voltar a gravar e excursionar sem mudar o nome da banda. Muitos dizem que a alma da banda era o antigo vocalista. Concordo que o talento descomunal de Freddie era parte importante da mágica que a banda proporcionava, mas os outros integrantes também eram engrenagens importantes da máquina e possuem todo o direito de capitalizarem encima da lenda criada durante os anos 80. Ouvindo esse novo disco do Queen temos certeza que boa parte da mágica se foi, que Paul Rodgers não chega nem no joelho de Freddie e o baixo cadenciado de John Deacon faz muita falta, mas Brian May e Roger Taylor ainda são os melhores naquilo que fazem e o disco se mostra competente em entreter. Cosmos Rocks é um disco animado e simples de ser digerido. Não espere nenhum clássico absoluto da música e sim composições divertidas e com apelo pop. Algumas músicas possuem mais qualidades do que outras, mas o resultado geral do disco é muito positivo. Perfeito para se ouvir em momentos de nostalgia.

Alice CooperAlong Came A Spider

Devo admitir que não ouvia nada do Alice Cooper desde o disco Brutal Planet que, em minha opinião, era muito brutal. Sempre gostei mais do Alice Cooper dos anos 80, mais teatral e com grande influência do Hard Rock. Porém, esse último disco me chamou a atenção pela notícia publicada no Whiplash sobre a censura sofrida em uma encenação da música Vengeance Is Mine em um programa de televisão americano. Along Came a Spider é um disco temático que foca na história de um Serial Killer. Na referida encenação, Cooper em um certo momento estrangula uma garota. O disco, que possuí uma participações especiais de Slash (Velvet Revolver) e Ozzy Osbourne, está na linha do Rock Horror que Alice praticava durante os anos 70 e começo dos anos 80. Uma aula competente de como fazer música divertida. O disco tem 11 faixas bem construídas e que não ficam datadas, mesmo tendo muito do que o artista fazia no passado. Destaque para o ótimo video clipe da música Vengence is Mine e para a presença de Eric Singer (ex-Kiss) no controle das baquetas

AC/DCBlack Ice

Esse disco causou muita discussão nos últimos meses. E não era para menos, a banda é uma das mais famosas do mundo, responsável por verdadeiros clássicos do Rock, e não lançava nada novo desde 2000. Black Ice é um disco fenomenal. Músicas dançantes e com um apelo blues contagiante. Rock ‘n’ Roll Train abre o disco de maneira fenomenal e mostrando qual vai ser o conteúdo da bolachinha. Outras músicas muito bacanudas são Big Jack, Anything Goes e Wheels. O único problema do disco é a sua duração. são 15 faixas muito parecidas que podem levar o ouvinte a se cansar um pouco. Uma tática para esse tipo de disco é nunca passar de 30 minutos de duração. Porém, esse é um detalhe que não compromete esse incrível lançamento. Os velhinhos estão de volta com um disco bem melhor do que os últimos lançamentos e com músicas que vão fazer você sair pulando pela casa.

Agora é pegar o mp3 player, gravar todas essas músicas na memória e curtir esses futuros clássicos.