Algum tempo atrás meu amigo Bion me convidou para uma blogagem coletiva pedindo o fim da violência contra os palestinos na Faixa de Gaza. Enquanto pensava sobre esse texto, também tive a oportunidade de assistir ao filme Zohan – O agente bom de corte (You Don’t Mess with the Zohan, 2008), onde Adam Sandler interpreta o agente contra-terrorista Zohan, que está cansado da violência da guerra e só quer ir para a América e se tornar cabeleireiro. O filme é mediano e exagerado em algumas partes, mas trás um pensamento interessante na sua moral. Que merda é essa que acontece no Oriente Médio?

Para quem não conhece a história da coisa, depois da 2º Guerra Mundial, os países europeus, reunidos na recém criada Assembléia da ONU, se sentiram culpados por séculos de perseguição contra os judeus que culminou na Solução Final dos Nazistas nos campos de concentração. Para consertar essa grande injustiça, e seguindo o modo bizarro de pensar ocidental, eles resolveram fazer outra injustiça. Criaram um país para os judeus no centro de um território árabe onde os moradores originais não ficaram muito felizes com essa história. Logo após a criação do novo país, o inevitável aconteceu. Israel foi invadida e só se segurou por conta do apoio bélico dos Estados Unidos e de outros países que acharam interessante ter um território democrático que o apoiasse naquela região.

Depois dos primeiros ataques, Israel manteve seu território e ainda invadiu novas áreas, que são os objetos de discórdia nos dias atuais. Depois desse rocambole geopolítico eu me pergunto se existe maneira de apaziguar os ânimos nos dois lados. Os palestinos têm direito de reclamar seus direitos, assim como gerenciar de maneira autônoma seus territórios. Por outro lado, Israel não vai desaparecer e nos últimos anos tem conferido concessões aos palestinos que pareceriam impossíveis uma década atrás. Acordos de paz foram assinados, colonos judeus foram realocados e o conflito continua igual. A que se deve isso? Radicalismos existentes dos dois lados, mas digo que de maneira mais fanática do lado dos palestinos.

Antes que me joguem pedras e me acusem de apoiar o massacre das populações civis, digo que sou absolutamente contra isso tudo. Mas, como pode uma potência militar aceitar ser atacada diariamente por mísseis vindos do país vizinho? Existe o argumento que são mísseis de pouco alcance e com poder destrutivo limitado, mas ainda assim causam mortes. Se a situação fosse com um de nossos vizinhos, o Paraguai por exemplo, a população inteira do Brasil iria exigir a aniquilação dos terroristas e tudo isso com apoio da mídia. O que torna a situação dos palestinos mais grave é o aparente apoio velado (nunca assumido) do governo aos atos terroristas.

Israel tem o direito de extirpar às ameaças ao seu território? Sim. Os civis palestinos devem ser protegidos dos ataques militares? Sim. Existe algum inocente nessa história? Não. Os dois lados são culpados por seus extremismos, mas temos que admitir que Israel foi o lado que mais cedeu até agora. Cabe aos palestinos darem um fim a suas milícias armadas e se forçarem a viver em paz com os israelenses. Só assim o processo de autonomia da região vai se consolidar e os acordos de paz vão ser seguidos.

P.S. – A história da formação do Estado de Israel é muito mais complicada do que o mostrado aqui. Para ver como a coisa é mais maluca do que aparenta é só dar uma olhada no verbete da Wikipedia.