
Sim, eu fui ao cinema para ver um filme nacional. Não tenho vergonha de admitir que tenho um pouco, ou muito, preconceito contra as produções cinematográficas de nossas terras. Os diretores e roteiristas de terras tupiniquins confundem entretenimento com engajamento social/político/ideológico e são todos propensos a criarem obras de arte, ou seja, são metidos a besta. Para o cinema nacional ser comercialmente viável e não ficar dependendo para o resto da vida do patrocínio da Petrobras, é necessário fazer filmes para entretenimento. Gosto de entrar no cinema e passar algum tempo agradável e divertido, afinal de contas estou pagando. Não que eu seja contra o cinema com engajamento político, mas quando ele se torna uma constante e sendo mal feito fica tudo muito chato.
Felizmente as coisas estão mudando e alguns diretores estão sacando que existe público para o cinema nacional bem feito e dinâmico. Ontem, feriado municipal aqui no sertão sorocabano, fui ao cinema para assistir Se eu fosse você (2008). Com tantas opções no cardápio do cinema, essa seria minha última escolha, mas havia um fator externo muito importante que me fez assistir a esse filme (uma mulher, claro). Porém, não me arrependi. Para falar a verdade o filme me proporcionou as melhores gargalhadas dos ultimos meses.
Filmes de troca de personalidade não são novidades. O cinema americano já produziu ótimas comédias abordando o tema, sendo que a última memorável foi Uma Sexta-Feira muito Louca (Freaky Friday, 2003) com Lindsay Lohan e a rainha do grito Jamie Lee Curtis. Porém, as comédias americanas sempre trazem o embate entre gerações. Sempre são pais e filhos ou mães e filhas que acabam trocando de corpo, mas a moral é sempre a mesma, aprender a ver as dificuldades do outro com seus olhos. No cado desse Se eu fosse você 2, a troca acontece entre marido e mulher.
Na história, o casal Claudio (Tony Ramos) e Helena (Glória Pires) estão passando por um grave problema conjugal. Em meio ao processo de divórcio e a notícia de que sua filha adolescente está grávida, acontece um evento cósmico e os dois acabam trocando de corpos. Claro que o tal evento não tem explicação nenhuma, mas isso não é importante para a história. O telespectador pode encarar isso como uma grande sacanagem divina. Com essa nova realidade, os dois precisam tentar segurar a barra do casamento de sua filha enquanto tentam salvar seu próprio relacionamento.
Como deu para perceber, a história é bem simples e nada original, mas o que atrai no filme são as incríveis sacadas cômicas da adaptação dos personagens trocados. Por exemplo, Tony Ramos, que está possuído pela personalidade de sua mulher, tem que lidar com o amigo machista e relaxado com quem está dividindo o apartamento e tem que encarar uma partida de futebol. Por outro lado, Glória Pires tem que controlar uma personalidade masculina estourada e ainda da conta dos hormônios de seu corpo. Os dois atores estão ótimos em suas interpretações. Encará-los apenas como os personagens sem conteúdo das novelas pasteurizadas da Rede Globo nos fazem esquecer que eles são ótimos atores. Nada como um trabalho diferente para tirar as teias de aranha das engrenagens.
O elenco de apoio está muito bom também, embora não brilhe como os protagonistas. Chico Anysio está muito bem em sua pequena ponta e é com ele que acontece uma das cenas mais engraçadas do filme. Não tanto pela cena, mas pela reação e a fala em resposta ao que lhe aconteceu (Agradecemos pela preferência). Não esperava nada menos do Rei do humor nacional.
Se você é preconceituoso como eu, abra uma brecha nessa muralha e de uma chance a esse filme. Garanto que não vai se arrepender. Mas, se por outro lado, você não tem problema nenhum com filmes nacionais, então o que está esperando para ir ver esse?
P.S. – Hoje esse blog está comemorando 4 anos de existência. Parabéns para mim, hehe.
Antes de mais nada, parabéns pelos 4 anos.
Tem um filme australiano com esse mesmo mote, do casal que troca de corpo. É com o Guy Pearce, um pouco antes da fama em Hollywood, vale a pena ver.
O maior problema dos patrocínios da Petrobrás e afins é aquela tela preta com 200 propagandas, já vi o cinema inteiro dar gargalhada disso.
O problema do cinema nacional que não é “engajado”, como você diz, não é a falta de produções, mas sim a falta de divulgação das produções.
Procure assistir Ainda Orangotangos, Nossa Vida Não Cabe Num Opala, Se Nada Mais Der Certo e alguns outros títulos que se passam longe das favelas brasileiras.
Acho que você vai gostar…
Gilson
Parabéns pela data hein?
Um abraço rapaz!
Pois é, fui ver e me surpreendi. Sério mesmo, é divertido. Dá para acreditar? E eu que acho o Daniel Filho meio safado…
Eu também assisti, e num cinema foda, com aquelas cadeiras de papai que deitam!!!
O filme é fodasticamente engraçado, dei várias gargalhadas.
Abração
ola amigo,
estou morando em orlando e um pouco afastado de tudo ai no brasil, mas de vez em quando eu tento me atualizar,
gracas a deus que o cinema brasileiro esta sendo feito tambem longe das favelas e ainda mais sendo feito perolas maravilhosas e que tenho orgulho de falar pra todos aqui em usa, como e’ o caso de “se eu fosse voce”, “entre lencois” e tantos outros…
tony ramos e gloria pires sao maravilhosos, parabens ao nosso cinema…
jorge chaparral – pernambucano de olinda