Nicolas Cage é um cara que faz filmes em escala industrial. Só nesse ano ele vai estrelar 5 filmes. Suas últimas produções foram tão comuns que evitei ir ao cinema e esperei pelo lançamento dos filmes em DVD. Não que eu não goste do ator, é que ele faz parte do seleto grupo de atores americanos (entre eles Keanu Reeves e Summer Glau) que possuem apenas uma expressão facial. Sentindo raiva ou alegria, o rosto não muda. Por isso ele sempre participa de filmes com temas bem específicos. Geralmente alguém que chega para resolver um problema, o cara durão. Mas, não estou falando que isso é uma coisa negativa. É apenas previsível.

Porém, hoje fui convencido por certa pessoa que deveria ir assistir ao novo filme do ator. A única coisa que sabia de Presságio (Knowing , 2009), é um pôster gigante que se encontra na entrada do cinema. Isso foi bom, pois fui assistir ao filme sem nenhuma expectativa, o que pode levar o espectador a analisar ao filme sem influência externa. E devo dizer que gostei bastante do que vi. O filme começa mostrando a pequena e esquisita Lucinda Embry (Lara Robinson), aluna de uma escola primária na década de 50. Os alunos de sua sala tinham como tarefa fazer um desenho sobre como seria o futuro. Esses desenhos foram colocados em uma cápsula do tempo que seria aberta cinqüenta anos depois. A pequena Lucinda, que o espectador já nota ser um subproduto de um filme de terror japonês, não faz nenhum desenho. Apenas um emaranhado de números que, aparentemente, não possuem nenhum tipo de relação entre si.

Cinqüenta anos depois, o astrofísico e professor do MIT, John Koestler (Cage), vai com seu filho a cerimônia de abertura da cápsula do tempo. O filho de John, Caleb (Chandler Canterbury), pega a pequena obra de Lucinda, que chama a atenção de seu pai que começa a procurar um sentido para a seqüência de números. Logo, John descobre que são previsões. Os números indicam datas e números de mortos dos maiores acidentes que aconteceram nos últimos cinqüenta anos. De alguma forma, a menina conseguiu prever esses eventos catastróficos. O pior é que no fim da lista, ainda existem três grandes desastres que ainda não aconteceram.

Desse momento em diante o filme realmente decola. John começa a afundar em um labirinto meio fanático, pois sente um senso de dever para tentar deter esses eventos. Ao mesmo tempo, o lado racional de seu cérebro entende que aquilo é maluquice e que prever o futuro não pode ser explicado pela ciência. Toda essa experiência abala seu lado cético em relação a vida, pois para ele é inconcebível acreditar em um poder superior guiando nossas vidas. A história, que começa como um suspense, passa logo para um filme de catástrofe e termina como ficção científica, mas nem por isso fica chato ou inconsistente.

A película, foi dirigida por Alex Proyas, que é lembrado no pôster do filme por ter dirigido Eu, Robô (I, Robot, 2004), mas gosto de lembrar do diretor pelo megafodastico filme Cidade das Sombras (Dark City, 1998), feito a 11 anos atrás. Destaque obrigatório para as cenas de catástrofe. A cena do metrô é ótima, mas a queda do avião é fantástica. Realidade ao extremo e ótimos efeitos especiais. O filme tem 121 minutos de duração, mas passam rapidamente para o expectador. A história é bem amarrada e com poucos furos, mas possuí um final aberto a várias interpretações. Eu recomendo.