Finalmente tomei coragem e comprei a primeira e segunda temporada da minissérie Roma, produzida e exibida pelo canal HBO. Digo finalmente, porque esse é um velho desejo. Não sei bem o motivo, mas tenho fascínio por duas grandes civilizações do passado. A Romana e a Egípcia. Ambas foram poderosas, dominaram quase tudo que era conhecido do mundo civilizado em sua época e tiveram uma queda propiciada por sua corrupção e desavenças internas. Porém, filmes sobre gladiadores e a Roma Antiga são muito mais freqüentes.
Desde que vi o anuncio dessa minissérie tive vontade de assistir ao seu conteúdo. Agora, por conta das diversas promoções que os grandes sites de vendas estão fazendo com caixas de séries e filmes, foi possível comprar as duas temporadas em uma só tacada. Mês que vem é a vez de Band of Brothers.

A história mostrada nos 20 episódios da minissérie cobre um dos mais conturbados períodos da historia da Roma Antiga que veio a culminar com o fim da República e o início do Império Romano. No primeiro episódio conhecemos todos os personagens principais e descobrimos que Caio Júlio César está em campanha na Gália para dominar aquelas terras. Em Roma, seus adversários políticos tramam junto a Pompeu para barrar o crescente poder de César. Depois de várias intrigas e de uma guerra civil, Pompeu acaba assassinado e César retorna a Roma para ser eleito Ditador Vitalício. Porém, depois de um plano organizado por vários Senadores, que viam seu poder sendo diminuído diariamente, César foi assassinado em uma sessão do Senado. Esse primeiro arco da história é contado nos 10 primeiros episódios que compõem a primeira temporada.
Na segunda temporada, percebemos que nada se resolveu com a morte de César. Seu braço direito, Marco Antônio, e seu herdeiro oficial, Gaius Octavio Cesar, lideram forças contra os senadores que planejaram a morte de César, cujo membro mais proeminente é Marcus Junius Brutus. Depois de derrotar o inimigo em comum, eles acabam se virando um contra o outro e a guerra e disputas só terminam em 31 A.C. quando Marco Antônio e Cleópatra morrem no Egito e Otávio se transforma no primeiro Imperador Romano.
Para quem está esperando um banho de sangue, a série pode ser uma decepção. Por conta da complexidade em se orquestrar grandes batalhas, mesmo sendo a série mais cara da TV mundial, custando cerca de U$ 100 milhões por temporada, os grandes conflitos são apenas citados. Apenas uma das batalhas (na 2º temporada) é mostrada, e mesmo assim em partes. O resto do desenvolvimento da história se passa nos corredores dos palácios com suas conspirações e traições. Aliás, o nível de corrupção dentro da máquina administrativa romana, que era uma coisa até institucionalizada, faz com que os políticos brasileiros sejam meros aprendizes. Porém, a caracterização histórica dos personagens e dos locais é muito boa. Temos uma boa idéia de como era viver em Roma naquela época. Outro ponto positivo é a real caracterização de toda a logística envolvida em se manter um exército tão grande. Não basta ter 100 mil homens ao seu lado. Você precisa pagar o salário dessa galera e alimentá-los durante todo o período da guerra.
Mas, vamos ser justos. Dentre as dezenas de personagens históricos envolvidos na trama, os dois personagens principais são dois plebeus que estão inseridos na trama para serem os olhos das pessoas comuns sobre todos os assuntos que estão sendo tratados. Eles são o Centurião Lucius Vorenus (Kevin McKidd), que se mostra um homem honrado e totalmente devotado aos Deuses, e o Legionário Titus Pullo (Ray Stevenson), que adora a violência e sabe que a guerra é a única coisa que sabe fazer direito. Os dois são colocados juntos para recuperarem o estandarte de César que é roubado por seus inimigos logo no primeiro episódio. Depois disso, uma intrincada rede de acontecimentos faz com que eles permeiem toda a rede de relacionamentos e poderes do império e, acima de tudo, se tornem grandes amigos. Para falar a verdade, você fica impaciente quando a história deles é interrompida para contar alguma intriga palaciana. Você quer saber o que vai acontecer com os dois soldados que, ao fim do vigésimo episódio, se tornam verdadeiros irmãos.
Roma não é perfeita. Em alguns momentos da série você fica até com um pouco de sono. Mas, ela é primorosa na reconstituição dos acontecimentos históricos. Talvez, por conta disso, a história de Lucius e Titus seja mais interessante. Afinal de contas, você já sabe o que vai acontecer com os personagens históricos. A grande aventura fica realmente com os plebeus.