Essa semana, estava passando pela minha banca de revistas favoritas para ver se tinha sido publicado algo de novo dentro do ramo da fotografia quando encontrei uma coisa que me transportou automaticamente para o passado. A Panini publicou uma versão especial comemorativa da história A Piada Mortal, escrita pelo gênio dos quadrinhos Alan Moore e desenhada por Brian Bolland, que tem como base do argumento mais um dos confrontos entre Batman e o Coringa. Porém, não é um confronto qualquer.
Na história, temos um Batman preocupado com o eterno confronto com o palhaço do crime e prevendo que no final um vai acabar matando o outro. O que Batman quer oferecer ao Coringa é uma forma de ajuda, de redenção, um ponto final para o eterno confronto. Porém, o Coringa está cada vez mais louco, provando que não existe outro caminho para os dois que não a destruição mútua. Talvez, o que tenha marcado nessa história, de pouco mais de 40 páginas, sejam os fatos inesperados e a violência que se encontra no enredo.
Essa é a celebre história em que o Coringa atira na filha do Comissário Gordon, Barbara (que já tinha sido a Batgirl) deixando-a paralitica. Não satisfeito com isso, ele tira a roupa da garota e faz diversas fotografias para serem utilizadas como instrumento de tortura psicológica contra seu pai. Um momento antológico nas histórias em quadrinhos. Creio que a única comparação que podemos fazer seria com a história sobre a morte de Robin onde, mais uma vez, o vilão escolhido para o assassinato é o Coringa. Mas, nem só de violência vive o enredo. Temos aqui um forte componente psicológico vivido pelos momentos em flash Back do Coringa. No fim, podemos até acreditar que o Coringa não quer redenção pelo simples fato de acreditar que não a merece. Ser louco é uma maneira mais fácil e covarde de encarar a vida.
A edição que tenho em mãos é um primor de qualidade. Capa dura e páginas especiais. Fora a história original, temos também “Sujeito Inocente“, uma pequena história escrita e desenhada por Brian Boland, além da recriação da primeira história onde Batman e Coringa se enfrentaram, que foi escrita e desenhada pelo próprio Bob Kane em 1940. Porém, a parte mais bacana é a introdução escrita por Tim Sale, contando toda a importância da história para sua geração, e o Posfacio escrito pelo próprio desenhista da obra. Brian Bolland fala um pouco sobre o processo de criação da história, como foi trabalhar com Alan Moore, e conta porque essa edição comemorativa foi totalmente recolorida. Outra grande adição foi a presença de alguns esboços originais da obra e o auto retrato que Bolland fez no espelho e que serviu de base para desenhar a capa da edição.
Lendo o relato do desenhista me animei em saber que não sou o único que procura um sentido mais obscuro para a piada contada no final da história. Talvez ela seja sem sentido e o objetivo seja que cada leitor tire suas próprias conclusões. Edição primorosa e que deveria ser encarada pelos péssimos desenhistas atuais da DC Comics como um livro didático. A atual safra de desenhistas da editora são o motivo pelo qual parei de comprar revistas em quadrinhos.
