Como todo mundo com mais de 30 anos de idade, eu também era fã do desenho G.I.Joe (Comandos em Ação no Brasil). Nem lembro qual programa infantil apresentava a atração (Xuxa? TV Colosso?), o que importa é que adorava ver o eterno embate entre a força especial do exército e o grupo terrorista liderado pelo Comandante Cobra. Como todo desenho voltado para o público infantil, tudo era muito maniqueísta, com o bem e o mal bem definidos. Outra constante na produção é que, independente das bombas, balas e outras armas utilizadas, ninguém morria. Um paradoxo também encontrado no antigo desenho do Rambo.
Porém, assim como Transformers, o desenho existia para vender uma linha de brinquedos da Hasbro. Quem nunca sonhou em ter um boneco (ou action figure) dos G.I. Joe que jogue a primeira pedra. Eu cheguei a ter alguns, mas nunca tive nenhum dos incríveis veículos de combate. Aliás, essa era uma das táticas mercadológicas do desenho para venda de brinquedos. Um número absurdo de veículos e aviões de combate era apresentado a cada episódio. A molecada ficava vidrada na televisão. Ao assistir um episódio hoje é provável que não agüente até o final. O que era ótimo naquela época pode ser primitivo agora.

Essa pequena história poderia ficar trancada no porão da nostalgia de muito marmanjo se não fosse a grande e poderosa Hollywood, onde tudo se transforma e muito pouco se cria, colocar em prática os planos para uma adaptação do desenho animado. Em tempos de bilheterias monstruosas de Transformers, por quê não arriscar em mais uma adaptação desse tipo? Quando vi o primeiro trailer do filme, logo pensei que a coisa não iria funcionar muito bem. Tudo muito grandioso e, aparentemente, sem argumento nenhum. Mas, me enganei. Não que o filme seja uma obra prima. Impossível esperar algo assim desse gênero caça níquel, mas a produção garante uma boa diversão sem muito compromisso.
Na história, tudo gira em torno da posse de uma arma super avançada construída a base de nano robôs. Uma organização terrorista tenta roubar a engenhoca para poder usar em seus planos nefastos e cabe ao grupo militar de elite chamado G.I.Joe impedir que ela fique em mãos erradas. Pronto, o argumento é só isso. O resto é correria, explosões, malabarismos e muitos efeitos especiais. Do desenho original, temos os principais personagens, como o General Hawk (Dennis Quaid), Duke (Channing Tatum), Ripcord (Marlon Wayans), Snake Eyes (Ray Park), Destro (Christopher Eccleston), Baronesa (Sienna Miller), Storm Shadow (Byung-hun Lee) e o Comandante Cobra (Joseph Gordon-Levitt).
O que confere um pouco de identidade ao filme é, sem dúvida, algumas atuações. Dennis Quaid está contido, mas não dá para fazer muita coisa interpretando um general durão.E também sou um grande fã do ator, então não esperem imparcialidade aqui. Channing Tatum e o comediante Marlon Wayans não deixam a peteca cair e transformam o filme em uma experiência muito divertida. E lembrando que é sempre bom ver Ray Park fazendo seus malabarismos. Destaque para a grande batalha no final do filme com dezenas de veículos e armaduras muito bacanas.
Esse é um filme que não vai mudar sua vida, mas vai lhe propiciar duas horas de muita diversão. E para finalizar Iooooooo Joe.