Estou cada vez mais chegando a conclusão que o Iron Maiden está mais mercenário do que o Kiss, afinal de contas, ganhar grana é necessário. Se bem que a volta de Bruce Dickinson e Adrian Smith para a banda não poderia ser vista de forma diferente. Mas, pelo menos agora os solos das músicas antigas são tocados de maneira competente.
Assumindo de vez sua vertente mercadológica, a banda iniciou uma enorme turnê mundial intitulada Somewhere Back in Time, onde o objetivo (além de faturar) é relembrar os sucessos da fase mais criativa dos membros do grupo. Tudo que foi produzido até o álbum Fear of the Dark (1992) entrou nessa nova turnê que já rendeu uma coletânea lançada ano passado e agora também virou um documentário sobre a experiência. Muitos estão chamando essa de a maior turnê da história do Rock. O documentário, intitulado Flight 666, registrou 45 dias da turnê com direito a bastidores, shows, entrevistas e toda a loucura dos fãs. Foram 70 mil quilômetros, 13 países, mais de meio milhão de espectadores, e tudo isso usando como meio de transporte o avião da banda pilotado pelo próprio Bruce Dickinson.

Óbvio que esse documentário também rendeu uma trilha sonora ao vivo, que tenho agora em minhas mãos. O disco é duplo e possui 16 musicas que compreendem o que foi criado pela banda entre os anos de 1980 e 1992. Encontramos aqui clássicos como Aces High, Revelations, Rime of the Anciente Mariner (a melhor música já feita com o rótulo heavy metal), Run to the Hills, Fear of the Dark, e muitas outras. O disco é divertido e nos lembra de um tempo que não volta mais, mas nem por isso é perfeito. Odeio a equalização que está sendo empregada nos shows atuais da banda. Tudo fica muito estridente e sem personalidade. Outro problema é que a atual fase serelepe de Bruce no palco está comprometendo sua capacidade vocal. Os caras não são mais moleques e, em minha opinião, é melhor cantar do que ficar pulando.
No mais, faltaram algumas músicas bacanas e outras nem tanto acabam entrando na seleção. The Clairvoyant é uma música apenas mediana, enquanto Bring Your Daughter… to the Slaughter (embora com letra boba) é uma composição que fica ótima ao vivo, assim como Holy Smoke. E como assim não tem Sanctuary no final? Outro aspecto negativo desse CD é que assim que começa a tocar Churchill’s Speech e em seguida entra a Aces High você imediatamente tira o disco do aparelho de som e coloca para tocar o Live After Death, esse sim um puta disco ao vivo.
Mesmo com todos esses pequenos defeitos, um fã da banda tem que ter esse novo lançamento. Acaba se tornando uma obrigação, mas é um disco que vale a pena. Principalmente para quem não conheceu a banda em seus tempos áureos.
Para quem se interessou é só comprar o CD no Submarino, que está apresentando um preço muito bom.