Sinceramente, eu não entendo certas coisas que acontecem no Brasil. Ano passado, as mulheres fruta fizeram um sucesso gigantesco mostrando a bunda em todos os lugares que foram. E só isso. Não tinham inteligência e nem talento para qualquer tipo de arte. Apenas mostraram o corpo e todo marmanjo ficou feliz, pediu autógrafo, posou para foto ao lado e não tinha vergonha de dizer que gostava da criatura. Algumas dessas frutas ficaram famosas até entre crianças, o que pode até ser considerado como esquisito. Quando pensamos que a questão do irracional moralismo tupiniquim estava enterrada, acontece um caso como da Uniban, justamente entre seres Universitários que deveriam, pelo menos em tese, terem a mente um pouco mais aberta.
Acho que todo mundo aqui já sabe o que aconteceu. Em uma bela noite a aluna Geisy Arruda (foto abaixo) foi assistir aula do curso de Turismo com um vestido muito curto. Em vez de reclamarem de maneira civilizada que a roupa da garota não era condizente com o ambiente universitário sério, os alunos preferiram hostilizá-la e se formou uma turba raivosa digna dos melhores linchamentos da Idade Média. O caso foi tão grave que foi necessário a intervenção da polícia para que a moça deixasse o local em segurança. Graças aos confortos da tecnologia, vários celulares filmaram o que aconteceu, tirando a responsabilidade da divulgação verbal da história.
Aqui temos dois pontos a serem analisados, e os dois são culpa da banalização do ensino superior no Brasil. As diversas fábricas de diploma que encontramos pelo país nos mostram que essa modalidade de ensino é uma enorme feira pública. Se você pode pagar já tem o seu diploma garantido. O primeiro ponto é que a aluna realmente foi a aula com roupas que não condizem com o ambiente universitário, mas cabe a Instituição de Ensino moldar essas normas. Se a Universidade não se pronunciou sobre a postura da aluna então entende-se que é permitido usar qualquer roupa. O segundo ponto é a questão da postura moral dos alunos, Não existe justificativa para hostilizar uma pessoa por conta das roupas que ela usa, sua cor de pele ou religião. A formação de um grupo irracional como o que foi vistos no vídeo só mostra que não evoluímos em nada, mas com certeza conseguimos mascarar nossos preconceitos.
O mais engraçado é ver que os alunos da Uniban fizeram um protesto na frente da Universidade na terça-feira contra a postura da aluna Geisy Arruda, que está denegrindo o nome dos alunos da universidade dando entrevistas na mídia sobre o ocorrido. Inversão total do ocorrido. Fiquem sabendo que a maioria dos estupradores também usa essa defesa. “Eu fiz porque no fundo ela queria. Ela é a culpada”. Fico imaginando quais valores essa universidade ensina para seus alunos e que tipo de público estuda lá. Opa, me esqueci, é apenas uma relação comercial. Não é necessário ensinar valores e nem exigir uma postura ética dos alunos.

Pelo visto, voltamos a idade média e não sabíamos disso.
Desculpe a expressão, mas moralismo de mão peluda é enojante.