Sim, me dei ao trabalho de me dirigir ao cinema para assistir mais esse filme contando uma das tramas mais antigas da história do cinema, ou seja, o fim do mundo. E ninguém melhor para contar mais essa tragédia do que o diretor Roland Emmerich, que já destruiu o planeta em outras duas ocasiões. Em Independence Day (1996) a culpa pela destruição é de uma horda de alienígenas que se utilizavam de computadores feitos pela IBM, e em The Day After Tomorrow (2004) o planeta vai pelo ralo por conta de mudanças climáticas causadas pelo próprio homem.

Agora, o mundo termina por conta de tempestades solares que estão literalmente fervendo o núcleo da Terra. Todo o lance de se falar de profecias Maias e outros que previram a destruição é apenas um grande lance de Marketing do filme. Essa temática é citada muito rapidamente e tudo é focado dentro da ciência, deixando o misticismo de lado. Na história temos dois núcleos principais. O primeiro é formado pelos cientistas e agentes do governo que sabem que a destruição estava em curso, mas optam por não avisar a população e montar medidas para salvar uma pequena parte da humanidade e um pouco da sua produção artística. O outro núcleo narrativo é composto por John Cusack, um escritor fracassado e que trabalha como motorista de limusine, e que descobre o fim do mundo de modo acidental e tenta salvar sua família.

Mas, a pergunta básica que fica é: o filme é bom? Eu diria que depende do que você espera da produção. Se você quer ver uma boa linha narrativa, drama e boa construção de personagens, então o filme é horrível. Sou um grande fã de John Cusack, mas nesse filme ele está completamente superficial. Aliás, todos os personagens são desenvolvidos de maneira superficial na história. Por exemplo, eu não consigo acreditar que Danny Glover é o Presidente dos Estados Unidos. Não é convincente. A melhor atuação, que nem é tão boa assim, fica por conta de Chiwetel Ejiofor (que também fez o ótimo papel do Assassino sem nome no filme Serenity), como o cientista responsável pela descoberta e estudo do fenômeno que vai dar cabo do planeta.

Agora, se você espera apenas efeitos especiais grandiosos e ação sem limites e totalmente inverossímil, então esse é o seu filme. As cenas de destruição em massa são perfeitas e mostram tudo ruindo em detalhes espantosos. Enquanto a terra se abre e os edifícios desmoronam é possível ver as pessoas correndo de um lado para outro ou simplesmente despencando dos prédios. A correria cerca o filme inteiro sem descanso. Pontos fortes são as grandes ondas do Maremoto e o vulcão que surge em pleno parque de Yalow Stone. Simplesmente perfeito.

Eu fui ao cinema sem pretensão alguma. Pensei que seria mais um filme a se assistir e depois esquecer. Mas, a fila gigantesca na porta do cinema me mostrou que todo o marketing empregado no lançamento da produção funcionou. Tive que voltar outro dia para poder conferir o lançamento. Porém, o filme é cheio de momentos constrangedores. O fim do mundo está acontecendo e bilhões de pessoas vão morrer e todos os protagonistas sempre têm uma piadinha para os momentos de clímax. Ou seja, um filme que deveria ser tenso acaba se tornando muito engraçado. Outra coisa que me cansa nesse tipo de filme é que todo mundo tem uma frase grandiosa para o momento da morte eminente. Se você vê uma onda gigante vinda em sua direção, é muito mais fácil soltar um Fuck do que uma frase de efeito que ninguém vai ouvir. Mas, são coisas do cinema.

Interessante notar que esse é o segundo filme nesse ano que mostra o Sol como fonte de destruição eminente. O primeiro foi Presságio que trouxe muito drama e bons efeitos especiais. E agora temos essa quase comédia mostrando que não somos absolutamente nada diante das forças da natureza. Mas, mesmo assim, vale a pena assistir o filme. Eu dei risada e me diverti durante as duas horas e meia de sua exibição. Não vai mudar nada em sua vida e não será lembrado duas horas depois. Provavelmente vá vender poucos DVDs, mas vale para desligar o lado racional do cérebro por um tempo e só curtir a diversão.