Eu tinha decidido que não iria assistir Avatar, a nova empreitada do cineasta James Cameron, que entre outras coisas fez Exterminador do Futuro e Aliens – O Resgate. Eu tinha decidido isso justamente por conta da babação de ovo que diversos críticos estão fazendo sobre o filme. Isso me fez lembrar de Titanic. Todo mundo falou bem, todo mundo queria assistir e foi o único filme em que dormi durante a exibição. Não estava preparado para mais um calmante cinematográfico, mas o destino (e a namorada) me fez encarar mais essa aventura.
O que posso dizer sobre o filme é que não dormi durante sua exibição, mas também não achei nada de estupendo. Para falar a verdade até achei muito bacana os efeitos especiais. A computação gráfica usada no filme chega quase ao ponto de parecer expressar um ambiente real. Os animais, a floresta e os próprios protagonistas apresentam uma qualidade surpreendente. Em alguns pontos você fica com a impressão de não conseguir separar o que foi inserido digitalmente e o que é realidade. Por outro lado, em outros pontos toda essa inserção digital deixava as cenas muito plastificadas. Pareciam aqueles desenhos japoneses onde todos os personagens são digitais (me lembrei na hora de Final Fantasy – The Spirits Within).
Mas, o problema aqui é a história. Durante o filme ficamos conhecendo um futuro longínquo onde a humanidade está expandindo suas fronteiras ao espaço em busca de recursos naturais. Nesse contexto somos apresentados ao planeta Pandora, onde uma grande companhia, apoiada por uma força tática do exército, tenta extrair um mineral esquisito que ninguém fala para o que serve, mas que vale muita grana. O problema é que o planeta é dominado pelos Na´Vi, uma raça humanóide, com estatura acima de 2 metros e com pele azul que vive em uma sociedade tribal. Para complicar, a principal reserva do mineral tão cobiçado se encontra debaixo da área sagrada dos indígenas. Para facilitar o contato com os nativos, os cientistas humanos criam os Avatares, seres orgânicos parecidos com os Na´Vi e que são comandados a distância através de uma transferência de consciência. Parece meio estranho, mas funciona no filme.
Por mais que os efeitos especiais sejam estupendos, o que pega aqui é o amontoado gigantesco de clichês do roteiro. Temos a empresa gananciosa, o militar carrancudo que só quer destruir independente dos argumentos, os cientistas bonzinhos que só querem a paz, o povo primitivo que vive em comunhão com a natureza e que estão no caminho da grande corporação desalmada e o sujeito que é enviado para espionar, mas acaba se apaixonando pelo modo de vida selvagem e parte para a resistência junto com eles. Falando sério, existem dezenas de filmes com essa mesma temática e você já conhece cada evolução do roteiro antes dela acontecer. Nada é surpreendente. Isso é um grande problema em um filme que está sendo chamado por alguns como sendo revolucionário. É uma grande obra de arte tecnológica, isso eu admito, mas como filme completo deixa muito a desejar. Mas, o trabalho de marketing foi bem feito e ele deve render horrores nas bilheterias.
Por último, é sempre bom analisar o desempenho dos atores. Gostei muito de rever Sam Worthington nesse filme. Já tinha gostado de seu papel em O Exterminador do Futuro – Salvação e ele não deixa a peteca cair nesse filme. Só lembrando que ele também vai fazer o papel de Persel na regravação de Fúria de Titãs (uma das melhores promessas para o ano de 2010). Michelle Rodriguez, uma morena linda que adoro ver no cinema, está nesse filme fazendo mais uma vez o papel de mulher macho que lhe deu reconhecimento em filmes como SWAT e Resident Evil (esse é mais um clichê desse filme). E por fim temos a eterna caçadora de Aliens Sigourney Weaver no papel de uma cientista carrancuda que só quer descobrir os segredos desse novo planeta. Acho que colocar ela em um planeta de alienígenas também pode ser considerado como um clichê.
Mas, mesmo com todas essas críticas de minha parte, você deve ir ao cinema e assistir Avatar. Não é uma obra que vai mudar sua vida, mas com exceção do roteiro, tudo é feito com muito capricho e vai lhe garantir um pouco mais de duas horas de diversão. Só por isso já vale a pena.
Como não terei a oportunidade de vê-lo em 3D vou esperar um pouquinho e vê-lo em qualidade R5 ou DVDrip em casa mesmo.
Abração