O grande trunfo de Dexter, séria que me surpreende a cada dia por ficar tanto tempo no ar e não ser atacada pelos politicamente corretos, também é o que mais me irrita. O fato de cada temporada ser limitada a um número pequeno de episódios facilita para os produtores desenvolverem uma história enxuta e com continuidade perfeita. Porém, dá apenas um pequeno gostinho para os fãs, sendo que a próxima temporada vai demorar vários meses para ser exibida.

Se você não tem TV a cabo, acesso a internet ou ficou abduzido por alienígenas nos últimos 4 anos, Dexter deve ser desconhecido para sua pessoa. A série, que começou sem nenhuma pretensão, conta a história de Dexter Morgan (Michael C. Hall), membro da polícia criminalística de Miami. Porém, à noite, ele se torna um frio psicopata que persegue criminosos que não foram punidos pela lei. Talvez esse lado de justiça ao pé da letra seja o ingrediente que livre a série de maiores críticas.

Essa temporada começou com grandes mudanças para Dexter. Como visto no final da terceira temporada, ele se casou com sua namorada Rita (Julie Benz) e tiveram um filho. Só que conciliar a vida de pai de família com a atividade de Serial killer não está sendo fácil. Junto a isso, temos a volta do agente Frank Lundy (Keith Carradine) que agora está aposentado do FBI e trabalhando por conta própria em um antigo caso. Porém, o grande trunfo dessa temporada é o oponente que Dexter vai enfrentar. O Assassino Trinity (John Lithgow), que viaja pelas cidades dos Estados Unidos sempre fazendo três vítimas em cada uma. É ele que o agente Lundy está perseguindo dessa vez.

Para falar a verdade, estava meio desanimado com Dexter. Depois de duas ótimas temporadas, a terceira deixou muito a desejar. Embora todas elas sejam permeadas com o desejo de Dexter cultivar conexões afetivas com outras pessoas, a história com o promotor foi muito marrenta. Porém, resolvi dar uma nova chance para a série e não me arrependi. A história dessa temporada foi muito bem construída e tivemos alguns bons personagens novos, como a repórter Christine Hill, interpretada por Courtney Ford, e o próprio assassino Trinity. Personagens antigos também mandaram muito bem, mostrando que ainda são muito relevantes para o seriado.  Rita continua sendo um pé no saco, Debra (Jennifer Carpenter) faz descobertas importantes sobre o passado de Dexter e Harry Morgan (James Remar) continua sendo a voz da consciência de Dexter, mostrando constantemente que uma vida normal é impossível para o assassino que vive dentro dele.

Porém, o que me deixou realmente maluco foi o final do último episódio. A grande revelação, que não vou contar aqui, é literalmente de explodir a cabeça. Parabéns para os produtores e roteiristas da série que tiveram a coragem de proporcionar um final que abre possibilidades sombrias para a série e ao mesmo tempo fecha um ciclo para Dexter e seu filho. Desde a primeira temporada que não temos um final tão intenso quanto esse.

Agora é esperar a próxima temporada para termos mais sangue e justiça, além de ver novamente nosso psicopata favorito.