Já faz algum tempo que os cinemas nacionais vêm sendo invadidos pelo trailer de um filme onde um garoto descobre ser filho de um dos mais poderosos Deuses do Olimpo e junto com essa descoberta se abre um mundo de aventuras e perigos. O filme, que deve estrear agora no Brasil, parece ser bem produzido e passa a impressão de ser diversão garantida para quem gosta de aventura e fantasia. Mas, o que eu não sabia até bem pouco tempo, é que o filme é baseado em uma série de livros escritos pelo americano Rick Riordan. Isso é para comprovarmos que somos privados de muita coisa que acaba não chegando por aqui ou chega é não é divulgada.
Com a aproximação do lançamento do filme, a Intrinsica colocou no mercado editorial brasileiro o primeiro volume da série, inclusive utilizando o pôster do filme como capa para o livro. Isso não é novidade. O público brasileiro só voltou a ter acesso ao Senhor dos Anéis, um dos grandes clássicos da literatura mundial, com o lançamento do filme. Porém, cabe lembrar que os 4 primeiros volumes da série já foram lançados em território nacional, mas sem muita propaganda ou alarde. Talvez a própria editora não tenha acreditado no sucesso da série. Grande engano, pois no Submarino o exemplar que comprei já se esgotou.
Mas, voltando ao tema desse texto, Percy Jackson e os Olimpianos (tradução para o Brasil) é o tÃtulo da saga que se divide até o momento em 5 volumes. O primeiro, O Ladrão de Raios, foi lançado em 2005 e desde lá o autor vem colocando um volume por ano no mercado. O exemplar mais recente, intitulado O Ultimo Olimpiano, foi lançado em março de 2009 nos Estados Unidos e ainda não chegou por aqui. Como tinha simpatizado com o trailer do filme e precisando de um novo livro para substituir o SÃmbolo Perdido de Dan Brown que estava acabando de ler (próxima resenha), comprei o exemplar pelo correio e não me arrependi.
Na história, Percy Jackson é um adolescente comum que tem problemas em todas as escolas por onde passa. Diagnosticado com dislexia e déficit de atenção, ele se surpreende ao descobrir que é filho de Poseidon, o Deus dos Mares. Pior ainda, que ele está no meio de uma crise no Olimpo que pode levar a uma guerra entre os três Deuses mais poderosos do panteão grego (Zeus, Poseidon e Hades). Incumbido da missão de encontrar o Raio Mestre, o sÃmbolo do poder de Zeus que foi roubado e deu inÃcio a toda a crise, ele parte com seus amigos Annabeth Chase, filha de Atena, e Grover Underwood, um Sátiro desastrado, em uma viagem ao mundo subterrâneo para encarar Hades e por fim ao conflito. Pelo caminho eles encontram outros Deuses e enfrentam monstros como o Minotauro, a Medusa, as Fúrias e Gigantes. Uma grande salada mitológica.
Ao começar a ler o livro bateu uma pequena decepção. Não por ser uma história ruim, mas por ser um livro voltado para adolescentes. Letras grandes, construção de fácil assimilação, sem muita dificuldade para entender a história. As 400 páginas do livro duraram apenas 3 dias em minhas mãos. Dessa mesma forma, algumas situações podem parecer bobas para os leitores mais adultos, mas temos que pensar no público alvo da história. A parte mais bacana é ver a adaptação de alguns personagens da mitologia grega para os dias atuais. Como explicado no livro, os Deuses não desapareceram, apenas se adaptaram para os dias atuais.
A história é muito boa, tem aventura e divertimento por todas as páginas, embora algumas soluções e enredos sejam muito simples. Porem, o grande trunfo do livro é que ele não é cansativo como alguns livros que venho lendo nos últimos tempos. Ele é feito na medida certa, e quando acaba a história você quer mais, quer ter todos os outros livros. Isso sim é importante. Talvez não seja uma saga a altura de Harry Potter (até porque não consegui passar da décima página do primeiro livro do bruxo mais famoso do mundo), mas convenhamos, o mundo dos Deuses é muito mais interessante do que o mundo dos Bruxos, pelo menos em minha opinião.
