E a temporada de House também chegou ao fim. Chato quando todos os programas que você acompanha chegam ao fim ao mesmo tempo. Fica aquele gostinho de “não tenho mais nada para assistir”. Agora que acabou, só nos resta lembrar os bons momentos e fazer uma reflexão sobre o que aconteceu em mais esse ano na vida do médico que todos amam, embora ele não dê a mínima para vocês.

A 5º Temporada terminou com House (Hugh Laurie) tendo sérios problemas por conta de seu vício em Vicodin. Nos últimos episódios ele já estava tendo alucinações com Amber (Anne Dudek), a namorada de Wilson (Robert Sean Leonard) que morreu no final da 4º Temporada. Depois, em um épico último episódio, House alucina que teve uma noite de amor com a Dr. Cuddy (Lisa Edelstein), o que causa uma série de problemas no hospital. Ao fim, House decide se internar para uma desintoxicação.

E é dessa maneira que a 6º Temporada se inicia. Em um episódio especial, nós vemos House lutar contra si mesmo no processo para se livrar de seu vício e, ao mesmo tempo, curar uma paciente que está internada no mesmo sanatório. O início dessa temporada também nos mostra um novo e poderoso personagem, o Dr. Darryl Nolan (Andre Braugher), que mostra ao protagonista que existem outras maneiras de controlar sua dor crônica, e que muito do sofrimento do personagem se deve ao trauma psicológico também.

Dessa forma, muitas mudanças acontecem logo no início. House decide abandonar o hospital e se dedicar a outras atividades, procurando maneiras de contornar sua dor. Depois de alguns episódios de indecisão, ele volta a medicar ao descobrir que diagnosticar é o desafio que melhor acalma sua mente e suas dores. Posso dizer que essa temporada foi uma bela revigorada na série. A temporada passada já estava com ares de saturação do personagem. Algo deveria ser feito. Não bastava mais apenas ser mal humorado. House precisava mostrar seu lado humano. E isso aconteceu nesse ano.

Mas, isso não quer dizer que ele se tornou alguém sentimental e piegas. Claro que não. Quando digo que House mostrou seu lado mais humano, quero dizer que isso foi bem a maneira dele. O vício em analgésicos deixou de ser uma das muletas da história que passou a ser focada nos relacionamentos da equipe. Chase (Jesse Spencer) voltou para o grupo, o que garantiu mais um membro para ser azucrinado pelas excentricidades de House. Aliás, o relacionamento dos membros da equipe foram mais interessantes do que os misteriosos casos médicos de toda a semana. Por outro lado, House admitiu para si mesmo que realmente é apaixonado por Lisa Cuddy, porém tarde demais, pois a mesma está envolvida com outra pessoa (e essa pessoa foi a única coisa difícil de engolir nessa temporada).

No mais, todos os personagens principais estiveram de volta e todos tiveram o seu momento de destaque na trama. Fácil destacar o Dr. Wilson pela sua participação nesse ano, ainda mais que ele decidiu morar junto com House para ajudá-lo em sua recuperação. Grandes momentos cômicos vieram do relacionamento desses dois estranhos amigos dividindo o mesmo teto. A Dr. Cuddy também esteve ótima em sua participação e levou House a seus momentos mais comoventes.

Help Me

Não poderia deixar de destacar nesse texto o incrível último episódio da temporada, intitulado de Help Me. Durante um desabamento que vitimou inúmeras pessoas, House e toda a equipe foram para os escombros para socorrer as vítimas. Debaixo de um grande bloco de concreto, a vida de uma mulher vai levar House a analisar sua vida nos últimos anos e chegar à conclusão do que realmente importa para ele. Aqui descobrimos que o personagem tem sentimentos, mas os esconde para que seu trabalho possa ser melhor executado. Aqui vemos que House pode abrir mão de seu ego para o bem dos outros, e aqui também vemos que no fim, ao contrário do que muitos possam dizer, todos nós torcemos para que House encontre o seu final feliz.

Digo com toda a certeza que esse foi o melhor final que uma temporada que o programa já teve e, embora seja um episódio triste, foi o que mais coisas positivas trouxe ao personagem até hoje. Sei que todos nós gostamos do lado ranzinza, egocêntrico e sarcástico de Gregory House, mas também torcemos por ele, afinal de contas, ninguém se torna fã de algo que não traz identificação pessoal. Mal posso esperar pela próxima temporada.