A fotografia é uma forma de arte, nem precisamos discutir isso, mas os debates sobre arte e fotografia estão se intensificando. Conheço muitos fotógrafos que não se reconhecem como artistas justamente por conta de a prática fotográfica não ser elencada comumente como arte. Sempre pensam na fotografia pelo lado da tecnologia e não do olhar.

Cabe a nós, educadores, passar cada vez mais para a população e para a classe artística em geral, que também somos criadores de trabalho intelectual e artístico. Por isso, fiquei muito contente quando fui convidado pelo Danilo De Ângelo e pelo Paulo Brasil para integrar a intervenção artística que aconteceu na cidade de Dracena.

A história é mais ou menos assim. Danilo De Ângelo é de Piracicaba, trabalha com curadoria de exposições e faz consultoria para artistas. Ele veio para a região a convite da Oficina Cultural para ministrar uma oficina sobre estética na arte. A proposta envolveu artistas de Presidente Prudente e de Dracena. Ao final do curso, foi decidido que seria realizada uma intervenção artística na praça da cidade.

O que chamamos de intervenção, nada mais foi do que levar o artista até a praça para que a população conheça o seu trabalho e participe também da criação das obras. Dessa forma, tivemos pintura, música, escultura, dança e teatro como as práticas artísticas envolvidas nessa atividade. Mais do que observar, a população foi chamada a participar também, pintando, desenhando, dançando e ajudando na construção do artesanato. Artistas existem em todos os lugares, mas a população precisa saber que eles existem.

Quando me convidaram para participar, encontrei dois problemas. O primeiro era saber como a fotografia se encaixava nisso tudo, como fazer as pessoas interagirem com a fotografia. O segundo é que tinha aula no dia, e não podia dispensar minha turma. O segundo problema foi resolvido pela prefeitura de Dracena que se propôs a levar todos os meus alunos para participarem do evento. Então a intervenção contou com mais de 25 fotógrafos vindos de Presidente Prudente. Como o evento se tornou uma aula prática para mim, nada melhor do ensinar os alunos a como fotografar esse tipo de atividade. E assim resolvi meu segundo problema.

Mas, não ficamos apenas na fotografia. Todo mundo teve oportunidade de interagir com os outros artistas e alguns tiveram a primeira oportunidade na vida de pintar um quadro, participar de uma peça teatral improvisada ou fazer uma escultura de argila. A meu ver, uma atividade inédita na região e que precisa se repetir mais vezes no maior número possível de municípios.