O ano era 1993 e Chris Carter teve uma grande idéia. Homenagear todas as séries e filmes de terror que assistiu em sua adolescência criando um programa de TV chamado apenas de Arquivo X (The X-Files). A série fez tanto sucesso por aqui que foi responsável pela criação de programas especiais e revistas que nasceram apenas ancoradas em seus episódios. Também não podemos esquecer que a série foi uma das principais atrações da Rede Record, que naquela época mantinha ótimas séries em sua grade de programação (bons tempos que não voltam mais) e também lançou dois atores desconhecidos (David Duchovny e Gillian Anderson) ao estrelato.

Passei muito tempo de minha adolescência assistindo às intermináveis reprises da Rede Record, mas sempre tive um trauma. Nunca tinha assistido às duas últimas temporadas do programa. E não sei por que isso não aconteceu. Gosto muito do seriado, mas me lembro que tinha perdido um pouco do interesse pelo programa perto de seu final, embora ainda acompanhasse as notícias. No começo do ano, um amigo me vendeu uma versão pirata (sim, sei que é errado) das cinco primeiras temporadas. Óbvio que assisti a tudo rapidinho, mas eu queria mais.

E esse desejo se concretizou algumas semanas atrás quando comprei as 9 temporadas da série em uma caixa super bacana que está em promoção no Submarino. Aqui faço uma pequena crítica dessa série tão importante em meu passado. Fox Mulder e Dana Scully são responsáveis pelos Arquivos X, uma divisão do FBI que investiga casos bizarros e que envolvam explicações que fogem do campo da ciência comum (alguém lembrou de Fringe?). As 5 primeiras temporadas são absolutamente perfeitas. Os atores desempenham bem seu papel, a história é absurdamente bem amarrada e o clima pesado cerca quase todos os episódios.

Tudo gira em torno da obsessão do agente Mulder em encontrar sua irmã que foi abduzida por alienígenas. De quebra, temos uma gigantesca conspiração que gira em torno de uma invasão alienígena que quer recolonizar a Terra usando um vírus nojento conhecido como Óleo Negro. Como na Quinta Temporada houve o perigo de cancelamento da série, então os produtores tentaram fechar a história e a tarefa de encerramento ficou para o longa metragem lançado em 1998. Até ai tudo bem, mas com a Sexta e Sétima temporada o pessoal da produção resolveu rasgar o manual e investir em episódios engraçadinhos e descontraídos. Talvez seja um reflexo do perigo de cancelamento e resolveram transformar o seriado em um programa família. Ou seja, tudo que era bom foi para o vinagre.

Depois dessa experiência é que me toquei o porquê de ter parado de assistir a série. Os únicos episódios bons dessas duas temporadas (e são apenas 5 episódios de 44) são justamente os que voltam à mitologia inicial e tentam amarrar as pontas da história original da conspiração alienígena. A Sétima temporada termina com o próprio agente Mulder sendo abduzido por alienígenas. Lembrando que nessa época David Duchovny estava de saco cheio da série e queria sair para fazer outras coisas (como o horrendo filme “Evolução”). O acordo foi que ele participaria de apenas 10 episódios da Oitava Temporada. Mas, isso é papo para outro post. Passado o trauma desses episódios, agora vou assistir à 8º e 9º temporadas. Os críticos na época falaram muito bem desses episódios. Aguardem novas resenhas sobre essa parte da série.