Se você não sabe por que estou fazendo essa resenha da 8º temporada de Arquivo X, então é melhor dar uma olhada nesse texto antes de continuar lendo. Arquivo X foi uma série revolucionária. Muito do que vemos hoje na TV se deve aos conceitos explorados por Chris Carter (criador e produtor da série). Pode ser que a trama do Monstro da Semana não seja um conceito tão original assim, mas foi a primeira vez que esse tipo de argumento que fez um grande sucesso na televisão.

Um resumo da ópera até esse momento (englobando as 7 temporadas anteriores) dão conta de uma eminente invasão e colonização da Terra por uma raça alienígena. O veículo de dominação dos aliens é um líquido nojento que era chamado de Óleo Negro. Junte a isso uma conspiração governamental de homens poderosos que fingiram trabalhar junto com os alienígenas, mas na verdade estavam procurando uma vacina contra o líquido nojento. No meio disso temos Fox Mulder e Dana Scully que conseguem apenas juntar pequenos fragmentos de toda essa trama sem nunca chegar a ver o quadro todo.

A 8º temporada começa onde a 7º terminou. Fox Mulder é abduzido por alienígenas e vai passar metade dos episódios sob o poder dos alienígenas. Com seu desaparecimento, o FBI monta uma força tarefa para encontrá-lo. Esse grupo está sob o comando do agente John Dogget (Robert Patrick). Como não conseguiu descobrir o paradeiro de Mulder, ele fica encarregado dos Arquivos X até encontrar o agente.

Esse é todo o argumento da nova temporada. Sai David Duchovny, que não queria mais participar da série, e entra o Exterminador do Futuro (hehe, tinha que fazer essa colocação). Gillian Anderson continua em seu papel, mas de uma maneira muito mais chata. Nessa temporada os papéis se inverteram. Dogget é o incrédulo, porém durão agente do FBI, e Dana Scully se torna a pessoa que acredita no lado sobrenatural das coisas. Porém, não é a mesma coisa. Tudo ficou muito artificial nessa temporada. Scully está irritante e o espectador fica até feliz quando ela não aparece. Os episódios se arrastam e, ao contrário do que estava acontecendo até agora, quando a história volta à mitologia alienígena é que as coisas ficam mais irritantes. Muito do que foi contado no passado foi esquecido e agora tudo gira em torno de Super Soldados que são metade alienígenas e metade humanos. Uma droga.

Como a coisa estava indo para o brejo, os produtores resolveram colocar outra agente para fazer par com Dogget. Monica Reyes (Annabeth Gish) aparece para trazer um pouco de equilíbrio a história, coisa que Dana Scully não estava conseguindo mais. A temporada possui bons episódios, quase todos fora da mitologia alienígena e tendo Dogget e Reyes como protagonistas principais. Quando Mulder retorna de seu cativeiro alienígena a coisa toda já estava comprometida. Verdadeiro suplício assistir aos 22 episódios.

Infelizmente, Arquivo X, a 8º Temporada, é uma colcha de retalhos. Muita informação desnecessária e situações que poderiam ter sido evitadas. Mas, era um momento de transição. Os episódios (que até possuem alguns bons momentos) deixaram de ser engraçadinhos e bem humorados e voltaram a focar no suspense e no terror light. Um caminho bacana de ser seguido e que culminaria no trabalho executado na 9º e última temporada. Mas, esse é um papo para o próximo texto.